Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados nesta quinta (02) pelo Ministério do Trabalho (MT), não escondem o drama que acompanha o país e o Espírito Santo nos últimos anos: o desemprego. Por mais que o fundo do poço tenha ficado para trás, o saldo de postos de trabalho, ou seja, a diferença entre profissionais contratados e desligados, até agora não se firmou positivamente. No país, na comparação de junho com maio, 661 vagas foram extintas e, no Estado, 1.562 pessoas perderam seus empregos.
Mas um ponto que chama a atenção nesse cenário é como se comportou a nova modalidade de contratação, o trabalho intermitente, que começou a valer de novembro do ano passado para cá, quando a reforma trabalhista foi aprovada.
Esse tipo de contrato, que há tempos era uma demanda das empresas, é caracterizado pelo trabalho esporádico, que acontece em dias alternados ou por algumas horas, e nele o profissional é remunerado pelo período de atividade.
O que os números mostram é que o trabalho intermitente vem sendo responsável por quase 10% das vagas criadas no Espírito Santo, conforme dados de abril, maio e junho, período que o MT passou a contabilizar essa categoria. Nesses três meses, do saldo de 5.779 empregos, 509 foram classificados como intermitentes.
Os mais de 500 trabalhadores que não têm um vínculo fixo com o empregador colocaram o Espírito Santo como o quinto Estado que mais adotou essa modalidade no país. Na sua frente estão apenas São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná. A escolha dos empreendedores por esse tipo de contrato era esperada, mas o que surpreende é o fato de o Espírito Santo, mesmo com uma população economicamente ativa pequena, estar entre os cinco primeiros do ranking.
Para o economista e consultor de empresas Hugo Fróes, esse volume de intermitentes é consequência da falta de oportunidades no modelo tradicional de contratação. Segundo ele, a demanda por essa mão de obra tem acontecido principalmente entre as micro e pequenas empresas, que não têm condições de assinar a carteira, mas em determinados momentos precisam reforçar suas equipes.
“Os pequenos negócios têm uma capacidade muito grande de criar postos de trabalho, mas considerando que das 196 mil pequenas empresas do Estado, 96 mil estão negativadas, elas cortam seus custos com mão de obra e recorrem quando necessário ao contrato esporádico.”
Ainda que o ideal seja que o Estado tenha a capacidade de absorver as mais de 260 mil pessoas desempregadas com contratos formais de trabalho, a modalidade intermitente se mostra como um alento enquanto a economia não reage na velocidade desejada. Possivelmente, se não existisse essa opção, sequer os profissionais que atuaram sob esse regime teriam de onde tirar renda. Todas ou pelo menos uma parte dessas vagas poderiam jamais ter existido.
Por isso, como as previsões de crescimento econômico ainda são tímidas, a expectativa é que nos próximos meses os contratos intermitentes ganhem mais espaço entre os empregadores. Por enquanto, o diagnóstico é que os setores que mais têm recorrido a esse regime são: construção civil, serviços e indústria de transformação, e que as pessoas contratadas uma vez ou outra ocupam cargos que exigem escolaridade de até nível médio, como ajudantes de obras, garçons, recepcionistas, mecânicos, copeiros e vendedores.
Tudo indica que esse modelo de contratação vai cumprir um papel importante em meio à recuperação dos empregos no Estado e no país. O que não pode acontecer é esse tipo de contrato ficar a um passo do subemprego.
Onde mais foi contratada mão de obra intermitente
1º São Paulo: 3.002 trabalhadores
2º Minas Gerais: 1.246 trabalhadores
3º Rio de Janeiro: 1.043 trabalhadores
4º Paraná: 689 trabalhadores
5º Espírito Santo: 509 trabalhadores
6º Santa Catarina: 405 trabalhadores
7º Pará 346 trabalhadores
8º Goiás: 337 trabalhadores
9º Rio Grande do Sul: 270 trabalhadores
10º Rio Grande do Norte: 232 trabalhadores
Fonte: Caged/Ministério do Trabalho
ES ACELERA NAS VENDAS
O setor de veículos no Espírito Santo acelerou nas vendas na comparação com a região Sudeste e com o Brasil. De janeiro a julho, no confronto 2018/2017, os emplacamentos cresceram 17,94% no Estado. No mesmo período, o Sudeste avançou 12,95% e o país 12,81%. O resultado está trazendo de volta o otimismo para os empresários, que viram as vendas caírem drasticamente no período de crise. Para os próximos meses a expectativa é positiva.
OFERTA PERMANENTE
O governo federal retirou blocos terrestres de petróleo da Bacia do Espírito Santo que seriam ofertados na 16ª Rodada de Licitação, em 2019. A intenção é que as áreas onshore passem a ser disponibilizadas para o mercado na oferta permanente definida pela ANP, ou seja, não é preciso ter um leilão para que essas áreas sejam vendidas. Ao todo, 77 blocos no ES, sendo 52 na parte terrestre e 25 na porção marítima, vão ficar à disposição do mercado.

Hoje, às 11 horas, representantes da Vale e do governo do Estado se reúnem para tratar dos investimentos na ferrovia. Vamos torcer para que esses atores voltem a se entender e cheguem a um acordo.

Os investimentos em infraestrutura no Brasil caíram de 1,95% do PIB em 2016 para 1,69% em 2017, segundo a Inter.B Consultoria. Nesse ritmo, levará ao menos 58 anos para universalizar os serviços de saneamento.