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Vitor Vogas

Quem são os "viciáveis" de Hartung?

PRAÇA OITO "Sou candidato a deputado federal. Candidatura a vice não existe. É resultado das composições que os partidos farão no período das convenções. Discutir isso agora é fazer espuma" - César Colnago (PSDB)

Publicado em 21 de Abril de 2018 às 21:34

Públicado em 

21 abr 2018 às 21:34
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Crédito: Amarildo
Poucas frases ouvidas por quem frequenta o meio político são mais clichês do que “vice é a última coisa que se escolhe”, com variações, também repetidas à exaustão, como “vice se decide só na porta do cartório eleitoral”. Mas é preciso convir: poucos clichês são tão verdadeiros na política. Para não fechar portas para alianças, os pré-candidatos a prefeito, governador etc. costumam sacramentar a escolha do nº 2 da chapa só no limite do prazo para registro de candidaturas (este ano, até 15 de agosto).
Mesmo assim, já está aberta a temporada de especulações, e movimentos e entrevistas recentes do governador Paulo Hartung (PMDB) e do ex-governador Renato Casagrande (PSB), além de declarações de alguns dos próprios cotados, já nos permitem conjecturar quem serão os respectivos vices, daqui a quatro meses, daqueles que devem polarizar a corrida ao Palácio Anchieta.
Do lado de Hartung, é possível, hoje, elencar cinco cotados. Não por coincidência, são os mesmos nomes listados pelo próprio governador em entrevistas no último dia 12: o atual vice-governador, César Colnago (PSDB), que pode ser candidato a qualquer cargo, inclusive a governador, se não ordenar despesas nem substituir o titular até o dia da eleição; o ex-secretário de Segurança Pública André Garcia, que acaba de se desincompatibilizar do cargo no governo e de se filiar ao PMDB de Hartung, a pedido do governador, justamente para participar das eleições; o deputado estadual Amaro Neto, que acaba de se filiar ao PRB e a princípio se apresenta como pré-candidato ao Senado pelo núcleo hartunguista; o atual presidente da Assembleia, Erick Musso, também recém-filiado ao PRB e inicialmente cotado para buscar a reeleição; e o deputado federal Sérgio Vidigal (PDT), hoje autodeclarado candidato à reeleição na Câmara.
É válido lembrar que, a bem da verdade, Hartung relacionou os cinco aliados dentro de outra moldura: como potenciais candidatos a seu cargo, o de governador do Estado, com seu apoio, já na eleição deste ano. Naturalmente, para Hartung, isso implicaria renunciar ao direito de disputar a reeleição. A princípio, a coluna não crê nessa hipótese. O que explica, então, a lista de Hartung?
Uma possibilidade forte é que ele esteja lançando nomes não de potenciais sucessores, mas precisamente de potenciais companheiros de chapa, de modo a ver como eles são recebidos pelo mercado político, por aliados e, acima de tudo, pelo eleitorado. Ao ventilar esses nomes publicamente, valendo-se da imprensa para isso, PH pode estar testando o calçado que se adequa melhor ao seu pé enquanto afunda este no acelerador da pré-campanha – relatos dão conta de que ele tem feito política e rodado o Estado freneticamente, o que derruba, até para aliados, a tese de que possa não ser candidato. Sua agenda oficial o confirma.
Voltando aos nomes, Hartung tem falado muito em “renovação” e “formação de novos líderes”. Bem, é importante salientar que, se ele for mesmo para a disputa, estamos falando de um governador que estará postulando um 4º mandato no cargo e que acaba de completar 61 anos de vida, quase 40 deles dedicados a emendar um mandato eletivo no outro. Assim, ao falar de “oxigenação”, Hartung talvez não esteja se referindo exatamente ao posto dele. Talvez esteja procurando um vice que contenha certa aura de novidade e que, em alguma medida, seja capaz de representar essa “renovação” que ele já não pode encarnar pessoalmente. Um vice que recenda a “frescor político”, até para compensar a sua imagem de “velho conhecido do eleitor capixaba, em busca de um novo mandato”. Talvez a alquimia pretendida seja essa fusão de experiência com novidade.
