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Por que Israel 'rebaixou' Brasil nas relações diplomáticas, segundo jornal

Segundo reportagem do Haaretz, Brasil não deu resposta sobre nova indicação à embaixada de Israel no Brasil.

Publicado em 25 de Agosto de 2025 às 23:25

BBC News Brasil

Publicado em 

25 ago 2025 às 23:25
Imagem BBC Brasil
Crédito: Getty Images/Reuters
Israel decidiu rebaixar sua relação diplomática com o Brasil após este não responder à indicação de um novo embaixador, segundo reportagem do jornal Haaretz.
O Brasil não teria respondido à indicação de Gali Dagan ao cargo, deixando de conceder o agrément — consentimento à nomeação de um diplomata estrangeiro para atuar em seu território.
A reportagem do jornal israelense foi publicada na segunda-feira (25/08) no horário brasileiro, terça-feira (26) em Israel.
"Após o Brasil, excepcionalmente, recusar-se a atender a um pedido de reunião do Embaixador Dagan, Israel retirou o pedido e as relações entre os países passaram a ser conduzidas em um nível diplomático inferior", disse o Ministério das Relações Exteriores de Israel ao Haaretz.
O ministério israelense acrescentou que "continua mantendo contato próximo com os diversos círculos de amigos que Israel mantém no Brasil".
A BBC News Brasil pediu posicionamento oficial do governo israelense e do Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty) e atualizará o texto em caso de resposta.
Celso Amorim, assessor para assuntos internacionais da Presidência da República, disse à TV Globo que o Brasil não vetou o nome, apenas deixou de responder à indicação.
"Não respondemos. Simplesmente não demos. Eles entenderam e desistiram. Eles humilharam nosso embaixador lá, uma humilhação pública. Depois daquilo, o que eles queriam?", indagou Amorim.
O assessor provavelmente se referia a um episódio ocorrido em fevereiro de 2024, envolvendo o diplomata brasileiro Frederico Meyer.
Imagem BBC Brasil
O então ministro das Relações Exteriores Israel Katz ao lado do diplomata brasileiro Frederico Meyer em ocasião considerada pelo Brasil como um insulto Crédito: EPA
Na ocasião, o então embaixador do Brasil em Israel foi convidado para um evento no Museu do Holocausto, onde ouviu que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tornou-se "persona non grata" no país e não era mais bem-vindo em Israel.
Pouco antes, Lula havia comparado a ofensiva isralense contra Gaza ao Holocausto — quando milhões de judeus foram mortos e perseguidos pelos nazistas.
Na ocasião, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que a comparação havia ultrapassado "a linha vermelha".
O governo brasileiro considerou a situação em que Meyer foi colocado como um insulto ao país.
Em maio de 2024, Lula decidiu retirar Meyer de Israel, que ficou sem um embaixador brasileiro.
A guerra em Gaza foi desencadeada pelo ataque liderado pelo grupo palestino Hamas a Israel em 7 de outubro. Na ocasião, cerca de 1.200 pessoas foram mortas e outras 251 foram levadas para Gaza como reféns.
Israel respondeu com uma grande ofensiva militar que dura até hoje e matou mais de 62.744 pessoas no território palestino, segundo dados do Ministério da Saúde administrado pelo Hamas (e considerados confiáveis ​​pelas Nações Unidas).
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