Cleber Guerra*
No momento em que a sociedade brasileira clama por ética, decência e renovação na prática política, o aumento da participação da mulher apresenta-se como uma das soluções. Afinal, elas representam 51,6% da população (Pnad/IBGE) e 52% do eleitorado (TSE), mas ocupam, atualmente, apenas 14,8% das cadeiras no Senado; 9,9% na Câmara Federal; 11,33% nas Assembleias Legislativas, bem como 13,5% nas Câmaras de Vereadores. Apesar das conquistas dos últimos anos, ressalta-se que boa parte dessas poucas mulheres vêm de famílias com tradição masculina na política, eleitas pelas mãos do pai, irmão ou marido.
A Lei nº 12.034/2009, que estabeleceu a cota eleitoral mínima de 30% para as mulheres, há quase uma década, também não tem surtido efeito. Prova disso é que, na eleição de 2016, uma em cada oito candidatas não obteve nenhum voto, (nem mesmo o dela!) o que comprova que os partidos políticos registram as candidatas apenas para preencher o percentual mínimo, numa flagrante burla à legislação eleitoral.
Apesar das conquistas dos últimos anos, ressalta-se que boa parte dessas poucas mulheres vêm de famílias com tradição masculina na política, eleitas pelas mãos do pai, irmão ou marido
Nessa mesma linha, tem-se que um levantamento do “Projeto Mulheres Inspiradoras”, cruzando dados TSE, ONU e Banco Mundial, concluiu que, atualmente, cerca de 92% da população mundial é governada por homens e que o Brasil é o último no ranking de participação de mulheres na política. Sabemos que a sociedade brasileira é, predominantemente, machista, patriarcal e discriminatória, reservando às mulheres, mesmo sendo maioria e mais escolarizadas, a função de cuidar da casa e da família, longe, portanto, dos espaços de poder. Não foi por outra razão que em nosso país os homens votam e são votados desde 1891, enquanto as mulheres só conquistaram este direito em 1932.
Diante desse contexto, a ampliação do espaço feminino na política, mais do que uma questão de gênero, é uma questão de representatividade política e valorização da cidadania, em atendimento ao preceito constitucional de que todos são iguais perante a lei. De igual modo, torna-se imperativo esse olhar feminino na nova política, com mais mulheres atuando nos Partidos e nas instâncias do poder.
Conclui-se, assim, que a almejada renovação política passa pela eleição, em 7/10/2018, de mais mulheres qualificadas, com perfil técnico, experiência em gestão e militância político-partidária, além dos atributos de liderança, ética, coerência, honestidade e zelo no trato da coisa pública.
*O autor é engenheiro agrônomo