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Opinião

O combate às fake news (parte 2)

Depois do ex-prefeito de Aracruz Marcelo Coelho (PDT) assumir o Incaper em 2017, Jader Mutzig será o novo presidente do Iema

Publicado em 19 de Janeiro de 2018 às 22:15

Públicado em 

19 jan 2018 às 22:15
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas
Crédito: Arabson

Como combater a proliferação de fake news nas mídias sociais durante o processo eleitoral no Brasil? Para enfrentar o fenômeno daninho à democracia, a Polícia Federal anunciou a formação de um grupo de trabalho com o MPF e o TSE, bem como a formulação de um projeto de lei para tipificar o crime de produção de notícias falsas. Para o filósofo e pesquisador da USP Pablo Ortellado, o caminho de intervenção direta por parte do Estado brasileiro não é o mais adequado, por esbarrar no risco de censura e autoritarismo. Mas como atacar o problema, então? Qual é a melhor estratégia?

Para Ortellado, as melhores soluções passam por transparência e autorregulação das plataformas e por um trabalho de educação do público para o consumo crítico de informações. A imprensa também tem um papel decisivo nesse esforço, intensificando o trabalho de checagem e apuração dos fatos para ajudar os leitores a separar a mentira da verdade.

Sobre autorregulação e transparência, Ortellado observa que as plataformas já começaram a fazer isso. “No Canadá, o Facebook prometeu transparência no impulsionamento dos posts. Quando determinada publicação é impulsionada (mediante pagamento de certa quantia), aparece lá quem foi que pagou. Isso nos ajuda a entender de onde estão vindo e quais são as forças econômicas que estão impulsionando as notícias para serem difundidas. As plataformas também devem tornar públicos os critérios dos seus algoritmos. Por que uma notícia tem mais espaço que outra? É preciso transparência combinada com uma autorregulação pressionada pela opinião pública.”

Ao lado desse primeiro ponto, Ortellado destaca a necessidade de educação do público. “E a imprensa tem um papel muito importante nisso. Até agora, a imprensa investigou muito pouco as notícias falsas no Brasil. Tem muitas notícias sobre o fenômeno das fake news, mas poucas notícias investigativas sobre isso. Existem muitos sites, e a gente não sabe quais são os interesses, se tem políticos e grandes empreendimentos envolvidos. Sabemos muito pouco sobre esse universo. E a imprensa tem a responsabilidade de investigar isso. É uma responsabilidade dividida entre diversos atores para aumentar a consciência do público sobre como funciona o sistema de produção jornalística, para termos leitores com mais pensamento crítico no consumo de notícias.”

Além de tudo isso, é imprescindível ressaltar o grau de responsabilidade (e de cumplicidade), consciente ou não, de quem consome, compartilha e ajuda a disseminar informações inverídicas, enganosas e maliciosas. “Geralmente olhamos para esse problema achando que basta impedir os produtores, mas o grande nó da questão está em quem compartilha, ou seja, nós. A sociedade brasileira está muito dividida e apaixonada e muito pouco crítica com o que consome. E quando estou muito apaixonado, compartilho a informação que confirma o que eu penso como um ato de guerra. Se as pessoas não compartilham essas notícias, o produtor morre. O produtor precisa desse exército de pessoas que vão compartilhar essas notícias falsas.”

Para o pesquisador da USP, a solução não passa por responsabilizar penalmente quem compartilha notícias falsas de propósito. “Como a gente combate isso? A tarefa política difícil é desarmar a sociedade brasileira, que está em guerra, e criar saídas mais conciliatórias. Estamos em um conflito beirando a intransigência, em que qualquer arma é ‘válida’. Isso nos leva a uma situação muito perigosa. Mas não é por meio de penalização que vamos resolver isso. Não vamos prender milhões de brasileiros. Isso passa por um debate mais crítico sobre aonde essa situação está nos levando.”

PAPEL DA IMPRENSA

Além do papel de investigar quem são os produtores de fake news, o filósofo e professor Pablo Ortellado entende que, mais do que nunca, o trabalho da imprensa profissional ganha relevância no que diz respeito à checagem de informações. “Acho até que a imprensa já mudou de posição. Antigamente você recebia uma pauta, recebia uma denúncia para checar e, se não existisse, você engavetava. Você constatava que a denúncia era falsa e não publicava. Agora, muitos estão desmentindo boatos. É uma atitude muito importante.”

É FALSO? PUBLIQUE QUE É. 

Como conclui o professor da USP, nestes tempos de invasão de fake news, o papel da imprensa profissional mudou e precisa ser mais abrangente: “Se a informação é falsa, já não basta ignorar e não publicar. Tem que publicar uma notícia de que aquilo não existe, não aconteceu. Na hora que a pessoa jogar a palavra-chave no Google, é importante ela encontrar uma notícia que desminta aquele boato. A combinação dessa mudança de atitude da imprensa, casada com o crescimento das agências de checagem de informações, tem melhorado um pouco a situação. Mas o desafio vai ser grande”, alerta.

APOSTAS DO PSD 

O Partido Social Democrático (PSD) quer filiar o ex-deputado federal Jurandy Loureiro para concorrer a deputado federal, reforçando a chapa que tem Neucimar Fraga como maior aposta. Para a Assembleia, além da reeleição de Enivaldo dos Anjos, as principais apostas do PSD são o ex-deputado estadual Carlinhos Lyrio (derrotado na eleição a prefeito de São Mateus em 2016), o empresário Marcão Vivacqua (derrotado a prefeito de Marataízes em 2016), a vereadora de Cachoeiro Renata Fiório e o presidente da Câmara de Guarapari, Wendel Sant’ana Lima. Todos eles já pertencem ao PSD.

Vitor Vogas

Vitor Vogas Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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