Publicado em 20 de março de 2026 às 15:14
A chegada do outono, em 20 de março, acende alerta para um período de mais vulnerabilidade para os idosos. A mudança de estação, marcada pelo equinócio, traz temperaturas mais baixas, ar seco e mais circulação de vírus respiratórios, combinação que favorece o aumento de infecções e a descompensação de quadros clínicos já existentes. >
“As mudanças naturais do envelhecimento impactam diretamente o funcionamento do sistema imunológico, reduzindo a capacidade de defesa do organismo. Esse processo torna a pessoa idosa mais suscetível a infecções respiratórias e quadros alérgicos e à ação de microrganismos como bactérias. A presença de doenças crônicas, como diabetes e outras condições sistêmicas, também pode agravar ainda mais essa vulnerabilidade”, explica o geriatra Felipe Vecchi, diretor médico e operacional dos residenciais Cora e Vivace, da BSL Saúde. >
Além do impacto climático, o período é historicamente associado ao aumento de doenças respiratórias como gripe, resfriado, sinusite, rinite, Covid-19, asma, bronquite e pneumonia. Os casos graves de infecções respiratórias no Brasil, classificados como Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), seguem em trajetória de alta, segundo o Boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Praticamente todo o país apresenta tendência de crescimento, com exceção de Tocantins, que não registrou aumento no período analisado (de 1 a 7 de março — Semana Epidemiológica 9). >
De acordo com o levantamento, esse avanço está diretamente relacionado ao aumento das internações provocadas por vírus respiratórios, principalmente o rinovírus, o vírus sincicial respiratório (VSR) e a influenza A, responsável pela gripe. >
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Entre os casos com confirmação laboratorial, o rinovírus aparece como o principal agente, representando 40,8% das ocorrências. Em seguida, estão influenza A (20,8%), Sars-CoV-2 (15,8%) e VSR (13,5%). A análise das quatro semanas epidemiológicas mais recentes mostra que o rinovírus segue predominante, com 45,6% dos casos positivos. Na sequência aparecem a influenza A (23,1%), o VSR (14%), o Sars-CoV-2 (12,5%) e a influenza B (1,2%). >
A explicação para a preocupação com o outono está no comportamento ambiental e fisiológico. Com o frio, as pessoas tendem a permanecer em ambientes fechados e pouco ventilados, favorecendo a circulação de vírus, fungos e ácaros. Ao mesmo tempo, o ar seco compromete as mucosas do sistema respiratório, reduzindo a capacidade de defesa do organismo. >
“Essa combinação cria um cenário propício para o agravamento de doenças respiratórias e também de condições crônicas. No idoso, esse impacto é ainda mais significativo, porque o organismo já responde de forma diferente às variações ambientais”, explica o geriatra. >
Além das doenças respiratórias, o outono também pode agravar quadros alérgicos e virais, como conjuntivite, e aumentar riscos cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC), já que o frio pode provocar vasoconstrição e exigir mais esforço do sistema circulatório. >
Os sinais mais comuns de problemas respiratórios em idosos incluem: >
“Em idosos, sinais como sonolência excessiva, confusão mental e prostração podem indicar uma infecção em curso. São manifestações muitas vezes sutis, mas bastante características nessa faixa etária. Diante desses sintomas, a recomendação é buscar avaliação médica o quanto antes”, explica Felipe Vecchi. >
Felipe Vecchi destaca cinco medidas essenciais para reduzir riscos e manter a saúde respiratória dos idosos durante a estação: >
“Em um país que envelhece rapidamente, o cuidado com a saúde durante as mudanças de estação deixa de ser apenas uma recomendação pontual e passa a ser uma estratégia essencial para garantir qualidade de vida. No outono, mais do que nunca, prevenir é cuidar e cuidar é antecipar riscos”, finaliza o especialista. >
Por Andressa Marques >
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