A implantação de terminais portuários no Espírito Santo deve ser vista como item prioritário da agenda econômica capixaba. Os novos empreendimentos podem ajudar a compensar as perdas recentes do comércio exterior e a inaugurar uma nova fase de prosperidade.
O comércio exterior capixaba tem tido um desempenho inferior ao de outros setores. As mudanças na legislação tributária criaram desestímulo em operações com o Fundap, além de quedas nas exportações de minério e crise econômica, que fizeram os negócios retrocederem a patamares de uma década atrás.
A chamada “corrente de comércio exterior” vem acumulando perdas de 50% nos últimos seis anos, segundo os dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. Sem contar com a sobretaxa de 25% imposta pelos EUA ao setor siderúrgico, que deve agravar a situação.
Há evidências históricas que comprovam a importância do Porto de Vitória na consolidação econômica da Capital. E, agora, os novos portos devem fazer um movimento inverso de interiorização do desenvolvimento
Nesse cenário, os novos empreendimentos trazem esperança de dias melhores. Ao permitir a atracagem de navios de grande porte, o custo médio das cargas e o preço dos serviços de transporte devem se tornar mais atrativos. Os ganhos de competitividade devem resultar na atração de novos operadores para o segmento logístico.
O impacto desses projetos já começa na fase de implantação. Fala-se em investimentos da ordem de 7% do PIB estadual. Ou seja, o efeito multiplicador do capital será importante para contratações na área de construção, ajudando a recuperar postos de trabalho perdidos no último triênio.
A relevância desses empreendimentos tem a ver também com o financiamento do setor público, com ampliação da arrecadação de ISS municipal. É importante exigir dos gestores públicos que os recursos gerados pelos projetos sejam direcionados à infraestrutura, sobretudo na garantia melhores serviços para comunidades afetadas (saneamento, pavimentação e aprimoramento das condições urbanísticas).
Há evidências históricas que comprovam a importância do Porto de Vitória na consolidação econômica da Capital, como demonstrado no livro recente de autoria de Ribeiro, Quintão, Follador e Ferreira. E, agora, os novos portos devem fazer um movimento inverso de interiorização do desenvolvimento.
As questões ambientais são essenciais, mas as referências internacionais (como o Porto de Roterdã, na Holanda) demonstram que é plenamente compatível conciliar progresso econômico com sustentabilidade. É questão de unir esforços da sociedade, de se fazer uso de soluções tecnológicas e garantir a celeridade desses projetos tão estratégicos para o Estado.
*O autor é vice-presidente do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon-ES)