Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

  • Início
  • Traz a bússola porque estamos sem rumo
Paulo Bonates

Traz a bússola porque estamos sem rumo

As atuais passeatas e suas 300 tendências carecem antes de tudo de bússola. Possuem uma incomensurável habilidade de encher o saco dos outros e piorar o trânsito

Publicado em 26 de Julho de 2018 às 16:43

Públicado em 

26 jul 2018 às 16:43
Paulo Bonates

Colunista

Paulo Bonates

Inteligência há. Por mais abandonado que esteja, cada exemplar do povo brasileiro sabe, pensa e imagina o que está acontecendo - está sim senhora! - neste país que Pedro Álvares Cabral invadiu sem cerimônia. A coisa foi tratada como se fosse “descobrimento”, mesmo que os canhões estivessem à vista e apontados para um povo mais do que civilizado, os índios.
Matar e levar as riquezas para Portugal. Daí em diante outras barbáries viriam. O mundo sempre soube muito bem a quem pertence este rincão e a farsa toma lugar da verdade. Mesmo os mais miseráveis e indefesos sabem quais são seus direitos e o que é justo. E se defendem como podem. Mas não são proprietários sequer das covas.
Isto é, o pensamento vai até a palavra e esta deveria gerar organização. Sair do pensar para o fazer. Onde estão as organizações que estavam bem aqui? A maioria aderiu ao dinheiro e à safadeza, como Zé Dirceu. Onde foram parar as discussões promovidas pela União Nacional de Estudantes que gerava na população um importante grau de consciência, que já existia no pensamento.
A maioria dos diretórios e grêmios estudantis está mais preocupado com as benesses esfareladas nas suas “boquinhas” do que em um projeto político, qualquer que seja
Lev Vygotsky – não, rapaziada alienada desta nação! Não se trata do goleiro da seleção bielorussa – escreveu certa vez: “Esqueci a palavra que queria dizer, e a palavra sem corpo regressa ao palácio das sombras”. As atuais passeatas e suas 300 tendências carecem antes de tudo de uma bússola. Possuem sim uma incomensurável habilidade de encher o saco uns dos outros, e piorar o trânsito.
A maioria dos diretórios e grêmios estudantis está mais preocupado com as benesses esfareladas nas suas “boquinhas” do que em um projeto político, qualquer que seja. E os temas filosóficos que dão rumo à humanidade deveriam ultrapassar as discussões sem sentido.
Citei acima Vygotsky. Nasceu em 1896. Aprendeu alemão com Cecília Moseevna, sua mãe, teve um orientador socrático, estudou Medicina e Direito. Aos 19 anos, escreveu um ensaio sobre “Hamlet”. Depois seria graduado em línguas e Literatura Russa. Ministrou cursos de Psicologia e Lógica, História da Arte e Ética. Nesse tempo, leu Spinoza, Hegel, Marx, Freud, Pavlov. Participou em 1924, em Leningrado, de seminários, onde apresentou o “Método de Investigação Reflexológica e Psicológica”. Participou da reconstrução da Universidade de Moscou.
Ou seja, era um nerd, o cara. Poderia ter ido à Woodstock.
*O autor é médico psiquiatra, psicanalista e jornalista
 

Paulo Bonates

É médico, psiquiatra, psicanalista, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo. E derradeiro torcedor do América do Rio.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Esqueça as promessas de Ano Novo: você pode 'recomeçar' a vida a qualquer momento e mudar seus hábitos de vez
Pastor João Messa dos Santos morre aos 74 anos
Pastor João Messa morre após infarto em igreja de Sooretama
Imagem de destaque
A ascensão de Bellingham: feitos do 'maestro' da Inglaterra na Copa podem torná-lo uma lenda do futebol?

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados