Publicado em 28 de fevereiro de 2026 às 21:11
O Irã respondeu neste sábado (28/2) com duas ondas de ataques a países do Oriente Médio após ser alvo de bombardeios dos Estados Unidos e de Israel em seu território.>
No total, foram alvos dos ataques Catar, Bahrein, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Jordânia e Iraque, além de Israel.>
Teerã começou o dia prometendo uma "resposta esmagadora", destacando que as agressões ocorreram "mais uma vez durante as negociações" com Washington sobre o programa nuclear iraniano.>
Na primeira bateria de ataques, durante a manhã de sábado, o regime dos aiatolás reagiu lançando mísseis contra Israel, o que foi confirmado pelo exército do país, e contra várias nações da região onde os Estados Unidos possuem interesses militares ou que são aliadas.>
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"Todos os territórios ocupados e as bases criminosas dos Estados Unidos na região foram atingidos pelos potentes impactos dos mísseis iranianos. Esta operação continuará sem descanso até que o inimigo seja derrotado de forma decisiva", afirmou a Guarda Revolucionária do Irã.>
Na tarde de sábado, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica anunciou uma nova onda de ataques com mísseis contra bases americanas no Oriente Médio, segundo informa a agência de notícias AFP, citando a televisão estatal iraniana. >
A amplitude dos alvos de Teerã nesta resposta é muito diferente da reação controlada de junho do ano passado, quando reagiu ao ataque dos EUA com o lançamento de alguns mísseis contra bases americanas na área, mas sem outros avanços.>
Segundo Frank Gardner, correspondente de Segurança da BBC News, "isso é diferente": "É mais grave e perigoso do que qualquer outra coisa anterior". >
Outro correspondente de segurança, Jonathan Beale, citou que o ataque iraniano à base da Marinha dos EUA no Bahrein "destacou lacunas nas defesas aéreas, o que vai preocupar Washington e seus aliados na região".>
A análise argumenta que apesar da superioridade militar dos EUA, o volume de mísseis e drones do Irã, que incluem milhares de mísseis balísticos e drones de ataque, significa que Washington pode não conseguir impedir completamente ações contra seus interesses na região.>
Mais cedo, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, informou que o país tem o direito de responder e proteger sua integridade.>
Araghchi manteve conversas telefônicas com seus homólogos de países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait, Bahrein e Iraque, comunicando que o Irã utilizará "todos os seus recursos defensivos e militares em virtude do legítimo direito à autodefesa". >
Ele também ressaltou que estes países têm a "responsabilidade de impedir o uso indevido de suas instalações e territórios" por parte dos Estados Unidos e de Israel para realizar ataques.>
Por sua vez, o Conselho Supremo de Segurança Nacional (SNSC) do Irã apontou que o "inimigo" assumiu erroneamente que o povo iraniano "se renderia às suas mesquinhas demandas mediante ações tão covardes".>
Segundo o SNSC, as forças armadas do Irã já haviam começado a tomar medidas de retaliação e se comprometeram a "manter continuamente informado o querido povo".>
Além disso, advertiu que as operações dos Estados Unidos e de Israel poderiam continuar em Teerã e outras cidades, instando os cidadãos a "manter a calma" e viajar para áreas mais seguras quando fosse possível para evitar perigos.>
Segundo informou a agência oficial de notícias iraniana Fars, o país tinha como objetivo atingir as bases aéreas Al Udeid no Catar, Ali Al Salem no Kuwait, Al Dhafra nos Emirados Árabes Unidos e a base naval da Quinta Frota dos Estados Unidos no Bahrein.>
Em Israel, as sirenes soaram em cidades como Jerusalém, e o país confirmou que as Forças de Defesa de Israel haviam interceptado mísseis lançados do Irã.>
Não houve informações de feridos.>
No entanto, as Forças de Defesa de Israel advertiram em um comunicado que "a defesa não é hermética e, portanto, é essencial que o público siga as diretrizes" das autoridades.>
Nos Emirados Árabes Unidos, o Ministério da Defesa afirmou em um comunicado que o país foi alvo de "um ataque flagrante com mísseis balísticos iranianos".>
"Os sistemas de defesa aérea dos Emirados Árabes Unidos responderam com grande eficácia e interceptaram com sucesso vários mísseis", acrescentou.>
No entanto, segundo o ministério, os destroços caíram sobre uma zona residencial de Abu Dhabi, a capital, causando alguns danos materiais e a morte de um civil cujo nome não foi revelado.>
A BBC, além disso, recebeu uma foto de uma testemunha ocular que mostra uma coluna de fumaça perto do hotel Fairmont The Palm, em Dubai.>
O governo de Dubai confirmou posteriormente o incidente e informou que quatro pessoas ficaram feridas e que o incêndio foi controlado.>
