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Quem é Mario Frias, ator de 'Malhação' que foi secretário de Bolsonaro e agora é alvo da Polícia Federal por 'Dark Horse'

Frias é roteirista e produtor-executivo do filme sobre o ex-presidente. Suas emendas enviadas a um instituto de Karina Ferreira da Gama, também produtora do longa-metragem, são investigadas.

Publicado em 10 de Setembro de 2026 às 09:34

BBC News Brasil

Publicado em 

10 set 2026 às 09:34
Imagem BBC Brasil
O deputado federal Mario Frias (PL-SP) Crédito: Pedro H. Tesch/Getty Images

O deputado federal Mario Frias (PL-SP) é um dos alvos da operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (10/9) para investigar suspeitas de irregularidades na destinação de emendas parlamentares.

Frias é roteirista e produtor-executivo do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele teve seu celular apreendido pela polícia, segundo informações da GloboNews.

Outro alvo da PF é a empresária Karina Ferreira da Gama. Ela é responsável pelo Instituto Conhecer Brasil, que recebeu R$ 2 milhões em emendas destinadas por Frias e também é proprietária da GoUp Entertainment, produtora de Dark Horse.

A sobreposição entre os negócios dos dois levantou a suspeita de que parte dos recursos das emendas possa ter sido usada para custear a produção do filme.

A suspeita consta de uma proposta de fiscalização e controle apresentada pelos deputados federais Dimas Gadelha (PT-RJ) e Pedro Uczai (PT-SC).

Em manifestação enviada ao STF, Frias negou que os recursos tenham sido usados na produção do longa-metragem. Sua defesa diz que elas foram destinadas a projetos de inclusão digital, empreendedorismo e esportes.

A GoUp também teria recebido recursos do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, que está preso por suspeita de fraudar R$ 12 bilhões do sistema financeiro brasileiro e teria doado US$ 12,3 milhões para a produção de Dark Horse a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL).

Esse dinheiro, porém, não é alvo da operação desta quinta-feira, que investiga especificamente suspeitas de irregularidades envolvendo emendas parlamentares.

Além de Frias e Ferreira da Gama, outras 46 pessoas, cujas identidades não foram divulgadas, são alvo de buscas da Polícia Federal nesta quinta-feira.

Imagem BBC Brasil
Mario Frias em registro de 2021, quando era secretário de cultura de Jair Bolsonaro Crédito: Andressa Anholete/Getty Images

De ator de

Mario Frias, que começou sua carreira como ator, na extinta novela juvenil Malhação, é deputado federal por São Paulo.

Ele se elegeu em 2022. Mas sua entrada na vida política se deu em 2020, quando foi escolhido pelo então presidente Jair Bolsonaro para chefiar a Secretaria Especial de Cultura. Frias sucedeu a também atriz Regina Duarte.

Antes de assumir o cargo, ele havia se aproximado do núcleo bolsonarista ao defender a passagem de Duarte por Brasília. Ele, inclusive, esteve na posse da atriz.

Em maio daquele ano, em entrevista à CNN Brasil, Frias se colocou à disposição para assumir o cargo. "Olha só, para ser bem direto para o Jair: para o que ele precisar, estou aqui", afirmou.

Na mesma entrevista, disse que quem ocupasse a secretaria teria de seguir a linha adotada pelo governo. "Se eu entrar numa novela e achar que tenho que fazer personagem engraçado, mas ele é dramático, alguém vai me corrigir", afirmou. "Bolsonaro quer ver a pasta numa direção e até agora não conseguiu."

A entrevista rendeu um convite para um encontro com Bolsonaro. Os dois se reuniram em um almoço um dia antes do anúncio da saída de Duarte da secretaria de Cultura.

Imagem BBC Brasil
Regina Duarte ficou menos de três meses à frente da Secretaria de Cultura do governo Bolsonaro e foi sucedida por Mario Frias Crédito: Andre Borges/NurPhoto via Getty Images

A aproximação com Bolsonaro também ficou explícita nas redes sociais. O perfil de Frias, antes predominantemente ocupado por fotos de trabalhos na televisão e da família, passou a ser tomado por publicações políticas e de defesa do governo.

