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José Niemeyer
"O Brasil não tem nenhum interesse a defender no conflito entre EUA e Irã"
Cientista político  critica nota do Itamaraty  associando general iraniano ao terrorismo,  não  vê risco de 3ª Guerra Mundial e considera que  o ideólogo Olavo de Carvalho perdeu relevância no governo

Leonel Ximenes

Colunista

Publicado em 12 de Janeiro de 2020 às 05:00

Publicado em

12 jan 2020 às 05:00
Coordenador da graduação em Relações internacionais do Ibmec/RJ, o cientista político José Niemeyer vem acompanhando com lupa as hostilidades entre Estados Unidos e Irã. Para ele, o Itamaraty foi imprudente e contrariou a tradição diplomática do Brasil ao divulgar uma nota associando o general Qassem Soleimani, morto em um ataque de drone norte-americano em Bagdá, ao terrorismo. Ele defende que o governo brasileiro não interfira nesse conflito:  "Como sempre foi. Desde a era do Barão do Rio Branco. E como determina a Constituição". Niemeyer também não aposta que o conflito entre Washington e Teerão desemboque numa 3ª Guerra Mundial, como algumas pessoas temem: "Se ocorrer [uma guerra], será uma localizada, regional, convencional. Com desdobramentos apenas em parte do comércio internacional e nas cotações do petróleo".

Qual deveria ser a posição do Brasil em relação ao conflito EUA x Irã?

De não interferência. Como sempre foi. Desde a era do Barão do Rio Branco. E como determina a Constituição. O Brasil não tem nenhum interesse a defender neste conflito. Se ocorrer, será uma guerra localizada, regional, convencional. Com desdobramentos apenas em parte do comércio internacional e nas cotações do petróleo.

A nota do Itamaraty, associando o general Qassem Soleimani ao terrorismo, foi correta? Isso não expõe o Brasil?

Não foi correta. É uma constatação muito forte para um país que sempre atuou via uma agenda multilateral. Inclusive com árabes, países muçulmanos e com Israel.

Se as hostilidades entre EUA e Irã aumentarem, corremos risco de uma guerra? Ou até uma 3ª Guerra Mundial, como muitos temem?

Se ocorrer, será uma guerra localizada, regional, convencional. Com desdobramentos apenas em parte do comércio internacional e nas cotações do petróleo.

Em represália ao ataque dos EUA, o Irã anunciou que 'desconhecerá limites' impostos pelo acordo nuclear de 2015. Os persas, agora, estão mais perto de ter sua bomba nuclear?

Podem querer fazer, mas serão mais vigiados e neutralizados. Não é a melhor estratégia agora.

Esse conflito mostra que o petróleo ainda é um ativo estratégico no mundo. Com o desenvolvimento das energias alternativas e renováveis nos próximos anos, a tensão geopolítica em torno dessa commodity tende a diminuir?

O peso do petróleo vem diminuindo. O posicionamento geoestratégico dos países do Oriente Médio com relação às suas reservas de petróleo perderá força, sim

O ataque norte-americano à comitiva iraniana em Badgá acontece em ano eleitoral nos EUA com Trump pressionado por um processo de impeachment. Foi uma jogada política do presidente norte-americano?

Pode ter sido, sim. Pode ajudar com o coração e mente dos trumpistas, mas pode ser muito ruim se o conflito for longo e sangrento.

Qual sua avaliação da política externa de Bolsonaro neste primeiro ano de governo? O chamado “viés ideológico" acabou ou apenas mudou de direção?

Talvez pela pouca influência do Brasil nos temas da “alta política”, e pelos deslizes cometidos pelo presidente da República e assessores em alguns temas da “baixa política”, como o meio ambiente, por exemplo, o resultado tendeu a zero ou mesmo negativo.

Quem manda mais, de fato, no Itamaraty: o chanceler Ernesto Araújo ou o guru ideológico do presidente, Olavo de Carvalho?

Olavo de Carvalho perdeu espaço. O ministro Ernesto Araújo tem ainda questões burocráticas a resolver, como os rumos da Apex [agência governamental que promove produtos e serviços brasileiros no exterior e atrai investimentos estrangeiros], por exemplo. A agenda externa ainda é muito pouco concreta. Desta feita, nenhum dos dois consegue se destacar.
Niemeyer: "O peso do petróleo vem diminuindo. O posicionamento geoestratégico dos países do Oriente Médio com relação às suas reservas de petróleo perderá força" Crédito: Ibmec

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