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Estudo

Alimentos ultraprocessados estão relacionados com o câncer

Para cientistas, mais pesquisas são necessárias para revelar o que está por trás dessa relação

Publicado em 15 de Fevereiro de 2018 às 14:50

Redação de A Gazeta

Publicado em 

15 fev 2018 às 14:50
Frango empanado é um alimento considerado ultraprocessado pelos pesquisadores da universidade de Sorbonne Crédito: Reprodução/Pixabay
Um estudo de pesquisadores franceses da Universidade de Sorbonne sugere que haja uma relação entre o consumo de alimentos ultraprocessados e o desenvolvimento de cânceres. Eles classificaram comidas, incluindo bolos, frango empanado (nuggets) e pães produzidos industrialmente como ultraprocessados. A pesquisa, com 105 mil participantes, aponta que quanto mais alimentos desse tipo se come, maiores os riscos de se ter a doença.
Apesar de os próprios pesquisadores recomendarem a necessidade de mais estudos para garantir essa relação, especialistas alegam que uma dieta saudável, com consumo de frutas, vegetais e fibras, é, de fato, a melhor opção a se seguir. Além do tabagismo, o sobrepeso é o principal fator de risco para a doença que pode ser prevenido.
Os resultados da pesquisa
Para realizar a pesquisa, cientistas preencheram questionários para avaliar o que os participantes comiam. Em sua maioria mulheres de meia-idade, os participantes foram acompanhadas por cinco anos. A partir disso, os resultados, publicados no jornal British Medical, apontam que, se a proporção com que se ingeria alimentos ultraprocessados aumentava em 10%, o número de casos de câncer detectados subia para 12%.
Cerca de 18% deles tinha sua dieta baseada em alimentos ultraprocessados e eram, em média, 79 casos de câncer por cada 10 mil pessoas cada ano. Subindo essa proporção dos alimentos ultraprocessados em 10% levaria a nove casos a mais da doença por 10 mil pessoas por ano.
"Esses resultados sugerem que o rápido aumento no consumo desses alimentos pode levar a uma sobrecarga nos casos de câncer nas próximas décadas", concluíram os pesquisadores.
Apesar disso, acrescentaram que as descobertas da pesquisa devem ser "confirmadas por outros estudos de larga escala" para estabelecer o que pode estar por trás dessa relação entre alimentação e a doença.
Comportamentos de risco
O estudo, então, não poderia ser considerado como definitivo sobre essa relação, nem que a doença seja causada por esse tipo de alimento. Além disso, quem ingere muitos ultraprocessados em sua dieta pode ter também outros hábitos e comportamentos que levem ao desenvolvimento de câncer.
Segundo a pesquisa, os participantes que consumiam muitos alimentos ultraprocessados tinham maior propensão ao fumo, eram menos ativos, consumiam mais calorias num geral e eram mais suscetíveis a tomar anticoncepcional.
Especialistas alertam que consumir alimentos ultraprocessados em demasia pode levar ao ganho de peso e ao sobrepeso, o que já é compreendido como um fator de risco para câncer. Por isso, distinguir qual seria a principal causa, o sobrepeso ou o tipo de alimento, ainda é difícil e faltam evidências científicas para isso.
Entre os alimentos considerados ultraprocessados pela pesquisa, estão barras de chocolate e balas, salgadinhos industrializados (incluindo batatas fritas de saquinho), refrigerantes e bebidas açucarada e macarrão instantâneo.

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