Ele usava a hashtag #FechadoComBolsonaro, compartilhava vídeos do presidente e criticava antigos integrantes do governo, como o então ministro da Justiça Sergio Moro, atual senador e candidato ao governo do Paraná.

Durante a pandemia de Covid-19, Frias também fez publicações defendendo o uso da cloroquina, embora o medicamento não tivesse eficácia comprovada contra a doença. Ele também passou a criticar a imprensa. Após a entrevista à CNN Brasil, por exemplo, atacou o que chamou de "jornalismo sujo".

Na Secretaria Especial de Cultura, Frias permaneceu até março de 2022, quando deixou o cargo para disputar sua vaga na Câmara dos Deputados.

A carreira de ator

Antes da política, Frias havia construído uma carreira de mais de duas décadas na televisão. Começou na Globo no fim dos anos 1990, depois de ser descoberto por olheiros da emissora que buscavam novos talentos em academias de ginástica e praias.

Seu primeiro papel de destaque foi Escova, na quarta temporada de Malhação, em 1998, em uma época em que a novela juvenil passava por uma renovação de elenco.

Com mechas loiras e perfil de surfista, o personagem era par romântico de Juliana Baroni. Frias só assumiria o posto de protagonista perto da virada do milênio, na sexta temporada da novela, quando interpretou Rodrigo, integrante do time de polo aquático da escola.

Depois de Malhação, Frias continuou na Globo e participou de produções como a minissérie O Quinto dos Infernos e as novelas As Filhas da Mãe e Senhora do Destino, na qual interpretou um deputado. Também voltou a aparecer em outras temporadas de Malhação.

Nesse período, Frias também se aventurou na música. Foi vocalista da banda de pop rock Zona Zero, que chegou a se apresentar no Disk MTV, mas não alcançou grande sucesso.

Sem contrato de exclusividade com a Globo, passou depois por outras emissoras, incluindo Bandeirantes e Record. Nos anos 2010, também trabalhou como apresentador, com programas na RedeTV! e no SBT.

Seu último trabalho na televisão foi A Melhor Viagem, game show que apresentou na RedeTV! entre julho e dezembro de 2019, pouco antes de ingressar na política.

A relação de Mario Frias e Karina Ferreria da Gama

Reportagens levantaram questionamentos sobre a execução dos projetos que, em tese, teriam sido financiados pelas emendas de Frias.

No caso de um projeto de empreendedorismo em Pirassununga, no interior de São Paulo, o portal UOL informou que a iniciativa não havia saído do papel e que o responsável técnico disse que as atividades previstas não foram realizadas.

O UOL apurou ainda que o Instituto Conhecer Brasil fez 18 pagamentos ao escritório do advogado Diego Aguilera, entre julho de 2024 e dezembro de 2025, que totalizaram R$ 454 mil. Aguilera defende Frias em diferentes processos, incluindo a investigação em curso no STF sobre a suspeita de direcionamento de emendas do deputado para a produção de Dark Horse.

Segundo a reportagem, os pagamentos foram feitos com recursos recebidos pelo Instituto Conhecer Brasil da Prefeitura de São Paulo para um projeto de instalação de pontos de wi-fi.

A relação de Mario Frias e Karina Ferreria da Gama

Reportagens levantaram questionamentos sobre a execução dos projetos que, em tese, teriam sido financiados pelas emendas de Frias.

No caso de um projeto de empreendedorismo em Pirassununga, no interior de São Paulo, o portal UOL informou que a iniciativa não havia saído do papel e que o responsável técnico disse que as atividades previstas não foram realizadas.

O UOL apurou ainda que o Instituto Conhecer Brasil fez 18 pagamentos ao escritório do advogado Diego Aguilera, entre julho de 2024 e dezembro de 2025, que totalizaram R$ 454 mil.

Aguilera defende Frias em diferentes processos, incluindo a investigação em curso no STF sobre a suspeita de direcionamento de emendas do deputado para a produção de Dark Horse.

Segundo a reportagem, os pagamentos foram feitos com recursos recebidos pelo Instituto Conhecer Brasil da Prefeitura de São Paulo para um projeto de instalação de pontos de wi-fi.

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