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Vitor Vogas

Secretário de Segurança: grandes poderes, grandes responsabilidades

Roberto Sá não pode deixar o Espírito Santo perder fôlego na redução de homicídios. Ele assumiu compromissos com o diálogo, a dignidade dos policiais, o respeito às leis e o fortalecimento da inteligência

Publicado em 13 de Novembro de 2018 às 23:13

Públicado em 

13 nov 2018 às 23:13
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Praça Oito - 14/11/2018 Crédito: Amarildo
Como ensina o mestre dos quadrinhos Stan Lee, falecido anteontem, “grandes poderes trazem grandes responsabilidades”. Eis a lição maior transmitida pelo Tio Ben a seu sobrinho Peter Paker, o rosto por trás da máscara do Homem-Aranha. Secretário da Segurança do Rio do fim de 2016 a fevereiro deste ano, com o início da intervenção federal, o delegado federal Roberto Sá assumirá grandes poderes como comandante da pasta equivalente no Espírito Santo a partir do ano que vem – a escolha foi anunciada ontem por Renato Casagrande (PSB). Esses poderes serão acompanhados de enormes responsabilidades.
A primeira e maior delas é não deixar o Estado perder o fôlego, com a mudança de governos, no trabalho de redução dos índices de homicídios dolosos, iniciado no fim do mandato anterior de Paulo Hartung (2007-2010), continuado no primeiro governo Casagrande (2011-2014) e mantido no atual governo de Hartung (2015-2018). (Detalhe: dois governadores de centro-esquerda.)
Em 2009, o Espírito Santo atingiu o vergonhoso pico de 58,3 assassinatos por grupo de 100 mil habitantes. Desde então, à parte 2017 – ano atípico por causa da greve da PMES –, o Estado registrou um índice gradativamente menor, ano após ano. Hoje, a projeção é fechar 2018 com menos da metade daquele índice: 28,1 homicídios por 100 mil habitantes.
Essa é uma conquista dos capixabas, que independe de quem está no governo. Seja por meio do Estado Presente, seja com o Ocupação Social, a curva tem mantido um consistente ritmo decrescente. E não se poderá admitir que volte a embicar para cima. Além disso, verdade seja dita: mesmo com a crise gravíssima da segurança no ano passado, o governo Paulo Hartung fez a sua parte na área: pegou o Estado com 39,4 homicídios dolosos por 100 mil habitantes em 2014 e o deixará com menos de 30. Pressão sobre o próximo secretário, que assumirá com a missão de manter a queda. Como ex-instrutor do BOPE, ele sabe que missão dada tem que ser missão cumprida.
Para isso, o ex-tenente-coronel da Polícia Militar do Rio se comprometeu, de imediato, com algumas prioridades: otimização dos recursos (os quais, ele admite, são escassos); ação mais integrada entre a Polícia Civil e a Polícia Militar e destas com a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e a Polícia Federal, cujo atual superintendente no Espírito Santo, Jairo de Souza da Silva, é amigo de Sá. “Temos que falar a mesma linguagem e ter o mesmo propósito. Se fizermos isso, a sociedade vai ver mais polícia, embora não haja mais policiais. É a polícia no lugar certo na hora certa. Sempre.”
Outra “grande responsabilidade” assumida por Sá é a de fortalecer o trabalho de inteligência das polícias. “A área de inteligência necessariamente vai ser potencializada. A inteligência vai ser um carro-chefe da nossa secretaria.”
Na primeira entrevista, o futuro secretário também assumiu a responsabilidade de garantir a dignidade dos policiais, o que não necessariamente significa reajuste salarial (“Não depende de mim”), mas priorizar o diálogo com as tropas, até mesmo, pontua ele, a fim de evitar a repetição de uma situação como a paralisação dos PMs em fevereiro de 2017 – um movimento não respaldado pela Constituição, mas atribuído por muitos à falta de diálogo do atual governo com a base da categoria.
Situação que, diga-se de passagem, ele também enfrentou no Rio, como secretário, quando o movimento se espalhou para o Estado vizinho – segundo ele, num “efeito cascata”. “A gente vai ter muito diálogo. Um homem de operações especiais analisa o cenário, faz análise de risco, dialoga, para tomar as decisões de acordo com a evolução do próprio cenário.”
Em tempo: o Tio Ben, com quem abrimos esta coluna, morreu baleado por um bandido. Lee chegou aos 95 anos.
Respeito à Constituição
A última grande responsabilidade assumida por Sá é a de combater o crime dentro dos limites estabelecidos pela Constituição, e não à margem da lei. Ou seja, respeitando o Estado Democrático de Direito e a legislação vigente, e não reinterpretando-a e alargando-a a seu bel-prazer, como têm feito Wilson Witzel (PSC), em seu Estado de origem, e outros governantes eleitos em outubro.
De integrar ele entende
De 2007 a outubro de 2016, Sá foi por quase uma década o subsecretário de Planejamento e Integração Operacional do Estado do Rio de Janeiro, sob o comando de José Mariano Beltrame. Como secretário de Segurança daquele Estado, comandou cerca de 60 mil homens.
Nem Rambo...
Roberto Sá garante conhecer “cada beco de cada favela do Rio”. Aqui no Espírito Santo, ele ainda tem muito a conhecer sobre a realidade local. Mas não pretende fazer isso in loco, metendo um colete a prova de balas e indo a campo para monitorar de perto as operações.
Nem herói da Marvel...
Em vez da fantasia de algum justiceiro da Marvel ou DC Comics, Sá afirma que seu figurino hoje é o de gestor. “Hoje eu sou um gestor. Na administração pública, se você sai do seu papel para fazer o papel do outro, você anula quem tinha que fazer o próprio e deixa de fazer o seu. Então hoje eu tenho mais que estabelecer estratégias, cobrar, monitorar e, se precisar, estar junto, do que efetivamente fazer o papel do policial da ponta. Hoje o meu papel é o de um estrategista, para fazer com que as coisas aconteçam. Porque, se eu deixar de pensar para executar, quem vai pensar?”
UPPs no Espírito Santo?
Não. A princípio, não.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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