Sou radicalmente contra o fechamento de escolas ou turnos. Primeiro que o arcabouço legal que rege a educação brasileira, começando pela Constituição Federal e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, não diz que o direito à educação será dado a partir de um determinado número de alunos nas escolas. Portanto, se uma escola tiver um aluno e a transferência dele for causar qualquer dano de aprendizagem a ele, a escola deveria ser mantida aberta. Além disso, existem no Espírito Santo mais de 50 mil alunos em idade escolar, de 6 a 17 anos, fora da escola e cerca de 200 mil pessoas, com idade de 18 a 29 anos, que não concluíram a Educação Básica e também estão fora da escola. Então antes de pensar em fechar escolas ou turnos seria necessário fazer um diagnóstico de quantas pessoas naquela região estão fora da escola e fazer uma campanha para trazê-las de volta às salas de aula. E mesmo quando uma escola tem poucos alunos e se pensa em fechar é necessário fazer um diagnóstico com eles para entender quais impactos essa mudança de escola trará e se todos continuarão estudando. Isto nunca é feito. Esse relatório simplista e meramente economicista do Tribunal de Contas é vergonhoso, pois não leva nada disso em conta. Educação é investimento e não gasto. Gasto é um conselheiro ter vale-refeição maior que o salário de muitos professores, além de outras regalias.