Sentado na beirada do catamarã com a água batendo na sola dos pés e vista infinita do mar, não é difícil concluir (mesmo tendo grande chance de ser injusto): o contraste entre a areia branquinha e o mar azul-turquesa hipnotizante, faz das Ilhas Maurício, na África, um dos lugares mais lindos deste planeta. Fazia cerca de 25 graus naquela manhã de terça-feira de outubro, quando navegava em alto-mar, com a água variando em tons de verde e azul conforme a luminosidade. Era dia da minha estreia no Oceano Índico.
O reggaeton no som da lancha Océane, empresa especializada em fazer passeios em alto mar, embalava os cerca de 30 turistas, a maioria europeus. O passeio pela costa leste dura o dia inteiro. Ao navegar pela Baía de Trou d'Eau Douce, na primeira parada, é possível mergulhar com snorkel entre os trechos de coral chifre-de-veado e peixes minúsculos. De volta a embarcação, parte da tripulação cuida do almoço feito na churrasqueira: peixe fresco grelhado, acompanhado de salada e pão.
O barco desliza suavemente em direção à cachoeira de Grande Rivière South East. Para chegar até ela, é preciso trocar o catamarã por um barco menor, que leva a essa modesta queda dágua. Ali, crianças de aldeias vizinhas dão saltos ornamentais para os visitantes. De volta ao catamarã, alguns quilômetros depois, vem a surpresa do passeio: a praia Île aux Cerfs. Ali só se chega de barco e a faixa de areia é considerada uma das mais bonitas do arquipélago. Mar raso e calmo. Atravesse a área dos vendedores e ande para direita, onde uma praia praticamente deserta estará a sua espera. Tire a canga da bolsa, estenda debaixo de uma árvore e aproveite algumas horas por ali entre um e outro mergulho.
País plural
Isolada no Oceano Índico a cerca de dois mil quilômetros a leste do continente africano e protegido do mar aberto pela terceira maior barreira de corais do mundo, as Ilhas Maurício é um país plural, que vai muito além do clichê de praias de água azul-turquesa. Na ilha visitada pela primeira vez por portugueses (em 1510), colonizada por holandeses (1598) que a batizaram em homenagem a Maurício de Nassau e ocupada por franceses (1715) e britânicos (1810), convivem cidadãos de origem indiana, africana e francesa. A mistura étnica se reflete nas ruas, um caleidoscópio a céu aberto por onde circulam hindus, muçulmanos e cristãos, falando inglês, francês e crioulo.
O país reúne todos os quesitos para ser o destino das suas próximas férias. Hotel cinco estrelas cheio de mordomias, spa dos sonhos, povo feliz, refeições de frente para a praia, vinhos sul-africanos, rum e um mar que desenha uma impressionante paleta de degradê. Não tenha dúvidas, é fácil ser feliz nas Ilhas Maurício.
*O repórter viajou a convite do The Residence Mauritius, da South African Airways e do Peermont Doreale Grande Hotel