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Juliana Iglesias Melim

Não abaixaremos as bandeiras levantadas por Marielle, diz professora

O ataque à vereadora é contra todos os lutadores sociais e comprova como a intervenção federal no Rio, assim como as UPPs, não resolve a complexa questão da violência

Publicado em 15 de Março de 2018 às 18:49

Públicado em 

15 mar 2018 às 18:49

Colunista

O corpo da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes deixa Câmara do Rio sob aplausos e pedidos por justiça Crédito: Fernando Frazão | Agência Brasil
“Nada causa mais horror à ordem do que mulheres que lutam e sonham” – Marielle Franco, presente!
Mais uma mulher assassinada. Não apenas uma mulher, uma mulher negra, nascida na favela da Maré, militante e socialista.
Na noite da última quarta-feira, Marielle Franco, a quinta vereadora mais votada na cidade do Rio de Janeiro, filiada ao PSOL, e seu motorista Anderson Gomes foram executados a tiros. Todas as características do crime, já divulgadas pela mídia, indicam para uma execução. O carro de Marielle foi emparelhado por um veículo cujos ocupantes dispararam e fugiram sem levar, absolutamente, nada.
Importante destacar que no dia 28 de fevereiro, Marielle havia sido nomeada relatora da comissão que vai acompanhar a intervenção militar no Rio de Janeiro e quatro dias antes do seu assassinato denunciou uma ação violenta da PM na comunidade de Acari. Marielle não se omitiu diante das barbáries desse sistema que (re) produz as desigualdades sociais, raciais e de gênero.
Recorrentemente denunciava os desmandos do Estado burguês que perpetua a violência expressa nos genocídios e feminicídios que atingem há anos cotidianamente a classe trabalhadora empobrecida e negra nas periferias.
O ataque a Marielle é contra todos os lutadores/as sociais e comprova como a intervenção federal no Rio, assim como as UPPs, não resolve a complexa questão da violência, e ainda favorece o aumento da opressão sobre as comunidades, a população negra e os movimentos sociais, passando longe dos chefes do tráfico, do Congresso e dos helicópteros de cocaína.
Infelizmente esses processos não são inéditos no nosso país, podemos lembrar das inúmeras vezes que o Exército subiu os morros, da sua presença ostensiva durante a Copa do Mundo e as Olimpíadas, da criação da Força Nacional no governo Lula e da aprovação da Lei Anti-terrorismo no governo Dilma que contribui, duramente, para a criminalização dos movimentos sociais. Essa intervenção desmascara anos de descompromisso dos governos federal, estadual e municipal e colocou o Rio nessa situação calamitosa.
A nós, que ficamos, resta a indignação e a luta. Não abaixaremos as bandeiras levantadas por Marielle: contra a intervenção militar no Rio de Janeiro! Pelo fim da violência e repressão contra os pobres e negros nas periferias! Chega de violência contra as mulheres! Exigimos a apuração rigorosa e a punição dos assassinos e mandantes.
* Juliana Iglesias Melim é professora do Departamento de Serviço Social da Ufes

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