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Por que pausa em ataques ao Irã deixa em duvida opção de Trump por diplomacia ou escalada no conflito

Por que pausa em ataques ao Irã deixa em duvida opção de Trump por diplomacia ou escalada no conflito

O compromisso do presidente dos EUA com os prazos é flexível, mas ele os utiliza com um propósito, analisa James Landale, da BBC

Publicado em 27 de março de 2026 às 18:34

Imagem BBC Brasil
null Crédito: AFP via Getty Images

A decisão de Donald Trump de adiar por mais 10 dias qualquer ataque a instalações energéticas do Irã pode ser um momento decisivo em um conflito que já dura quase quatro semanas.

O compromisso do presidente dos Estados Unidos com prazos é flexível — esta é a segunda vez que ele estende essa ameaça específica —, mas ele ainda assim os utiliza com um objetivo: enviar sinais, desviar a atenção e ganhar tempo.

Veja esta mais recente promessa de adiar uma possível "aniquilação" da infraestrutura energética do Irã — uma escalada massiva que poderia provocar retaliação iraniana contra instalações semelhantes no Golfo e prejudicar as chances de uma paz sustentável e de recuperação econômica global.

Pode ser que Trump tenha querido, mais uma vez, acalmar os mercados internacionais; não passou despercebido que essa nova pausa foi anunciada poucos minutos após o fechamento das negociações em Wall Street.

O presidente pode esperar que o mundo financeiro acredite em seus sinais positivos sobre a possibilidade de uma solução diplomática.

Certamente, mais 10 dias dão à Casa Branca tempo para encontrar uma saída política para o impasse estratégico em que se colocou.

Há, de fato, movimentações diplomáticas em curso. Mensagens estão sendo trocadas entre os Estados Unidos e o Irã por meio de intermediários, especialmente o Paquistão.

Ambos os lados podem estar apresentando listas maximalistas de exigências inconciliáveis, mas ainda há a possibilidade de uma reunião no Paquistão.

Diplomatas dizem que as expectativas são baixas. "Há muita encenação", afirmou um deles. "Há ceticismo de que surja um canal de comunicação confiável, capaz de sustentar negociações mais substanciais." Ainda assim, por ora, o presidente insiste que as conversas estão acontecendo e que vão bem.

No entanto, adiar um ataque à infraestrutura energética também dá aos Estados Unidos tempo para se preparar para essa ofensiva — e possivelmente para algo mais.

Imagem BBC Brasil
Os ataques dos EUA e de Israel contra o Irã continuam - como aconteceu em Teerã durante a noite - assim como a retaliação iraniana. Crédito: Getty Images

Vale lembrar que uma força expedicionária de cerca de 2.000 fuzileiros navais dos EUA já está a caminho do Oriente Médio, vinda do Japão. Vários milhares de paraquedistas americanos também estão sendo deslocados da Califórnia para a região. E o Pentágono se recusou a comentar uma reportagem do Wall Street Journal segundo a qual outros 10 mil soldados poderiam ser enviados.

Todas essas forças vão levar tempo para se reunir — tempo que Trump acabou de comprar para si.

Mas com qual objetivo? O presidente está ampliando suas opções militares? Planeja de fato uma invasão terrestre de áreas estratégicas no Irã? Ou tenta sinalizar à liderança iraniana que é melhor fechar um acordo ou enfrentar consequências ainda piores?

"Se eles não [fecharem um acordo], seremos o pior pesadelo deles", disse Trump na quinta-feira. "Vamos simplesmente continuar atacando sem parar."

Seja qual for a intenção de Trump, a pausa no ataque à infraestrutura energética apenas reforça o status quo no curto prazo.

Isso significa que os ataques atuais a alvos militares continuarão, a retaliação iraniana seguirá, e o Estreito de Ormuz permanecerá fechado para a maior parte do tráfego comercial.

Esse, aliás, é o ponto central do prazo imposto por Trump: as consequências de não reabrir essa rota marítima. A prorrogação, na prática, permite que o Irã mantenha as restrições ao estreito por mais dez dias.

Uma guerra que começou com discussões sobre mudança de regime e desmilitarização do Irã acabou se transformando, em grande parte, em uma disputa sobre quem controla um estreito marítimo crucial do qual depende a economia global.

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