As atuais reformas sobre as quais muito se têm discutido atualmente no Brasil são um tema polêmico, porém, importante de ser enfrentado. Uma delas, a reforma da Previdência, nos faz refletir sobre a inexistência de uma cultura brasileira de poupar para o futuro. Sabemos que grande parte da população vive com menos do que é necessário para uma digna subsistência, mas grande parte daqueles que teriam condições de poupar não praticam tal hábito.
Muito se discute sobre o papel do governo de prover tais condições necessárias para uma digna aposentadoria, o que é correto, afinal, ao pagarmos nossos impostos, esperamos receber em troca o que nos é assegurado pela Constituição. No entanto, não podemos esquecer que o governo somos nós, a fonte de recursos.
Em torno de tais discussões, muitos também insistem em afirmar que não há déficit no Brasil, mas os números comprovam que, atualmente, 64% da receita líquida do governo federal vai direto para a Previdência e Assistência. O Brasil gasta com aposentadorias atualmente o mesmo percentual do PIB que os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). No entanto, a proporção de pessoas com mais de 65 nos nestes países é mais que o dobro da do Brasil.
Existem diversos mitos e verdades dentro desta temática. Um dos mais importantes a reforçar é o fato de que a reforma quebra privilégios dos mais ricos e preserva os mais pobres. O sistema atual contribui com a concentração de renda e com o aumento da desigualdade social. Por meio da reforma, os principais fatores que contribuem para a concentração de renda serão tratados.
É importante que a população tenha acesso às informações e que as instituições responsáveis hajam com foco em comprovar os resultados positivos da reforma, enquanto há tempo. Ainda mais importante é a necessidade de uma visão coletiva de futuro, com foco na construção de um país de economia sustentável, onde as futuras gerações tenham suas garantias previdenciárias protegidas. Hoje, nos moldes atuais, as futuras gerações não terão tal garantia.
Se não praticarmos as reformas necessárias, teremos um grave problema para fechar as contas e isso reflete, inclusive, nas notas de rating do Brasil. O desfecho da reforma previdenciária será parte da definição dos rumos da economia brasileira e, consequentemente, do ambiente de negócios para os próximos anos.
*O autor é diretor e cofundador da Fucape Business School e vice-presidente de Conteúdo e Inovação do Ibef