Sei que é impossível resumir 90 anos de existência em alguns episódios. Recorro, entretanto, à minha condição de participante ativo das últimas cinco décadas dessa história para destacar quatro momentos emblemáticos da trajetória vitoriosa da Rede Gazeta.
O primeiro deles é a criação de A GAZETA, em 1928, pelos sócios Thiers Vellozo e Hostílio Ximenes. É certo que o segundo desejava que o jornal viabilizasse a venda de lotes em Camburi, mas Vellozo quis que A GAZETA fosse “a imprensa neutra, sem compromissos de qualquer espécie” para defender “todas as aspirações lícitas da comunhão espírito-santense”. Como contou, há 30 anos, Heliomar Carneiro da Cunha, genro de Vellozo – e que o sucedeu na direção do jornal –, “Camburi seria a centelha” mas Thiers e ele alimentaram “o maçarico para que se gerasse o facho de luz que é A GAZETA de hoje”.
O segundo momento marcante foi a aquisição do controle acionário do jornal por Carlos Lindenberg, em 1948, e a escolha do seu cunhado, Eugênio Queiroz, para administrar A GAZETA, o que permitiu à empresa superar o difícil período de uma economia incipiente em que o mercado publicitário capixaba mal engatinhava.
O quarto momento a ser destacado na história da Rede Gazeta é a transição pacífica do comando do grupo para o filho de Cariê, Carlos Fernando Lindenberg Neto, o Café, ocorrida em 2000
O controle da família Lindenberg abriu caminho para que Cariê, Carlos Lindenberg Filho, assumisse o comando em 1963 e levasse a empresa ao grande salto que marca o terceiro momento aqui destacado. Este salto se revelou na reorganização administrativa, comercial e editorial do jornal, na sua profissionalização como produtor de notícias independente, sem engajamento político-partidário e, principalmente, na criação da TV Gazeta, em 1976.
Cariê percebeu, antes de muita gente, que os jornais que não se associassem a uma emissora de TV perderiam fôlego ao longo do tempo. Com a TV Gazeta e suas afiliadas no interior, a Rede Gazeta logo se consolidou como o maior grupo de comunicação do Espírito Santo.
O quarto momento a ser destacado na história da Rede Gazeta é a transição pacífica do comando do grupo para o filho de Cariê, Carlos Fernando Lindenberg Neto, o Café, ocorrida em 2000. É Café quem, desde então, abriu espaços ao processo de atualização constante da gestão e operação dos veículos que compõem o grupo transformando-os em uma usina de produção de informações de qualidade que são colocadas à disposição da sociedade nas mais diversas plataformas hoje disponíveis, sejam elas o papel, o rádio, a TV ou a internet.
Na história dos 90 anos da Rede Gazeta, é fácil perceber, nunca faltaram o reinvestimento no negócio, a inovação e, principalmente, o compromisso de servir aos capixabas.