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Marcos Lopes

Um novo país só é possível com investimento em infraestrutura

Sem investimentos, a produção não escoa, empresas não chegam e projetos de desenvolvimento não saem do papel

Publicado em 28 de Dezembro de 2018 às 22:51

Públicado em 

28 dez 2018 às 22:51

Colunista

Marcos Lopes*
O próximo presidente do país terá um grande desafio: tirar o Brasil de uma das mais graves crises que atravessamos e que atinge, além da esfera econômica, as esferas política e institucional. Conciliar um país polarizado será uma missão difícil, que exigirá muita capacidade de negociação e bom senso de nossos governantes.
No campo econômico, um dos caminhos para a nossa recuperação passa por novos e significativos investimentos em infraestrutura. Sem ela se torna impossível escoar o que é produzido no Brasil, além de afastar investidores de fora que possam se interessar em fazer negócio por aqui.
Atrair o investidor privado é fundamental para o desenvolvimento do país. A responsabilidade pelo desenvolvimento não pode ficar todo nas mãos do poder público, muito embora ele tenha papel primordial neste processo.
Aos governos, cabe o papel de regulamentar as atividades, com regras claras e que tornem o desenvolvimento de novos projetos possível, sem estagnar o empresário, mas também sem brechas que possibilitem a costura de negócios espúrios.
Para isso, é preciso que as instituições sejam fortalecidas, com pessoas tecnicamente capazes no comando, mas que também saibam fazer a boa política, aquela que sabe negociar em defesa dos interesses de sua população. Deixando interesses pessoais, ou de um grupo específico, para trás.
Um exemplo do quanto as obras para melhorias na área de infraestrutura do país como um todo precisam ser destravadas, são os projetos que já estão prontos, com estudos técnicos concluídos, projetos de lei encaminhados ao Congresso ou obras interrompidas. Juntos, eles somam R$ 87,46 bilhões em investimentos, segundo estimativas de analistas. Para serem tocados, será preciso o aval e a vontade política do próximo governo.
São obras de ferrovias, aeroportos e estradas, entre outras, que estão travadas por erros técnicos e de governança, que levaram a problemas que paralisaram as obras e os investimentos.
É preciso pensar o Brasil de forma ampla. Uma região não pode ter boa infraestrutura, enquanto outra mal tem estradas de chão esburacadas para sua produção ser escoada. E de nada adianta aumentar e destravar a produção interna sem portos para o escoamento mundial. Desperdiçamos um grande potencial de desenvolvimento com a falta de ação nesses casos. É hora de resgatar o tempo perdido.
*O autor é gerente executivo do Sindicado dos Operadores Portuários do ES (Sindiopes)

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