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Quatro grandes terremotos em poucos dias: há relação entre os tremores na Venezuela, Japão e EUA?

Apesar de incomum, tremores de magnitude mais elevada podem acontecer em horários próximos e não ter nenhuma relação, pois acontecem em sistemas diferentes de placas tectônicas.

Publicado em 25 de Junho de 2026 às 14:35

BBC News Brasil

Publicado em 

25 jun 2026 às 14:35
Imagem BBC Brasil
Um homem de motocicleta passa por estrada danificada após terremotos atingirem a Venezuela Crédito: Reuters
Dois terremotos com magnitude superior a 7 foram registrados na Venezuela na noite de quarta-feira (24/6) e deixaram dezenas de mortos e mais de uma centena de feridos.
Mas esse não foi o único lugar do mundo a registrar tremores mais fortes nesta data.
Horas antes, um terremoto de magnitude 5,6 aconteceu na Califórnia, nos Estados Unidos.
E, cerca de 30 minutos depois dos abalos sísmicos na Venezuela, foi a vez do Japão sentir o chão tremer, num evento com magnitude de 6,9.
A proximidade dos horários chamou atenção de algumas pessoas e virou tema de postagens em redes sociais.
Mas será que esses quatro terremotos têm alguma relação entre si?
A BBC News Brasil entrou em contato com o Serviço Geológico Britânico para encontrar a resposta para essa pergunta.
E, segundo especialistas da entidade, a resposta é não — e, embora seja incomum que tremores com magnitude mais elevada aconteçam em horários tão próximos, isso não significa que eles estejam conectados de alguma maneira.

Os tremores

O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês), mantém um site que registra os tremores registrados nas últimas horas.
Lá, é possível ver que, no dia 24 de junho, foram registrados quatro abalos que ultrapassaram a magnitude 5.
O primeiro aconteceu na Califórnia, nos Estados Unidos, às 16h10, no horário UTC+1 (Tempo Universal Coordenado, na sigla em inglês), que é equivalente ao atual horário de verão britânico, usado como padrão para medições do tipo.
A magnitude desse evento foi de 5,6.
Mais tarde, às 23h04, foi registrado o primeiro terremoto no norte da Venezuela, com magnitude 7,2.
Cerca de um minuto depois, às 23h05, veio o segundo terremoto no mesmo local, com uma magnitude ligeiramente maior, de 7,5.
Alguns minutos depois, às 23h30, o USGS detectou um novo tremor de magnitude 6,9 no Japão.
Imagem BBC Brasil
Terremotos acontecem a partir da interação entre placas tectônicas, e nem sempre eventos em horários próximos estão interligados Crédito: Getty Images

Coincidência incomum

O Serviço Geológico Britânico explica que os terremotos no norte da Venezuela "estão relacionados às complexas dinâmicas da placa tectônica do Caribe".
Essa placa interage com outras quatro placas tectônicas: a da América do Norte, da América do Sul, de Nazca e de Cocos.
Já os tremores no Japão estão relacionados às interações entre a placa tectônica do Pacífico e a placa de Okhotsk (que comumente é considerada como uma parte da placa da América do Norte).
Por fim, os abalos sentidos na Califórnia são causados pelas falhas geológicas que atravessam a região, sendo que a Falha de San Andreas é a mais famosa delas.
Ou seja: segundo os especialistas, apesar da proximidade de horários, todos esses fenômenos aconteceram em placas tectônicas distintas e não há nada, até o momento, que os conecte.
O Serviço Geológico Britânico calcula que, a cada ano, são esperados cerca de 100 terremotos com magnitude entre 6 e 7 em todo o planeta.
Estima-se que nesse mesmo período aconteçam entre 10 e 15 terremotos de magnitude 7 a 8.
E ocorrem um ou dois terremotos de magnitude maior que 8.
"Nós sabemos amplamente onde esses eventos podem ocorrer, mas não quando isso acontecerá", conclui o Serviço Geológico Britânico.

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