“Sabotagem interna” e “chororô permanente” de maus perdedores, derrotados na convenção estadual do PSDB em novembro de 2017 e que agora praticam “sabotagem” à liderança exercida por César Colnago no Estado, em um ataque “pensado” por “supostos tucanos autênticos” para desidratar o partido como um todo, mas, de modo muito específico, a figura do próprio Colnago.
Assim o secretário-geral do PSDB estadual, Vandinho Leite, define a série de críticas que o vice-governador tem recebido de tucanos que lhe fazem oposição interna, intensificadas após o anúncio, na última segunda-feira, da reedição da aliança do PSDB com o PMDB e do apoio a Paulo Hartung na eleição estadual. Além das críticas, adversários internos de Colnago têm posto em marcha um movimento de desembarque do partido.
Para ficar em um exemplo, na carta em que anunciou sua desfiliação, o agora ex-presidente da Executiva de Vitória, Elcio Amorim, disparou contra o “autoritarismo”, a “pequenez de atitudes”, o uso do partido como “trampolim eleitoral” e, acima de tudo, “o alinhamento automático do PSDB ao Palácio Anchieta”, a partir da vitória da chapa de Colnago na convenção de novembro. E aqui cabe um breve flashback: após baterem de frente, a chapa liderada por Colnago derrotou a de Max Filho, Luiz Paulo e Majeski, formada por tucanos não alinhados a Hartung e autointitulada “PSDB Autêntico”. Colnago retomou, assim, a presidência e o controle do partido. E desde então há um duelo de narrativas.
Falando em nome de Colnago e da atual Executiva estadual, Vandinho rebateu a narrativa mantida pelos “autênticos”, começando por contestar essa alcunha. “Que ‘autênticos’ são esses que estão saindo do partido? Vejo isso como um movimento de oposição do grupo derrotado na convenção ao grupo que se elegeu de forma democrática e sem a máquina partidária na mão.” (O então presidente, Jarbas de Assis, apoiou Max.)
Para Vandinho, na verdade, a narrativa está invertida: não é o grupo dele e de Colnago que representa e que queria desde o início o “alinhamento automático” com o governo de PH. Era o grupo de Max e Luiz Paulo que, antes mesmo da convenção, vinha trabalhando por um “rompimento automático” com o grupo no poder e liderado pelo governador. “O que me chama mais atenção nas críticas é o formato. Eles falam em ‘alinhamento automático’. O que vejo é que, na verdade, a proposta deles é que era de rompimento automático. Queriam, digamos, um ‘desalinhamento automático’. E foi assim que foram para a convenção.”
Segundo o aliado de Colnago, é uma grande contradição da parte dos “autênticos” derrotados quererem agora cobrar participação e diálogo se eles mesmos se recusaram a participar da Executiva, órgão máximo deliberativo do partido no Estado. Do mesmo modo, Vandinho vê como um contrassenso eles agora reclamarem de não terem sido consultados na decisão de reeditar a aliança eleitoral com o PMDB se eles mesmos optaram por não participar da Executiva.
“Usaram a narrativa de que, por ter membros do governo, a nossa chapa era do ‘alinhamento automático’. Mas veja: na convenção, depois da montagem do diretório, elege-se a Executiva. E, após nossa vitória na eleição do diretório, o nosso primeiro gesto foi convidar a chapa de Max a participar da composição da Executiva, ocupando espaço proporcional aos votos recebidos por eles. Fizemos isso logo em seguida à montagem do diretório. Eu fui o emissor dessa proposta para o Max. E eles não quiseram! Não aceitaram compor. Ficaram sem nenhuma representação na Executiva, por opção própria. E agora como é que eles querem decidir pela Executiva? Agora, de forma pensada, estão tentando desidratar o César. O alvo principal deles é o César, mas querem desidratar o partido como um todo. É um processo de sabotagem”, argumenta o secretário-geral do PSDB-ES.
Novembro de 2017, para o PSDB capixaba, é o mês que ainda não acabou. E, como se está verificando, tão cedo não há de acabar. O ninho segue conflagrado. Escudeiro, Colnago já tem. Está faltando agora um bom bombeiro...
Sem alinhamento
Vandinho nega que a reedição da aliança PSDB/PMDB no Estado para 2018, confirmada na última segunda, já estivesse definida desde que sua chapa (formada por governistas) venceu a convenção estadual dos tucanos em novembro. Refuta, ainda, o argumento de que o anúncio da aliança confirma a tese de “alinhamento automático” ao Palácio Anchieta representado pela chapa vencedora. “Não há que se falar em alinhamento. Mas há que se falar que fazemos parte de um governo que deu certo. E agora, sim, anunciamos uma aliança do PSDB com o PMDB.”
Sem debandada
Vandinho rechaça, ainda, o argumento de que a insatisfação com Colnago pode levar a uma desfiliação em massa de setores do tucanato. “Temos 14 prefeitos. Temos problema com um (Max Filho), que está de saída. Os outros 13 votaram com a gente na convenção e continuam articulados com os movimentos do partido. Eles falam em debandada em massa de candidatos. Quais? Quem? Nós temos 40 pré-candidatos a deputado estadual. Quem vai sair? Carlos Von, porque é funcionário de Max Filho? Pelo menos o funcionário dele ele tem que levar, ué!”
Sem virada de mesa
Na prestação de contas do mandato de Majeski, dia 28 de fevereiro, Luiz Paulo disse que, se a chapa dos “autênticos” tivesse vencido a convenção, eles teriam trabalhado para lançar Majeski a governador. Por sua vez, Max Filho – também decidido a sair da sigla – procura agora viabilizar sua candidatura. Para Vandinho, se o resultado da convenção tivesse sido outro, o grupo de Max/Majeski/Luiz Paulo estaria preparando hoje o lançamento de um candidato de oposição ao governo PH. “Acho que isso hoje está claro.”
Sem cem
Publicamos na quarta-feira que o secretário-geral do PSDB da Serra, Charles de la Vega (não Carlos, como saiu com erro), vai deixar o partido e diz que levará mais de cem com ele. “Nunca vi uma reunião dele com mais de dez”, ironiza Vandinho.