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Ministério da Saúde

Cartilha para população trans volta ao ar sem ilustrações polêmicas

Cartilha foi revisada e modificada. Comunicado informa que foram identificadas informações "equivocadas e sem embasamento científico, além de imprecisões técnicas, editoriais"

Publicado em 30 de Janeiro de 2019 às 17:35

Publicado em 

30 jan 2019 às 17:35
Cartilha foi revisada e modificada Crédito: Ministério da Saúde/Divulgação
Depois da polêmica retirada do site, a cartilha de prevenção de infecções sexualmente transmissíveis voltada para o população trans está novamente disponível, mas com alterações. Na nova versão, foi removida a ilustração do "pump" - uma espécie de seringa invertida que é colocada no clitóris para tentar aumentar a região. Na cartilha que agora está disponível, o esquema foi substituído pela descrição da prática e um alerta sobre riscos de lesões e de infecções, além de mensagens de que não há estudos que comprovem a eficácia e a segurança do objeto.
Na nova versão, também foi retirada a ilustração de como fazer sexo oral com barreira de proteção. No documento original, um esquema mostrava como cortar o preservativo e colocá-lo na boca para evitar o contato com fluidos do parceiro. Na justificativa para a retirada, o Ministério da Saúde afirma que, embora a prática seja comum, não há regras que permitam que a pasta indique o uso alternativo dos preservativo.
A primeira edição da cartilha foi removida do site dia 2 de janeiro, seis meses depois de ser lançada. Ao Estado, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou na época que a pasta jamais poderia recomendar o uso do "pump", por causa dos riscos de infecções e traumas na região.
A decisão, porém, provocou uma série de críticas de entidades ligadas à prevenção de infecções sexualmente transmissíveis. A medida foi classificada na época como uma espécie de retrocesso na polícia de prevenção. Poucos dias depois da suspensão no site, a então diretora do Departamento de Infecções Sexualmente Transmissíveis, HIV/Aids e Hepatites Virais, Adele Benzaken, foi exonerada do cargo.
Além da cartilha revisada, foi divulgado um texto com esclarecimentos sobre as mudanças realizadas. O comunicado informa que foram identificadas informações “equivocadas e sem embasamento científico, além de imprecisões técnicas, editoriais”.
A primeira versão da cartilha também foi impressa e distribuída a serviços dirigidos à população trans em todo o País. A tiragem foi de 23,5 mil exemplares. O material começou a ser entregue em novembro. De acordo com o Ministério da Saúde, os manuais não foram recolhidos. Um comunicado foi encaminhado para os serviços locais, alertando os erros identificados. Não há previsão de que a versão atualizada seja novamente impressa para distribuição.
Além do uso do "pump", na nova edição da cartilha, agora disponível no site, foram incluídas informações sobre higienização e prevenção de infecções sexualmente transmissíveis quando são usadas próteses penianas, chamados de packers. Também foram revisados e ampliados itens do quadro sobre formas de transmissão das infecções, informações sobre hepatite D e o esquema de vacinação para hepatites A e B. Foi corrigida ainda a faixa etária recomendada para esquema de vacinação para hepatites A e B.

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