Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

  • Início
  • Mundo
  • Por que países europeus estão retirando suas reservas de ouro da América do Norte?
Mundo

Por que países europeus estão retirando suas reservas de ouro da América do Norte?

Movimento parece ser uma resposta ao cenário global instável, com guerras comerciais e militares levando os países a manter suas reservas de ouro mais perto de casa

Publicado em 05 de Setembro de 2026 às 22:34

BBC News Brasil

Publicado em 

05 set 2026 às 22:34
Imagem BBC Brasil
Crédito: Getty Images

Quando o banco central da Holanda confirmou nesta semana que havia retirado toneladas do ouro do país da América do Norte, afirmou que a transferência o deixaria "mais bem preparado para crises graves".

Cerca de 86 toneladas, de um total de aproximadamente 313 toneladas mantidas nos Estados Unidos e no Canadá, foram transferidas para Londres "diante do aumento da instabilidade geopolítica", informou o banco.

A mudança permitiria que o metal precioso estivesse "prontamente disponível para ser usado em uma situação de crise".

As perguntas eram inevitáveis. Por que os holandeses estavam fazendo isso? Estariam prevendo algum grande choque econômico no horizonte?

Parece que não. Mas a mudança foi claramente uma resposta ao cenário instável e incerto em que o mundo se encontra, com guerras comerciais e militares levando os países a tomar precauções e manter suas reservas de ouro mais perto de casa.

No início deste ano, a França anunciou que havia retirado suas reservas de ouro dos Estados Unidos e as levado de volta para o território francês. Enquanto isso, o Bundesbank, o banco central alemão, transferiu mais de 216 toneladas do metal de locais de armazenamento no exterior (111 toneladas de Nova York e 105 toneladas de Paris) ao longo de alguns anos, até 2016.

É uma estratégia que já foi adotada em outros momentos de instabilidade global. "Alguns bancos centrais europeus transferiram parte de suas reservas de ouro para Nova York durante a Guerra Fria", disseram os analistas de pesquisa Lina Thomas e Daan Struyven, do Goldman Sachs.

Joseph Cavatoni, estrategista sênior de mercado do World Gold Council, disse à BBC que, embora as guerras e as tensões comerciais estivessem "influenciando algumas dessas decisões", elas não estavam "no topo da lista" dos fatores que motivaram as transferências.

A inflação, as taxas de juros e o simples fato de manter o ouro em um local onde ele possa ser negociado rapidamente também tiveram um papel importante.

"Não tenho a impressão de que haja algum desastre iminente", disse Cavatoni. "Mas acho que as pessoas estão mais bem informadas sobre como administrar seus ativos de reserva, como ampliar esses ativos e, na verdade, como pensar de maneira mais eficiente sobre como tirar o máximo proveito deles."

O De Nederlandsche Bank informou que o ouro retirado dos Estados Unidos e do Canadá entre março e agosto deste ano agora está armazenado nos cofres do Banco da Inglaterra.

"Esperamos nunca precisar usá-lo, mas precisamos fortalecer nossa resiliência e nossa preparação", disse o presidente do banco central holandês, Olaf Sleijpen.

Londres foi considerada a melhor opção por sua posição como um dos principais centros de negociação de ouro do mundo. Se for preciso comprar ou vender ouro rapidamente em uma situação de crise, Londres é o lugar certo para isso;

Imagem BBC Brasil
O Banco da Inglaterra, em Londres, guarda uma grande quantidade de barras de ouro em seus cofres Crédito: Getty Images

O Banco da Inglaterra é um dos maiores custodiantes de ouro do mundo. Sob a instituição de 300 anos, no centro de Londres, ficam cerca de 400 mil barras de ouro, avaliadas em mais de 200 bilhões de libras.

Segundo pesquisas do setor realizadas pelo World Gold Council, o Banco da Inglaterra continua sendo o local mais procurado para armazenar ouro, mas os bancos centrais estão diversificando cada vez mais os lugares onde guardam o metal.

A escolha de onde armazenar o ouro de um país está "cada vez mais no centro das preocupações dos responsáveis pela gestão das reservas", segundo Thomas e Struyven, do Goldman Sachs.

