Aparalisação dos caminhoneiros deve muito do seu êxito ao fato de o país ser historicamente dependente do transporte rodoviário. Desde que Juscelino Kubitschek investiu na abertura de estradas, nada foi feito para diversificar os modais logísticos ao longo de mais de meio século que se seguiu. Não houve avanços consideráveis na infraestrutura que reduzissem essa carência. Não é de se admirar, portanto, que a greve da categoria tenha parado o país.
Dados do Instituto Ilos mostram que os caminhões são responsáveis por 64% de toda carga transportada no Brasil. Outros 19% são movimentados por ferrovias, e 11% pelas hidrovias. Como se vê, não há equilíbrio, com uma concentração prejudicial em um único setor. Uma comparação com outro país de extensão continental como o Brasil mostra como estamos na contramão: os Estados Unidos desde os anos 80 impulsionaram a ampliação de sua infraestrutura de transporte. Por lá, apenas um terço de sua produção circula pelas estradas. Uma diversificação que se reflete positivamente no seu PIB.
No Brasil, planejamentos estratégicos até existiram, mas nunca ganharam a estrada. Principalmente planos que levassem em conta o volume de cargas e as distâncias a serem percorridas. O Espírito Santo mesmo vê circular por suas rodovias toneladas e mais toneladas de rochas ornamentais, um perigo comprovado pelos graves acidentes envolvendo veículos que transportam a carga. Não haveria forma mais adequada e segura para esse tipo de movimentação?
O Brasil precisa ser mais competitivo, e isso passa pela infraestrutura de transporte. O domínio do modal rodoviário - que além de tudo é precário, com estradas ruins e malconservadas - é um obstáculo para o desenvolvimento pleno. E, como se viu, pode fazer um governo - principalmente os mais fracos - refém.