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Vitor Vogas

Segue o baile no governo PH

No mesmo dia em que Barroso chamou Gilmar de "pessoa horrível", a prefeita de Montanha, Iracy Baltar, derreteu-se para Roberto Carneiro: "Você é bom. Sabe o que é bom, Roberto? É o que você é".

Publicado em 23 de Março de 2018 às 21:34

Públicado em 

23 mar 2018 às 21:34
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Crédito: Amarildo
Na amena tarde da última quarta-feira (21), o pátio da sede da Secretaria de Estado de Esportes (Sesport), em Bento Ferreira, foi palco de uma solenidade igualmente amena: distribuição de uniformes para as mais de 60 equipes que participarão do Campeonato Rural de Futebol organizado pela pasta.
Pauta leve, positiva para o governo. Impossível, contudo, deixar de recordar outro tema nem tão leve nem tão positivo: naquela mesma tarde, a Operação Voto Livre completou exatamente uma semana desde que foi deflagrada pela Polícia Federal, que cumpriu mandados de busca ali mesmo, nas dependências da secretaria. Só para lembrar: a operação investiga a divulgação de uma pesquisa eleitoral não registrada no TRE (o que é proibido), e o caso está sendo tratado oficialmente pela PF como exemplo de produção e difusão de fake news. O conteúdo foi publicado por um assessor comissionado da Sesport, já exonerado.
Nenhuma palavra foi dita sobre o tema. Indagado pela coluna se gostaria de se manifestar (na terceira e derradeira tentativa, dessa vez pessoalmente), o secretário estadual de Esportes, Roberto Carneiro (PRB), preferiu manter a postura de não dar declarações sobre o tema. Reiterou que seu posicionamento é o do governo, já externado pela secretária de Comunicação, Andréia Lopes. Bem, o posicionamento oficial nós já sabemos: que o governo não compactua com tais práticas e que apoia as investigações.
Respeitamos, porém discordamos da opção de Carneiro por silenciar sobre o assunto. Seria muito bom para a sociedade que ele, como secretário responsável pela pasta que foi alvo da operação policial, viesse a público dar maiores esclarecimentos e responder a perguntas ainda sem resposta. Entre elas, quem indicou o assessor?
O mesmo já foi exonerado. E, para o governo, é caso arquivado, pelo menos até que surja fato novo. Enquanto isso, segue o baile. Aliás, literalmente.
Conforme já percorreu o Estado, após a solenidade a banda do Exército executou um repertório animado e dançante, incluindo “Para bailar la bamba” e “Twist and shout”. Foi o bastante para fazer o governador Paulo Hartung (PMDB) começar a balançar o esqueleto. A princípio, sozinho. Mas logo se juntaram a ele alguns aliados que dançam conforme os passos do governador. Desenvolto na pista, o prefeito de Colatina, Sérgio Meneguelli (PMDB), praticamente roubou a cena. Mas, do ponto de vista político, os destaques foram três outros membros do corpo de baile de Hartung.
Se ele dança, eu danço
Hartung chamou, e eles foram. De um lado, Nunes (PT); do outro, Zé Esmeraldo (PMDB). Sem molejo, os dois deputados ficaram paradões feito varapaus. Mas a simbologia é grande. Nunes é praticamente um símbolo de o quanto, na gestão de João Coser (tendo no deputado um forte aliado), o PT manteve-se atrelado ao governo Paulo Hartung e de como perdeu voz e força política, sobretudo na Assembleia. Ali, o partido tem dois parlamentares. Padre Honório fica praticamente neutro, mas ainda arrisca um discurso aqui e ali. Nunes, por sua vez, mal abre a boca. E dança conforme dita o Palácio. É a decadência do PT...
Já Zé Esmeraldo, embora da base, andou chacoalhando não o esqueleto, mas a estabilidade da base governista. Da tribuna, denunciou “esquema” na Secretaria de Agricultura que o estaria prejudicando na “partilha” de 100 antenas de telefonia pelo interior entre os deputados. Ou seja: sua cota estaria menor que a de colegas. No evento da Sesport, discursou e foi prestigiado, num claro afago para “trazer de volta” o explosivo deputado.
Por fim, Enivaldo dos Anjos (PSD). Mais governista do que nunca, está tão à vontade à sombra de PH que chegou a arriscar alguns passos de twist à moda country do Noroeste capixaba.
Segue o baile.
 
Entre a PM e o Palácio
Como definiu um grande aliado dele próprio, o deputado estadual Amaro Neto, ao decidir trocar o Solidariedade pelo PRB, fez uma escolha: não podia ficar em um partido que estava recebendo líderes do movimento da greve da PMES e ao mesmo tempo querer contar com pleno apoio do governo Paulo Hartung. Optou por manter a proximidade com o governo (o PRB é um dos partidos da base de Hartung).
“Sapecado!”
Enquanto conduzia essa transição de siglas, Amaro teve o cuidado de afirmar à coluna que mantinha bom relacionamento com os policiais e que a mudança devia-se a uma questão de estratégia política. O problema é que, nesta semana, esse “bom relacionamento” alegado pelo deputado ficou seriamente comprometido (ou já não era tão bom). Isso por causa das manifestações de repúdio em série ao deputado por parte de líderes da PMES, incluindo o comandante-geral, Coronel Nylton, devido à maneira como se referiu ao soldado Mello, baleado na cabeça.
“Sai, pecado!”
No PRB, em vez do apoio dos policiais, Amaro poderá investir no voto evangélico (o partido tem capilaridade na Igreja Universal). Ou seja, trocar a bala pela Bíblia. A grande dúvida é se é mesmo bom negócio para o deputado investir nesse filão religioso, que não é bem a dele. Tem aliado opinando que não, pois assim ele trombaria com Magno, maioral junto a esse segmento. E assim, se acotovelando, os dois poderiam morrer na praia e dar um abraço dos afogados no Rio Jordão.
Rede quer Carlos Von
Saindo do PSDB, o subsecretário de Turismo de Vila Velha, Carlos Von, foi convidado para se filiar à Rede.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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