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Evandro Milet

7 pragas atuais que assolam o Brasil

O populismo - de direita ou esquerda - não diz ou faz o que deve ser dito ou feito, mas o que melhor expressa o sentimento da população no momento

Publicado em 30 de Maio de 2018 às 23:49

Públicado em 

30 mai 2018 às 23:49
Evandro Milet

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Evandro Milet Evandro Milet

Os novos debatedores de política via WhatsApp têm solução pronta e rasteira para os problemas do Brasil, normalmente encerrando com a expressão definitiva: “simples assim”. Longe disso. Sem esgotar a ampla lista, propomos as sete pragas que assolam o país, sem preocupação com ordem:

1) Populismo - de direita ou esquerda. Não diz ou faz o que deve ser dito ou feito, mas o que melhor expressa o sentimento da população no momento. Vende soluções milagrosas. Apresenta salvadores da pátria, com metáforas populares ou frases contundentes, sem profundidade. Está associado ao oportunismo e à desonestidade intelectual;

2) Corporativismo - disfarça demandas de um grupo como se fosse reivindicação geral. Defende privilégios e direitos adquiridos indevidamente com uma capa de legitimidade. Gosta de subsídios, isonomias ou penduricalhos nos salários e elege representantes no Congresso para não perder nada;

3) Burocracia - já se tentou controlar essa praga, mas ela volta mais forte. Nos países desenvolvidos, vale a palavra e, se apanhado em falso, dá processo e cadeia. Aqui, até pagar imposto é complicado e a consequência é o 125º lugar em ranking internacional de ambiente de negócios;

4) Corrupção - talvez a Lava Jato e as novas legislações sobre lavagem de dinheiro, delações premiadas, prisão em 2ª instância e os acordos internacionais restringindo paraísos fiscais, reduzam o problema. Se o STF cooperar, claro;

5) Fiscalização - o que deveria ser bom virou praga. Os órgãos de fiscalização pagam ótimos salários e o pessoal bem preparado sempre inventa novas regras que travam os governos. Procuradores sozinhos param projetos importantes, funcionários são responsabilizados no CPF, têm medo de assinar qualquer coisa e solicitam intermináveis rodadas de documentos. O rabo abana o cachorro. Fiscalizar é mais importante que fazer;

6) Estatização - durante a ditadura militar, foram criadas 440 empresas estatais. Há uma ideologia nacional desenvolvimentista unindo esquerda e militares, que entende que governos são mais capazes que a iniciativa privada para fazer coisas;

7) Irresponsabilidade fiscal - todos querem redução de impostos e mais serviços e subsídios dos governos. A conta não fecha. A esquerda acha que a direita não tem coração, e a direita acha que a esquerda não tem cérebro. Como resumia Brizola: “Primeiro a gente faz a despesa necessária ao interesse coletivo e, depois, a receita.”

Outras pragas importantes ficaram de fora, como o descaso de séculos com a educação e a pulverização de partidos políticos. Mas o espaço é curto: simples assim.

*O autor é consultor, membro do Conselho de Administração do Ibef/ES

 

Evandro Milet

Evandro Milet Evandro Milet

É consultor e palestrante em Inovação e Estratégia. Neste espaço, novidades e reflexões sobre mercado de trabalho e tecnologia têm sempre destaque.

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