A menopausa é marcada pelo fim da menstruação e da capacidade reprodutiva. Esse período é acompanhado por mudanças hormonais, especialmente pela queda na produção de estrogênio e progesterona, o que pode causar sintomas como ondas de calor, insônia, alterações de humor e diminuição da densidade óssea.
Embora possa trazer desafios, a menopausa pode ser vivida com qualidade por meio de hábitos saudáveis, acompanhamento médico e, em alguns casos, terapias hormonais ou alternativas naturais para aliviar os sintomas. O uso das plantas medicinais é aceito há tempos em diferentes culturas para ajudar a tratar e prevenir doenças e desequilíbrios. Para a menopausa , algumas tornaram-se, ao longo dos séculos, uma base importante de apoio das mulheres.
Para ajudar nessa busca por melhorias no estado físico, mental e emocional, a Dra. Helena Campiglia, médica especialista em medicina integrativa e saúde da mulher, lista 6 plantas nesse período de instabilidade hormonal. Confira!
1. Amora (Morus nigra)
A folha da amora , amplamente encontrada no Brasil, é uma aliada no tratamento da menopausa. Rica em fitoestrógenos, a amora auxilia na redução das ondas de calor, além de contribuir para a melhora da memória e da qualidade do sono. Pode ser consumida na forma de tintura ou chá, preparado com a infusão de suas folhas.
2. Dong quai (Angelica sinensis)
Conhecida como “ginseng feminino”, o dong quai é uma das plantas mais tradicionais da medicina chinesa. Tonifica o sangue, regula a menstruação e auxilia no alívio da fadiga e dos fogachos da menopausa. Estudos sugerem que sua combinação com outras ervas pode reduzir a frequência e intensidade dos sintomas vasomotores. Entretanto, é importante ter cautela, pois pode aumentar o fluxo menstrual e interagir com anticoagulantes.
3. Maca peruana (Lepidium peruvianum)
Essa raiz, tradicional dos Andes, é valorizada por seus potenciais efeitos afrodisíacos e energéticos. Alguns estudos indicam benefícios para o humor em mulheres na pós-menopausa, mas ainda são necessárias mais evidências científicas. Não há relatos de efeitos adversos ou interações medicamentosas.
4. Vitex (Vitex agnus-castus)
Amplamente utilizado para tratar sintomas da TPM (tensão pré-menstrual), infertilidade e ovários policísticos, o vitex também pode auxiliar no alívio da ansiedade, dos fogachos e do sangramento irregular no período de transição menopausal.
5. Cimicífuga (Actaea racemosa)
Planta com propriedades anti-inflamatórias e sedativas, a cimicífuga é usada para aliviar cólicas menstruais, tensão pré-menstrual e calores da menopausa. Estudos indicam que pode ser uma alternativa segura para mulheres com histórico de câncer de mama , pois não apresenta atividade estrogênica. No entanto, pacientes com problemas hepáticos devem ter cautela, já que algumas formulações podem afetar a função do fígado.
6. Erva-de-são-joão (Hypericum perforatum L.)
Reconhecida por seu efeito antidepressivo, a erva-de-são-joão também tem mostrado eficácia na redução das ondas de calor em mulheres na menopausa. Estudos apontam benefícios adicionais quando combinada com cimicífuga, especialmente para tratar sintomas como insônia, fogachos e depressão.
Abordagens naturais para a saúde da mulher
Em “Medicina Integrativa & Saúde da Mulher”, seu terceiro livro, a Dra. Helena Campiglia traz abordagens e soluções mais sustentáveis e menos invasivas por meio de terapias complementares como nutrição , estilo de vida, suplementação, acupuntura, meditação, práticas mente-corpo, fitoterapia e técnicas de relaxamento em conjunto com a medicina convencional. Como e quando escolher e associar esses diferentes caminhos é o fio condutor dessa obra que esclarece muito sobre a saúde da mulher.
“O uso de plantas medicinais pode ser um recurso valioso para aliviar os sintomas da menopausa, mas é fundamental buscar orientação profissional para garantir um uso seguro e eficaz. O acompanhamento especializado ajuda a evitar interações medicamentosas e a adaptar o tratamento às necessidades individuais de cada mulher”, finaliza a Dra. Helena Campiglia, que também é professora da Universidade do Arizona.
Por Marcelo Boero