Não importa quem saia vitorioso das urnas no 2º turno das eleições, o cenário econômico deverá se manter nebuloso por um bom tempo e a previsão de crescimento do PIB para 2019 – de 2,5% de acordo com o último Boletim Focus – pode, assim como vem acontecendo neste ano, ser frustrada.
Até agora, os dois candidatos à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) não demonstraram clareza sobre o fio condutor da economia em seus respectivos programas de governo, tampouco em suas declarações públicas, o que reforça as dúvidas para o próximo ano.
As falas dos presidenciáveis, em alguns momentos, até indicam que eles querem mudar a realidade crítica que o país atravessa, mas as ações que vão adotar para garantir o equilíbrio fiscal, a recuperação dos empregos e do crédito e a retomada do crescimento permanecem uma incógnita. Embora ainda faltem 16 dias para a segunda etapa do processo eleitoral, os sinais dados até o momento não sugerem para uma qualificação das discussões.
Bolsonaro, por exemplo, não deve participar dos debates em veículos de comunicação, o que impede os eleitores de conhecer e entender melhor suas propostas e, consequentemente, as do seu adversário, já que o evento acaba sendo cancelado. Vale observar que a ausência do capitão já não é mais justificada pela recomendação médica, mas é citada, pelo próprio deputado, como uma questão de estratégia. A tática que em nada beneficia o eleitor.
Economistas concordam que as rasas proposições dificultam soluções mais rápidas a serem tomadas pelo vencedor das urnas quando assumir o Palácio do Planalto. A professora da Fucape Arilda Teixeira e o professor dos MBAs da FGV Robson Gonçalves afirmam que não dá para falar de perspectivas otimistas, por enquanto. Para eles, 2019 será praticamente um novo 2018.
“Continuo com o mesmo ceticismo do início deste ano. Não vejo elementos em curso que promovam o crescimento e, principalmente, de forma sustentável. Enquanto enxergar desta forma, acredito que a economia vai crescer como está crescendo agora, no ‘modo avião’, funciona mas não interage”, pondera Arilda.
Gonçalves projeta um crescimento entre 1,5% e 2% em 2019. “Estou mais pessimista do que a média do Boletim Focus. Exatamente pela fragilidade das propostas durante a campanha, o próximo governo vai ter que ganhar a confiança dos empresários e dos consumidores. Reverter essa baixa de expectativas não é algo que se consegue do dia para a noite.”
O economista destaca os pontos fracos de cada candidato. No caso petista, a crítica a Haddad é ele querer recuperar a economia a partir do estímulo ao consumo. “As nossas carências estão na infraestrutura. Dar ênfase ao consumo é mais do mesmo dos governos Lula e Dilma que, como todos estão vendo, fracassaram.”
Em relação a Bolsonaro, o professor considera que falta sintonia entre o candidato e o seu guru econômico. “Paulo Guedes é extremamente liberal e Bolsonaro provou que é mais estatista que o seu consultor gostaria. A divergência constante entre eles preocupa. Aliás, os dois casos, do PT e do PSL, geram muita incerteza.”
Por outro lado, as mudanças no parlamento podem ser uma importante mola propulsora para a agenda econômica. Mas precisam engrenar desde já. Assim como um ministro da Fazenda é essencial para direcionar o presidente, articuladores políticos têm papel importantíssimo na condução e no estímulo ao debate de temas-chaves, como a reforma da Previdência. “Até agora não estou vendo despontar quem vai ser o articulador de cada lado”, chama a atenção Gonçalves.
Outro alerta vem da economista Arilda Teixeira, que mesmo reconhecendo o atoleiro de lama em que o país se afundou, comemora o fato de o Brasil ter a seu favor uma democracia forte e sólida.
Capixabas de olho em R$ 2 bilhões em negócios
As empresas capixabas estão tentando conseguir algumas das compras bilionárias contratadas todo o ano pela Transpetro, subsidiária da Petrobras. A companhia demanda anualmente R$ 2 bilhões em produtos e serviços em todo o país, mas a participação de fornecedores locais ainda é ínfima. O coordenador do Fórum Capixaba de Petróleo e Gás, Durval Vieira, diz que na última quarta-feira o fórum promoveu um encontro entre a Transpetro e cerca de 50 empresas para aproximar e tentar emplacar o Estado. “É um mercado potencial imenso e desconhecido pela maioria das empresas daqui. A Transpetro apresentou os caminhos e acredito que quem for competente vai aproveitar muito bem essa oportunidade.”