Sair
Assine
Entrar

  • Início
  • Queda de braço do Poder Judiciário é insulto à democracia
Opinião da Gazeta

Queda de braço do Poder Judiciário é insulto à democracia

Arena aberta em Porto Alegre escancara fissuras do Judiciário, num clima de insegurança jurídica nocivo ao Estado de Direito

Publicado em 09 de Julho de 2018 às 20:16

Públicado em 

09 jul 2018 às 20:16

Colunista

08/07/2018 - Desembargador federal Rogério Favreto do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) Crédito: Sylvio Sirangelo/TRF4 - Flickr TRF-4
A queda de braço entre juízes no último domingo, em torno da ordem de soltura do ex-presidente Lula por um juiz plantonista do TRF-4, foi considerada por muitos juristas, no jargão do meio, “teratológica”, uma aberração. Tanto que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) já recebeu representações de promotores e procuradores contra os envolvidos. A apuração de possíveis infrações é necessária. A arena de batalha aberta em Porto Alegre escancara as fissuras do Judiciário, o que gera um clima de insegurança jurídica nocivo ao Estado Democrático de Direito.
Especialistas e magistrados foram praticamente unânimes ao apontar uma série de inconsistências do desembargador Rogério Favreto e do juiz Sérgio Moro, dois dos protagonistas do imbróglio dominical que reverberou nos meios político e jurídico. Em primeiro lugar, pesa a regra de que algo novo deveria fundamentar a urgência de um pedido de habeas corpus em um plantão do Judiciário – o que não é caso; Lula está preso há três meses.
Outro ponto é que jurisdição do TRF já se esgotou. Favreto contrariou decisão de seus colegas de tribunal e do STF, que negou habeas corpus preventivo a Lula em abril. Em meio ao entrevero, a nota da presidente da Corte foi inócua. Ao afirmar que “o Poder Judiciário tem ritos e recursos próprios, que devem ser respeitados”, Cármen Lúcia não disse nada, com belas palavras.
O mau exemplo do STF é flagrante. Com a credibilidade arranhada por decisões conflitantes, em que as turmas desviam de entendimentos assentados em Plenário, a Corte instaura um vale-tudo nas instâncias inferiores. A própria prisão após condenação em segunda instância, que poderia ter evitado o atual litígio, segue em suspenso. A jurisprudência atual não é unívoca nem no Supremo.
A solução deve ser cristalina, para impedir mais desgastes. O país já tem problemas sociais, políticos e econômicos demais para suportar uma crise institucional justamente no Poder que é o fiel da balança. Não importa quem vença a queda de braço, a democracia sempre perde.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Doenças respiratórias: veja como proteger as crianças no outono e no inverno
Imagem de destaque
Brasileiro prioriza alimentação saudável no supermercado e muda padrão de compras
Janely Gata, ao lado da treinadora, a Mestra Baixinha
Capixaba conquista título do maior torneio de capoeira do mundo

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados