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Gabriel Tebaldi

A conta da crise dos combustíveis recairá sobre o povo

Trata-se de um retrato do incompetente governo do PT/PMDB. Investimentos mal feitos colocaram na boleia de caminhões um país que deveria mover-se sob trilhos

Publicado em 30 de Maio de 2018 às 16:56

Públicado em 

30 mai 2018 às 16:56

Colunista

“O Brasil não é para principiantes”, disse Tom Jobim. A complexidade é nossa mãe. Explicações simplistas não dão conta da realidade. Por isso, compreender a greve que parou o país requer que ultrapassemos as reivindicações.
Em 2009, o governo do atual presidiário de Curitiba lançou o “Programa de Sustentação do Investimento”, política de crédito via BNDES de R$ 452 bilhões, com juros de 7% ao ano e prazo de 8 anos para quitação. No setor de transportes, foram injetados R$ 77,6 bi e a venda de caminhões cresceu 83% em três anos. O boom em meio à queda do PIB gerou uma frota excedente de mais de 280 mil carretas.
Em 2017, a Petrobras adotou uma nova política de preços. Os reajustes acompanhariam o mercado internacional. Desde então, o diesel subiu 121 vezes e o frete encareceu 55,6%
Com a oferta maior que a procura, o preço do frete despencou e o setor acumulou R$ 50 bilhões em dívidas com o BNDES. Em 2015, o PSI foi extinto, mas a Petrobras ainda servia como mecanismo do governo Dilma para conter a inflação. Os preços dos combustíveis não acompanhavam o mercado. Em cinco anos, tal irresponsabilidade gerou R$ 55 bilhões de prejuízos para a empresa.
Em julho de 2017, a Petrobras adotou uma nova política de preços. Os reajustes acompanhariam o mercado internacional. Desde então, o diesel subiu 121 vezes, o frete encareceu 55,6% e o valor de mercado da empresa saiu de R$ 97 bi em 2015 para R$ 360 bi em 2018. O PT quebrou a Petrobras e nós pagamos sua recuperação.
Os impostos representam 66% da alta no preço dos combustíveis. Fazer frete no Brasil tornou-se inviável. A greve eclodiu. Os prejuízos, desastrosos; as soluções também. Para reduzir os preços, o governo irá aumentar impostos em 28 setores da economia. A conta: R$ 3 bilhões ao ano para as empresas atingidas. A isenção do PIS e do Cofins abrirá um buraco de R$ 15 bi nos cofres públicos. Quem vai pagar a conta? O povo.
Esse é um retrato do incompetente governo do PT/PMDB. Além disso, investimentos historicamente malfeitos colocaram na boleia de caminhões um país que deveria mover-se sob trilhos. Assim, enquanto tomamos medidas emergenciais para problemas conjunturais, continuamos na melancólica tarefa de enxugar gelo.
*O autor é graduado em História e Filosofia, e pós-graduado em Sociologia
 

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