O uso adequado dos recursos hídricos e a ocupação do solo urbano são assuntos que voltam ao debate quando tragédias como a enchente que devastou cidades do Sul do Estado acontecem. Nessas horas, claro, a prioridade é assistir as vítimas e reconstruir equipamentos públicos e imóveis afetados, mas é preciso que se reflita: o que temos feito (ou deixado de fazer) para que esse caos periodicamente nos atinja? "As atividades que geram desenvolvimento para o Estado precisam garantir a produção da água, fundamental para todas as atividades econômicas", alerta Elio de Castro, que tem larga experiência nesse debate. O especialista, ex- presidente e atual vice-coordenador geral do Fórum Capixaba de Comitês de Bacias Hidrográficas, membro da Plenária do Comitê das bacias hidrográficas da região do Rio Benevente e conselheiro do Conselho Estadual de Recursos Hídricos, lamenta que decisões importantes não são colocadas em prática: "Não conseguimos avançar na efetivação do principal instrumento da gestão, a cobrança pelo uso dos recursos hídricos, aquele que disciplina os usos e garante o recursos a elaboração das ações de recomposição das bacias hidrográficas".