No mundo moderno, existem muitas maneiras de movimentar esse patrimônio. Os holandeses venderam cerca de 59 toneladas em Nova York e depois compraram uma quantidade equivalente em Londres, o que significa que esse volume não precisou ser transportado fisicamente através do Atlântico.

Mas mais de 27 toneladas foram "transferidas fisicamente" dos Estados Unidos e do Canadá para a cidade holandesa de Zeist. Uma quantidade semelhante também foi enviada de Zeist para Londres.

As empresas que realizam esse tipo de serviço são discretas sobre a maneira como as operações são feitas, mas é justo dizer que as medidas de segurança e o planejamento são extensos, para evitar quaisquer riscos de roubo.

Cavatoni, do World Gold Council, disse que uma das formas convencionais de transferir reservas de ouro é vender o metal em um lugar e comprá-lo em outro.

"Digamos que eu queira meu ouro em Nova York e que ele esteja em Londres. Eu poderia vendê-lo em Londres e comprá-lo em Nova York, no mesmo dia e no mesmo horário, fazendo efetivamente uma transferência contábil sem precisar submetê-lo a qualquer outra mudança logística."

Existem apenas algumas empresas especializadas no transporte de ouro entre países. Uma delas é a Brink's Global Services, que disse à BBC ter observado uma "maior demanda" por seus serviços por parte de bancos centrais nos últimos tempos.

"O aumento da incerteza geopolítica e econômica, juntamente com o papel cada vez maior do ouro como ativo estratégico de reserva, parece estar contribuindo para essa tendência", disse Nader Antar, vice-presidente executivo da Brink's.

Demanda por ouro nos bancos centrais

A razão pela qual o armazenamento de ouro está tão presente nas discussões dos bancos centrais é que eles vêm comprando cada vez mais deste metal. Mas mantê-lo dentro do próprio país tem um custo, explicam Thomas e Struyven, do Goldman Sachs.

"O armazenamento doméstico exige investimentos em segurança física, infraestrutura para auditorias e seguros... Custos que podem ser desproporcionais para bancos centrais menores", afirmaram.

Nos últimos quatro anos, os bancos centrais acumularam, em média, 1.000 toneladas de ouro por ano, um aumento significativo em relação à média de 500 toneladas anuais registrada na década anterior, segundo o World Gold Council.

Essa tendência remonta à crise financeira global. E a expectativa é de que ela se intensifique ainda mais no próximo ano.

O ouro vem vivendo um momento de alta nos últimos anos. Seu preço disparou e atingiu uma série de recordes, ultrapassando US$ 5.000 por onça em janeiro.

Há várias razões para essa alta, mas um dos principais fatores é a posição do metal precioso no imaginário humano como um chamado ativo de segurança, usado para investir durante períodos de turbulência financeira e geopolítica provocados por guerras comerciais e militares.

A inflação e as taxas de juros também influenciam a popularidade do ouro. Devido à escassez do metal e ao valor que lhe é atribuído há milhares de anos, ele é relativamente resistente à alta dos preços e, por isso, é visto como um bom investimento.

"Nos últimos 50 anos, o preço do ouro subiu muito mais rapidamente do que o Índice de Preços ao Consumidor (CPI), a medida de inflação mais acompanhada de perto", segundo o banco de investimentos Charles Schwab.

Embora o preço do ouro tenha caído em relação ao recorde registrado no início deste ano, ele continua em um patamar historicamente elevado.

Segundo pesquisadores do Goldman Sachs, a previsão é que o preço suba para US$ 4.900 por onça troy até o fim de 2026 — US$ 300 a mais do que em agosto.

Para Thomas e Struyven, a demanda por ouro por parte dos bancos centrais é um dos principais motivos para a alta dos preços.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Por que você nunca realmente supera a época de ensino médio: 'São lembranças que voltam o tempo todo'
Imagem de destaque
Como proteger as boas bactérias da sua boca
Imagem BBC Brasil
Sem polícia nos gabinetes: o pedido de Gilmar Mendes que expõe tensão entre ministros do Supremo

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados