Esgoto 100% tratado já virou história de faz de conta após tantas promessas não cumpridas no Estado. Em Vitória, o mais novo prazo dado para a universalização é de 10 anos. Mesmo assim, sem garantias de que será implementado e finalizado nesse período, pois não há cronogramas nem valores divulgados. Apenas uma carta de intenções, com a possibilidade de assinatura de um contrato de concessão entre a prefeitura e a Cesan. Não há previsão nem sequer de quando esse compromisso será firmado. De concreto, mesmo, não há nada.
Não fosse o histórico de insucessos, as negociações poderiam estar acompanhadas de mais otimismo. Em 2006, a universalização do tratamento de esgoto na Capital já havia sido prometida para dali a dois anos. Doze anos se passaram e estamos aqui, com pelo menos mais dez anos pela frente. Ou seja, na melhor das hipóteses, um atraso de duas décadas! Não deveríamos esperar tanto por obras urbanas tão essenciais. Saneamento é sustentabilidade, é saúde, é responsabilidade social.
Desde os anos 90, a maior parte dos investimentos em esgotamento sanitário no Estado foram direcionados para a Grande Vitória. O tema é uma preocupação constante deste jornal: em 2015, reportagem de Natália Bourguignon mostrava que em mais de duas décadas mais de R$ 2 bilhões haviam sido gastos nos três programas para despoluir e sanear os rios estaduais. O primeiro, o Prodespol, lançado em 1993, foi marcado por irregularidades. Nos anos 2000 virou Prodesan, depois Águas Limpas... nenhum conseguiu cumprir efetivamente o que prometia.
As articulações precisam sair do papel, superando inclusive rivalidades políticas, em prol dos interesses coletivos. A consolidação de parcerias público-privadas é um caminho para deslanchar esse projeto tão relevante não só para a Capital. Precisamos de menos promessas e mais empenho.