Para aliados mais próximos do seu partido, o PSB, e de siglas aliadas, como o PPS, o ex-governador Renato Casagrande finalmente tem admitido: é pré-candidato ao governo do Estado. Reservadíssimo para tratar do tema até meados de dezembro, Casagrande passou a abrir o jogo, em círculos políticos mais íntimos, após certa pressão exercida por alguns apoiadores e principalmente pelo seu maior aliado, o prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS).
A informação é corrente no círculo de aliados mais próximos de Casagrande e de Luciano. O prefeito andava um pouco incomodado com a falta de clareza e com a indefinição de Casagrande sobre candidatura ao governo este ano. Por estratégia, o ex-governador até agora não admitiu publicamente a intenção de voltar a concorrer ao Palácio Anchieta.
Luciano Rezende
Esconder os planos faz parte do jogo, que exige cautela dos envolvidos. A questão é que, até dezembro, o ex-governador não estava abrindo o jogo nem mesmo para os aliados comprometidos com ele. Enquanto isso, por exemplo, Luciano vinha reafirmando de público o seu compromisso em apoiar Casagrande – como fez, por exemplo, na entrevista de balanço de 2017 concedida à Rádio CBN no fim do ano.
Trocando em miúdos: enquanto Casagrande não abria seus planos claramente nem para os diletos aliados, Luciano vinha se expondo, sozinho, para declarar apoio antecipado a Casagrande.
Cobrança
Incomodado com a hesitação de Casagrande, Luciano teve uma conversa definitiva, entre o Natal e o ano-novo, com o ex-governador. Mais ou menos com estas palavras, o prefeito disse a Casagrande que se ele não confirmasse a candidatura ao governo, ele mesmo, Luciano, estava disposto a renunciar ao mandato de prefeito de Vitória em abril para lançar candidatura ao governo do Estado contra Paulo Hartung (PMDB) ou contra o candidato a ser apoiado pelo governador.
Contraponto
Pode ter sido apenas blefe de Luciano, mas duas fontes envolvidas nas articulações do PSB com o PPS confirmam que o prefeito chegou a dizer isso a Casagrande. Para Luciano e seu grupo político, é indispensável que eles tenham um candidato para fazer contraponto ao grupo político liderado por Hartung.
Logicamente, a cobrança de Luciano não foi um ultimato, nem Casagrande se decidiu por conta disso. Mas o fato é que, desde o fim de dezembro, o ex-governador passou a admitir aos mais próximos aquilo que hoje não afirma publicamente: não tem obsessão e os planos podem mudar, mas hoje ele é pré-candidato ao governo do Estado.
Atualização: resposta de Casagrande
Após a publicação desta coluna, no fim da tarde desta sexta-feira (5), o ex-governador Renato Casagrande entrou em contato para esclarecer alguns pontos. Ele confirma a conversa que teve com Luciano e que o prefeito realmente pediu a ele mais clareza na definição. Casagrande, no entanto, ponderou o seguinte:
"O Luciano de fato acha que, se eu for candidato, sou o melhor candidato, o mais preparado para representar o nosso movimento. Mas não houve faca no pescoço. Foi uma reunião muito tranquila, entre o Natal e o ano-novo. Não quero colocar nome para nenhuma candidatura agora. Está muito cedo para isso. Acho que essas definições só se darão lá para o mês de maio. Até lá tenho que saber se terei condições de disputa ou se alguém do nosso grupo estará melhor do que eu para isso."