
Ernesto Mosaner Junior*
Há dois séculos e pouco, o Sr. Joaquim José da Silva Xavier foi enforcado, esquartejado, e seu corpo dilacerado espalhado por diversos cantos, isso tudo por ter ousado participar de um movimento questionando o “Quinto” (daí a expressão “quinto dos infernos”), que correspondia a um imposto de 20% exigido pela Coroa, por ser considerado muito alto. Pois bem, hoje pagamos em geral quase o dobro daquele valor questionado; no caso específico dos combustíveis, pagamos em torno do triplo daquele valor.
Nossos irmãos caminhoneiros, após várias tentativas de negociar, ignorados por um governo que, embora legal, não tem apoio da sociedade, resolveram se manifestar de forma contundente contra esses impostos abusivos, já que ninguém mais teve iniciativa, e por que não dizer, coragem de fazê-lo. É um governo fraco cujo foco principal é negociar com o Congresso sua permanência trepado no poder, não tendo condições políticas de fazer uma Reforma da Previdência, uma Reforma Tributária, Política, por sua incompetência.
Reformas estas essenciais para o ajuste fiscal de um Brasil que vem sendo espoliado, roubado, nos últimos dez, doze anos, por políticos e apaniguados desonestos e sem nenhuma noção de patriotismo, quase destruindo a maior empresa brasileira devido à sangria de seus recursos para fins inomináveis e escusos.
É evidente que todos nós sofremos a consequência da greve, corta nosso coração ver o descarte do leite, de animais fornecedores de proteína para nossa sobrevivência morrendo à míngua e sendo sacrificados, perdas nas indústrias, no comércio, na agricultura, enfim, perdas da sociedade brasileira em geral, por ausência de um governo, digno desse nome, e de políticos somente interessados nas próximas eleições e nos seus benefícios.
Ficamos estarrecidos quando o presidente de plantão diz que se der subsídios para os combustíveis terá que compensar em outras contas. Sua obrigação seria reduzir, drasticamente, as despesas deste “dinossauro paraplégico” em que se transformou a máquina governamental, que só caminha, celeremente, para se transformar em um “dinossauro tetraplégico”. Em curto espaço de tempo, fatalmente sucumbirá, destruindo nosso país e nossos sonhos.
Reduza os benefícios e penduricalhos das classes altamente protegidas, reduza os valores para os fundos partidários, reduza o número, excessivo, de parlamentares nos três níveis de governo, acabando com as regalias e o enorme número de “servidores” desses parlamentares. Vamos viabilizar nosso querido Brasil. Sejamos todos caminhoneiros, sejamos todos brasileiros, vamos à luta pelo futuro de nossa pátria. Vamos liquidar a corrupção e os benefícios dos apaniguados.
*O autor é engenheiro e membro do Conselho Deliberativo do ES em Ação