Sei ler, escrever e contar até dez. Não aprendi a roubar, o que me dá um grande prejuízo. Fui roubado pelo governo de várias maneiras: Imposto de Renda, corte de direitos na minha aposentadoria, além de aceitar um penduricalho no lugar de reajuste que me abandonou por pura dedução de funcionários de baixo porte de Brasília.
Cedo meu lugar na fila a qualquer pessoa, o que me faz chegar em casa altas horas. Dedico-me à pesquisa. Ontem, vi Ivete Sangalo aparecer na TV 435 vezes, para fazer o papel de Ivete Sangalo. Considero Elba Ramalho lançando sua voz sobre o inimigo como uma arma letal.
Observo os flanelinhas, que além de cobrar pouco, limpam meu Eco 2014 e vigiam mesmo o veículo. Alguns dissidentes arranham a lataria. Mas são minoria. Jamais encontro um único agente da prefeitura fazendo qualquer coisa que não seja soletrar aqueles caça-níqueis e dar no pé até o próximo poste. Recorrer é ato de ficção. Sofri pela cidadania. Jamais fui convidado a tirar uma foto de parede com o Pirão. Costumo debater com o Edson Dias sobre a literatura que imponho a vocês toda santa semana, chova ou engarrafe o trânsito. Ele gosta.
Observo os flanelinhas, que além de cobrar pouco, limpam meu Eco 2014 e vigiam mesmo o veículo. Alguns dissidentes arranham a lataria. Mas são minoria
Tenho apostado com o pessimismo que meu santo predileto – Agostinho – me deu, que nenhum governo vai realizar a primeiríssima coisa que mudaria tudo: reconstruir e fazer novas ferrovias e a navegação costeira. Na minha gestão reformadora tirei do então presídio Adauto Botelho mais de mil reclusos. Funcionou só no primeiro tempo. Mereço um sufrágio.
Sei contar a piada do português que foi aprender alemão na Alemanha, não aprendeu, esqueceu o português e ficou mudo. Houve retaliação. Quando o luso João Martins e eu caminhávamos à beira do Tejo, provoquei: “O senhor não sabe piada de brasileiro?”. “Não existe, é tudo verdade”, respondeu. Sei engolir em seco também.
Dedico-me a compreender o fenômeno da multiplicação mágica dos espaços na cidade como estreitar e ampliar vias sem tocar nelas. É tema de minha plataforma, dentro da mesma problemática, a solucionática da seguinte questão: nos últimos 20 anos, triplicou-se o número de veículos dentro das mesmas ruas.
Traí. Fui flamenguista até a adolescência quando meu tio Landinho, por um Chicabom, fez-me mudar para o América, do Rio. Eu continuo, o time não. Se alguém questiona a razão desta inédita e criminosa mudança por pura propina do picolé, ameaço recorrer à 10ª instância, pedir vistas, alegar que não recebi a intimação.
E apelar para o Gilmar.