Coordenador da graduação em Relações internacionais do Ibmec/RJ, o cientista político José Niemeyer vem acompanhando com lupa as hostilidades entre Estados Unidos e Irã. Para ele, o Itamaraty foi imprudente e contrariou a tradição diplomática do Brasil ao divulgar uma nota associando o general Qassem Soleimani, morto em um ataque de drone norte-americano em Bagdá, ao terrorismo. Ele defende que o governo brasileiro não interfira nesse conflito: "Como sempre foi. Desde a era do Barão do Rio Branco. E como determina a Constituição". Niemeyer também não aposta que o conflito entre Washington e Teerão desemboque numa 3ª Guerra Mundial, como algumas pessoas temem: "Se ocorrer [uma guerra], será uma localizada, regional, convencional. Com desdobramentos apenas em parte do comércio internacional e nas cotações do petróleo".
Qual deveria ser a posição do Brasil em relação ao conflito EUA x Irã?
A nota do Itamaraty, associando o general Qassem Soleimani ao terrorismo, foi correta? Isso não expõe o Brasil?
Se as hostilidades entre EUA e Irã aumentarem, corremos risco de uma guerra? Ou até uma 3ª Guerra Mundial, como muitos temem?
Em represália ao ataque dos EUA, o Irã anunciou que 'desconhecerá limites' impostos pelo acordo nuclear de 2015. Os persas, agora, estão mais perto de ter sua bomba nuclear?
Esse conflito mostra que o petróleo ainda é um ativo estratégico no mundo. Com o desenvolvimento das energias alternativas e renováveis nos próximos anos, a tensão geopolítica em torno dessa commodity tende a diminuir?
O ataque norte-americano à comitiva iraniana em Badgá acontece em ano eleitoral nos EUA com Trump pressionado por um processo de impeachment. Foi uma jogada política do presidente norte-americano?
Qual sua avaliação da política externa de Bolsonaro neste primeiro ano de governo? O chamado “viés ideológico" acabou ou apenas mudou de direção?
Quem manda mais, de fato, no Itamaraty: o chanceler Ernesto Araújo ou o guru ideológico do presidente, Olavo de Carvalho?