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Agonorexia: 6 riscos de “perder a fome” com canetas para emagrecer

Veja os impactos de uma redução extrema do apetite e quando o uso de medicamentos para emagrecimento pode se tornar um problema

Publicado em 23 de Abril de 2026 às 13:14

Portal Edicase

Publicado em 

23 abr 2026 às 13:14
A agonorexia descreve um cenário em que o paciente deixa de sentir fome (Imagem: Caroline Ruda | Shutterstock)
A agonorexia descreve um cenário em que o paciente deixa de sentir fome Crédito: Imagem: Caroline Ruda | Shutterstock
Um novo termo começou a ganhar espaço nas redes sociais e nos consultórios médicos em 2026: agonorexia. Embora ainda não faça parte da literatura científica, a expressão já acende alerta entre especialistas. O conceito descreve uma supressão excessiva do apetite associada ao uso de medicamentos utilizados para emagrecimento, os chamados análogos de GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro.
Esses remédios são eficazes e têm benefícios comprovados, mas o uso inadequado pode trazer efeitos indesejados. “A redução do apetite é esperada durante o tratamento, mas a ausência completa de fome não é um objetivo terapêutico e deve ser vista como um sinal de alerta”, explica Ramon Marcelino, endocrinologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP) e especialista em medicina do estilo de vida e obesidade.
Na prática, a agonorexia descreve um cenário em que o paciente deixa de sentir fome, perde o interesse por alimentos e passa a comer muito menos do que o necessário. “A fome é um mecanismo fisiológico essencial. O tratamento deve ajudar a regular esse processo, e não o eliminar completamente”, reforça o médico.

Impactos da ausência de fome na saúde

O aumento da agonorexia está ligado à popularização das “canetas”, ao uso sem acompanhamento médico e à busca por resultados rápidos. Além disso, medicamentos mais recentes têm efeito mais potente, o que exige ainda mais cuidado. “Muitos pacientes acreditam que quanto menos fome sentirem, melhor será o resultado. Mas esse pensamento aumenta os riscos do tratamento de forma desnecessária”, alerta Ramon Marcelino.
Quando o corpo passa a receber menos nutrientes do que precisa, os impactos vão além da perda de peso. Abaixo, o especialista explica os principais riscos:
  • Perda de massa muscular (sarcopenia): a restrição calórica exagerada pode levar à perda de músculo, e não apenas de gordura, comprometendo a saúde no longo prazo.
  • Redução da força (dinamopenia): com menos massa muscular, há também perda de força, impactando a funcionalidade e a qualidade de vida.
  • Deficiências nutricionais: a ingestão insuficiente pode causar falta de vitaminas e minerais essenciais ao organismo.
  • Queda de cabelo: comum em casos de emagrecimento rápido e alimentação inadequada, especialmente com baixa ingestão de nutrientes.
  • Relação não saudável com a comida: pode surgir um comportamento mais rígido ou evitativo em relação à alimentação.
  • Fadiga excessiva: a baixa ingestão de energia pode causar cansaço persistente e prejudicar atividades do dia a dia.
Além da perda de peso, é importante acompanhar os demais efeitos dos medicamentos no organismo (Imagem: New Africa | Shutterstock)
Além da perda de peso, é importante acompanhar os demais efeitos dos medicamentos no organismo Crédito: Imagem: New Africa | Shutterstock

Evitando riscos à saúde

Para evitar riscos, especialistas recomendam utilizar a menor dose eficaz do medicamento, evitar ajustes por conta própria e manter acompanhamento médico regular. Garantir uma alimentação equilibrada , mesmo com menos apetite, também é essencial, assim como observar sinais de alerta ao longo do tratamento. “É fundamental olhar além da balança. Avaliar composição corporal, ingestão nutricional e sintomas faz toda a diferença para um emagrecimento saudável”, orienta o endocrinologista.
Os análogos de GLP-1 representam um avanço importante no tratamento da obesidade e do diabetes, mas exigem uso responsável. “O objetivo não é eliminar a fome, mas restabelecer uma relação mais saudável com a alimentação e com o próprio corpo”, conclui Ramon Marcelino.
Por Samara Meni

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