A final da Copa do Mundo de 2026 talvez não seja lembrada pela qualidade do futebol apresentado, mas certamente ficará marcada por tudo o que aconteceu ao redor da partida.
Houve o intervalo mais longo da história, com apresentações de artistas como Madonna e Justin Bieber, um discurso do astro de Hollywood Tom Cruise antes do início da partida, a presença do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e fogos de artifício. Muitos fogos — todos disparados em plena luz do dia.
Trump conhece o troféu da Copa do Mundo
A Copa do Mundo de 2026 foi sediada conjuntamente por EUA, México e Canadá, mas foram os EUA que concentraram grande parte das atenções, sobretudo por causa de declarações e atitudes do presidente americano.
Trump já havia afirmado que esta foi uma Copa como nenhuma outra e, nesse ponto, não está errado. Um dos episódios mais controversos foi a decisão de não suspender o atacante americano Folarin Balogun, apesar de ele ter sido expulso pelo árbitro durante a partida (o que o impediria de jogar a partida seguinte).
O episódio ocorreu depois que Trump admitiu ter conversado com o presidente da Fifa, Gianni Infantino, e pedido que ele revisasse a expulsão e, por extensão, a suspensão do jogo seguinte. Com a suspensão anulada, Balogun pôde defender os EUA nas oitavas de final, mas o time americano acabou derrotado pela Bélgica.
Quase tão surpreendente quanto essa reversão foi a ausência de Trump nos estádios durante o torneio. Até a final, ele não havia assistido presencialmente a nenhuma partida, o que fez com que todas as atenções se voltassem para a sua presença no estádio da final da Copa no domingo (19/7).
Quem estava nas arquibancadas conseguiu acompanhar a sua chegada: Trump estava em um dos três helicópteros que sobrevoaram o estádio e pousaram ao lado dele.
Ele pareceu ocupar seu lugar ao lado de Infantino cerca de 20 minutos antes do início da partida, a tempo de assistir às apresentações dos cantores Robbie Williams e Nicole Scherzinger na apresentação que antecedeu a partida.
Ainda no primeiro tempo, ele foi visto observando o troféu da Copa do Mundo de 2026.
O intervalo mais longo da história
Além da presença de Trump, outro tema que dominou as conversas antes da final foi o show do intervalo inspirado no Super Bowl (a final do campeonato de futebol americano, considerado o evento mais popular dos EUA).
Tradicionalmente, o intervalo de 15 minutos serve para os jogadores se recuperarem do desgaste do primeiro tempo, os técnicos passarem instruções e os torcedores comprarem comida, bebida e irem ao banheiro. Só que desta vez o intervalo foi prolongado para dar espaço a um mini show.
O espetáculo reuniu grandes nomes da música. Madonna, BTS, Coldplay e Shakira, cuja música Dai Dai é o hino oficial da Copa do Mundo, se apresentaram, assim como o cantor Justin Bieber.
Depois de receber uma conversa motivacional do personagem televisivo Ted Lasso e de seu assistente técnico, Beard, Bieber diminuiu o ritmo do espetáculo, até então marcado por apresentações mais enérgicas, ao interpretar uma versão acústica de Everything Hallelujah.
O intervalo durou 27 minutos. Mas será que deu certo? A reação do público foi dividida. Na transmissão pela BBC, o comentarista e ex-atacante da seleção inglesa Wayne Rooney foi incisivo: "Foi uma porcaria", disse. "As apresentações foram ruins. O tempo foi mal calculado. Deixem a gente assistir ao futebol."
A cerimônia de encerramento realizada antes da partida seguiu o roteiro de outras grandes finais, com música alta e apresentações de dança no gramado, mas ganhou um tom mais dramático com um discurso do ator americano Tom Cruise.
Quase no centro das atenções durante a entrega da taça...
Para quem não torcia por nenhuma das seleções, um dos momentos mais aguardados após o apito final era ver qual seria o papel de Trump na cerimônia de entrega da taça aos campeões.
Na decisão da Copa do Mundo de Clubes do ano passado, Trump acabou participando da comemoração do Chelsea depois de entregar o troféu ao capitão da equipe, Reece James.
Na ocasião, após fazer a entrega da taça, ele permaneceu por alguns segundos no palco ao lado de James e do goleiro Robert Sánchez, antes de finalmente deixar o local pelos fundos.
"Disseram que ele entregaria o troféu e depois sairia do palco... mas ele quis ficar", contou James, que integrou a seleção inglesa nesta Copa do Mundo.
Na final da Copa do Mundo de domingo, Trump, que acompanhou Infantino (Fifa) na entrega das medalhas aos jogadores das seleções campeã e vice-campeã, voltou a permanecer no palco durante a entrega da taça, embora por menos tempo do que havia feito na Copa do Mundo de Clubes.
Trump e Infantino também foram recebidos com vaias quando entraram em campo para a cerimônia de premiação. Pelo menos um jogador pareceu optar por não cumprimentar o presidente americano: o zagueiro argentino Cristian Romero passou direto por Trump depois de receber a sua medalha das mãos de Infantino.
Longas filas antes do jogo por causa do reforço na segurança
A final da Copa do Mundo de 2026 teve todos os ingredientes de um grande espetáculo. Houve queima de fogos antes do início da partida, durante o show do intervalo e depois que a Espanha ergueu a taça.
Mas, para quem foi ao estádio, as horas que antecederam o jogo estiveram longe desse clima festivo. O reforço na segurança provocou longas filas para entrar.
Com a presença de Trump, o Serviço Secreto dos EUA assumiu a coordenação da segurança da partida.
Os portões para o público foram abertos às 11h (horário local), quatro horas antes do início do jogo. Mas funcionários do estádio, artistas e profissionais da imprensa já chegavam várias horas antes.
A confusão sobre os portões de acesso fez com que alguns jornalistas fossem orientados a entrar por um determinado local e, depois, tivessem de voltar e enfrentar novamente a fila em outro acesso.
A revista das bolsas também foi mais rigorosa do que nas partidas anteriores, o que contribuiu para aumentar o tempo de espera.
Apesar dos transtornos, o fluxo de entrada foi normalizado aos poucos, e a partida começou no horário previsto.