No caso de Hartung, por esse critério de “renovação” – não entrando no mérito de visões e práticas políticas, mas simplesmente de menor quilometragem –, resta evidente que Colnago e Vidigal, ambos com longa rodagem política, saem em desvantagem. Quem ganha força é Amaro Neto e Erick Musso, ambos chegados à Assembleia em 2014. Antes de se eleger deputado, Musso exerceu meio mandato de vereador de Aracruz (biênio em que presidiu a Câmara). E só. Já Amaro cumpre seu primeiro mandato.
Pelo mesmo critério, quem pode ganhar mais força ainda é Garcia. Afinal, além de contar com a plena confiança de Hartung – comprovada pelo fato de o governador o ter bancado no cargo no momento mais crítico da greve da PMES –, o ex-secretário tem um trunfo a seu favor: jamais foi testado nas urnas.
Amanhã, os nomes de Casagrande.
Garcia: vai que cola...
Questionado sobre a ideia de ser vice, André Garcia parece tentado: “Embora não seja algo que, no momento, esteja sob minha avaliação ou cogitação, seria uma honra. Tenho uma história de parceria e de trabalho com o governador. Talvez seja uma opção diferente do usual e sem histórico político-partidário. Posso contribuir como uma opção nova, conhecida, mas com experiência e conhecimento da gestão pública. Mas quero ratificar que, por enquanto, estou focado no desafio de concorrer à Assembleia”.
Amaro: projeto é Senado
Vidigal não retornou nossos contatos. Erick Musso preferiu não comentar a ideia, por enquanto: “Muito tempo pela frente”. Já Amaro pontuou o seguinte: “Primeiro, não é meu plano ser vice. Segundo, depende de vários fatores, como conversar com o partido, pois no PRB temos outros nomes. Terceiro, sou pré-candidato ao Senado e sigo nesse projeto de grupo contando com o apoio dos deputados”.
Candidato a discípulo
O presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso (PRB), pode até não ser candidato a vice de Paulo Hartung – ao menos não ainda e não declaradamente –, mas é fortíssimo candidato a discípulo número 1 do governador.
Espelho, espelho meu
Ultimamente, a cada aparição pública, Musso deixa a impressão de se esmerar ainda mais em imitar Hartung, o que se reflete nos gestos políticos e, principalmente, nos discursos. No evento de concessão da licença ambiental do Iema para a instalação do Porto da Imetame, realizado no Palácio Anchieta, na manhã da última quinta, Musso chegou a utilizar expressões típicas do repertório de Hartung, como “olhar no branco do olho”. Mas não é a primeira vez que faz isso.
Com a mesma tinta
Como já observamos aqui, alguns pronunciamentos importantes feitos por Musso parecem ter saído da pena do mesmo ghost writer que escreve os discursos de Hartung. Alguns exemplos foram os discursos da posse do deputado na presidência da Casa, o da sua prestação de contas e o da sessão, em julho de 2017, em que a Assembleia aprovou alívio fiscal para os municípios diante de uma legião de prefeitos.
Moral para Amaro
A data é rara; os elogios de Paulo Hartung a Amaro Neto, nem tanto. Em 29 de fevereiro de 2016, o governador assinou a ordem de serviço da estação de bombeamento do Canal da Costa, ao lado de Amaro (então no Partido da Mulher Brasileira) e do então prefeito de Vila Velha, Rodney Miranda (então no DEM).
“É um talento!”
A uma plateia formada principalmente por apoiadores de Rodney, o governador fez questão de destacar que via em Amaro um político promissor. “É um talento! Vocês já o conhecem como artista, mas ainda vão ouvir falar muito dele como político.”
Bolsonaro no ES
De acordo com a pesquisa Futura publicada por A GAZETA na última segunda, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) perderia um confronto com Lula, pelo voto dos capixabas, se a eleição fosse hoje e se o petista estivesse nas urnas. Mas Bolsonaro tem, no ES, desempenho acima de sua média no resto do país.
Com Lula: 19,8% a 15%
Institutos diferentes podem aplicar metodologias diferentes, mas só como exercício comparativo: segundo a Futura, na consulta estimulada com Lula, Bolsonaro tem 19,8% das intenções de voto dos capixabas; já de acordo com pesquisa Datafolha publicada um dia antes e realizada quase simultaneamente, o deputado tem, hoje, no cenário com Lula, 15% das intenções de voto em todo o país.
Sem Lula: 23,4% a 17%
Já sem Lula no páreo, os capixabas dão 23,4% de intenções para Bolsonaro (Futura), enquanto, no país inteiro, o deputado registra 17% (Datafolha).

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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