Vinícius Valfré | Interino
Paradoxalmente, uma inspiração do Partido Novo, agremiação profundamente liberal, vem do Partido dos Trabalhadores. Os membros do Novo citam estudo elaborado entre 2016 e 2017 pela Perseu Abramo, a fundação de formação política do PT, com ex-eleitores petistas na periferia de São Paulo. Uma das conclusões do levantamento foi a de que esse grupo vê o Estado como “inimigo”, uma estrutura exagerada que cobra impostos excessivos, sufoca com sua burocracia e não devolve serviços com qualidade mínima.
“Para os entrevistados, o principal confronto existente na sociedade não é entre ricos e pobres, entre capital e trabalho, entre corporações e trabalhadores. O grande confronto se dá entre Estado e cidadãos, entre a sociedade e seus governantes”, destaca o estudo petista.
Com esses dados em consideração, o Novo se diz convencido de que há terreno fértil para suas ideias naquele Brasil que anda de ônibus, não come na Enseada do Suá, não opera no mercado financeiro e não usa camisetas que custam meio salário mínimo.
Reconheçamos: é da legenda de João Amoêdo e Gustavo Franco que se podem extrair alguns dos poucos exemplos recentes de inovação em rotinas partidárias. Concorde-se ou não com a ideologia. O Novo, por exemplo, faz processo seletivo para escolher seus candidatos, não usa o Fundo Partidário e não permite que os dirigentes disputem eleições, a não ser que abram mão do comando.
O Novo, porém, mesmo a partir de alguma inovação e munido de dados que indicam a estafa dos mais pobres com o inchaço do Estado, parece muito descolado de um Brasil de carne e osso. Uma grossa fatia dos eleitores é formada por brasileiros que pouco conhecem seus direitos, que troca o voto por migalhas simplesmente por não conhecer outra maneira de conseguir.
A coluna perguntou, na segunda-feira(25), ao respeitável formulador do partido, Gustavo Franco, como transpor a teoria do liberalismo que o Novo tanto domina para a necessidade básica e imediata daqueles excluídos do desenvolvimento. A resposta é frustrante:
“Uma das virtudes do processo seletivo do partido foi trazer gente que sabe fazer alguma coisa muito importante e prática na sua área de atuação. São essas as pessoas que estou me esforçando para o máximo possível fazê-las escrever para colocar no site da fundação e democratizar esse tipo de experiência”, disse.
Parece muito pouco. E é. Falta expertise para conversar com uma multidão de desamparados. Por mais que o diagnóstico da Fundação Perseu Abramo seja preciso, é pouco provável que o Brasil opte por um caminho novo até demais.
Otimismo de sobra
Apesar de Rose de Freitas ser a municipalista, governistas apostam em altíssima adesão de prefeitos à reeleição de Paulo Hartung (MDB). Alguns “planilheiros” do Palácio estão contando com 60 dos 78.
A mesma cartilha
Ricardo Ferraço está em dia com a leitura da cartilha de Paulo Hartung. Em discurso ontem no Palácio, o senador usou palavras e expressões preferidas pelo governador: “temos que abrir a janela”, “olhar o Brasil”, “quando não cuidamos das contas, não cuidamos das pessoas”. Depois, Hartung usou números que haviam sido citados pelo aliado.
Fica a dica, prefeito
De Ferraço para Gilson Daniel, o aliadíssimo de Rose de Freitas, no anúncio de investimento em Viana. “É importante ter gratidão com quem ajuda a gente. Santo Agostinho ensina que quem não é capaz de ter gratidão não é capaz de ter nenhuma outra virtude.” Estariam os palacianos já pensando em um segundo turno entre Hartung e Casagrande?
Prestação de quê?
Tem foto grande, tem anúncio de pré-candidatura à reeleição, tem #tamojunto, tem a quantidade de investimentos que ele fez em cada município (oi?) e estava guardado na presidência da Assembleia. Parece material de promoção pessoal de Erick Musso, mas são só os informativos de prestação de contas.
Apoio moral
André Garcia saiu do governo, mas o governo não sai dele. No lançamento de edital do Águas e Paisagens, lá estava o ex-secretário, na cadeira da frente, pertinho do atual secretariado.
*Vinícius Valfré (Interino)