O governo dos emirados condenou o ataque como uma "escalada perigosa" e um "ato covarde", e sublinhou que "reserva-se todo o direito de responder".>
Não se sabe com certeza quais eram os objetivos do Irã nos emirados, mas existe presença militar americana no país.>
Em Abu Dhabi, a Força Aérea dos Emirados Árabes Unidos e a dos EUA dividem a base aérea de Al Dhafra.>
E o porto de Jebel Ali, em Dubai, é o maior porto que abriga a Marinha dos EUA no Oriente Médio, acolhendo porta-aviões e outros navios americanos.>
Bahrein, sede da Quinta Frota da Marinha dos Estados Unidos, também foi alvo de um ataque com mísseis do Irã.>
Imagens gravadas por testemunhas, postadas nas redes sociais e verificadas pela BBC mostram uma grande explosão nessa base naval.>
O Centro Nacional de Comunicações do Bahrein afirmou que o centro de serviços da Quinta Frota havia sido "objeto de um ataque com mísseis". Este centro é responsável pelas operações no Golfo, no Mar Vermelho, no Mar da Arábia e em partes do Oceano Índico.>
Outras imagens verificadas procedentes do Bahrein mostram colunas de fumaça escura enquanto soam as sirenes em toda a cidade.>
A embaixada dos EUA em Manama, a capital do pequeno país insular no Golfo Pérsico, emitiu um alerta de segurança no qual advertia sobre um "ataque iminente com drones ou mísseis no Bahrein", e instou os cidadãos americanos a se "refugiar no local onde se encontrem, revisar os planos de segurança em caso de ataque e permanecer alerta diante de possíveis ataques futuros".>
Em Doha, a capital do Catar, a correspondente da BBC Barbara Plett Usher também pôde ouvir explosões, e o Ministério da Defesa do país informou que havia interceptado vários mísseis, aparentemente direcionados contra a base aérea de Al Udeid, a maior base militar americana da região.>
O Ministério do Interior declarou, no entanto, que os ataques não haviam causado danos.>
"Temos recebido alertas de emergência em nossos telefones advertindo a população para que permaneça em suas casas. Ainda há trânsito nas estradas, mas menos que em outros dias", relatou Plett Usher.>
Em Doha, a base aérea de Al Udeid é o quartel-general avançado do Comando Central dos EUA.>
A Arábia Saudita confirmou que o Irã atacou Riad, advertindo que se reserva o direito de se defender.>
O reino expressou sua "mais enérgica condenação aos flagrantes e covardes ataques iranianos contra as regiões de Riad e a Província Oriental, que foram repelidos", declarou o Ministério das Relações Exteriores em um comunicado.>
"Diante desta agressão injustificada, o reino afirma que tomará todas as medidas necessárias para defender sua segurança e proteger seu território, seus cidadãos e seus residentes, inclusive com a opção de responder à agressão".>
Os EUA têm mais de 2.000 soldados na Arábia Saudita, alguns dos quais estão destacados a cerca de 60 km ao sul de Riad, na base aérea Príncipe Sultão.>
Essa base dá apoio aos ativos do Exército dos Estados Unidos, incluindo as baterias de mísseis Patriot e os sistemas de defesa antiaérea de grande altitude (THAAD).>
Os líderes da Arábia Saudita, Catar e Omã haviam instado anteriormente o governo de Donald Trump a não atacar o Irã.>
O coronel Saud Abdulaziz Al-Atwan, porta-voz do Ministério da Defesa do Kuwait, publicou no X que a base aérea Ali Al-Salem, onde a força aérea americana está presente, havia sido atacada por vários mísseis balísticos, mas que as forças de defesa aérea do país conseguiram interceptá-los.>
A BBC recebeu imagens registradas em uma rodovia do Kuwait que parecem mostrar as consequências de um ataque. Pode-se ver um caminhão em chamas, e o que parece ser um carro dos bombeiros.>
Mais tarde, a Autoridade Pública de Aviação Civil do Kuwait afirmou que um drone atacou o Aeroporto Internacional do Kuwait, assegurando que a situação estava sob controle.>
Na Jordânia, país vizinho de Israel, as forças armadas informaram que derrubaram dois mísseis balísticos que tinham como objetivo atingir o seu território.>
As autoridades jordanianas detalharam que caíram "objetos e escombros" em vários lugares do reino "sem causar vítimas, apenas danos materiais" e disseram que seguiam de perto os acontecimentos na região e reiteraram que a principal prioridade do reino era salvaguardar a segurança da sua população.>
De acordo com a agência Reuters, as defesas aéreas americanas derrubaram um drone sobre uma base militar americana perto de Erbil, no Iraque.>
A AFP, por sua vez, relatou que foram ouvidas explosões perto do consulado do país na cidade.>
Duas pessoas morreram em ataques aéreos contra uma base militar iraquiana que abrigava o poderoso grupo pró-Irã Kataeb Hezbollah, que ameaçou os Estados Unidos com uma resposta.>
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