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Papa Leão 14 critica 'tiranos' que gastam bilhões em guerras, após ataque de Trump

Os comentários do pontífice ocorreram durante sua viagem à África, após uma disputa pública entre ele e o presidente americano, Donald Trump.
BBC News Brasil

Publicado em 

16 abr 2026 às 15:33

Publicado em 16 de Abril de 2026 às 15:33

Imagem BBC Brasil
Crédito: Getty Images
O papa Leão 14 criticou nesta quinta-feira (16/4) os líderes que gastam bilhões em guerras, afirmando que o mundo está "sendo assolado por um grupo de tiranos", durante sua visita a Camarões.
Em uma declaração incomumente contundente, o pontífice atacou aqueles que, segundo ele, manipularam "o próprio nome de Deus" em seu benefício, ao visitar uma região devastada por insurgentes no país africano.
Os comentários do papa vieram poucos dias depois de uma disputa pública com o presidente dos Estados Unidos. Donald Trump publicou um longo ataque verbal ao pontífice, que havia criticado abertamente a operação militar dos Estados Unidos e Israel no Irã.
Leão 14 já havia expressado sua preocupação sobre a ameaça de Trump, de que "uma civilização inteira iria morrer" se o Irã não concordasse com as exigências americanas para o fim da guerra, abrindo o estreito de Ormuz.
Imagem BBC Brasil
A visita do papa ao continente africano inclui escalas em 11 cidades de quatro países, incluindo Camarões Crédito: Getty Images
Primeiro papa nascido nos Estados Unidos, Leão 14 também já havia questionado anteriormente a política de imigração do governo Trump.
"Leão deveria agir de forma mais responsável como papa", escreveu Trump na época, na rede Truth Social.
No início da sua viagem à África, o papa declarou aos repórteres que não deseja entrar em debate com Trump, mas que continuaria promovendo a paz.
Falando em Camarões, Leão 14 criticou os líderes que "fazem vista grossa para o fato de que bilhões de dólares são gastos em morte e devastação, enquanto os recursos necessários para a cura, educação e reconstrução não aparecem em lugar nenhum".
"Os senhores da guerra fingem não saber que é necessário apenas um momento para destruir, mas, às vezes, é preciso uma vida inteira para reconstruir", disse ele, na quinta-feira (16/4).
Imagem BBC Brasil
Crédito: Reuters
O papa também condenou o "ciclo sem fim de desestabilização e morte" em uma região camaronesa "ensanguentada", que se encontra nas mãos da insurgência há quase uma década.
"Aqueles que roubam os recursos de uma terra geralmente investem grande parte dos lucros em armas, perpetuando um ciclo sem fim de desestabilização e morte", declarou o pontífice ao público reunido em uma catedral na cidade de Bamenda, no noroeste de Camarões.
O local é o centro da violência que já deixou pelo menos 6 mil pessoas mortas e muitas outras deslocadas.
"A paz não é algo que precisamos inventar. É algo que precisamos abraçar, aceitando nosso vizinho como irmão ou irmã."
Insurgentes separatistas em duas regiões de fala inglesa de Camarões vêm lutando contra o governo, predominantemente de fala francesa, desde 2017.
Após o discurso de Leão 14, a arcebispa da Cantuária, Sarah Mullally, afirmou apoiar o papa pela sua "corajosa convocação por um reino de paz".

As desavenças

A guerra no Irã vem aumentando cada vez mais a distância entre o papa e o governo Trump.
Pouco depois dos primeiros ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, recitou uma oração muito controversa em um serviço religioso no Pentágono. Ela falava em "violência esmagadora" e "justiça executada com rapidez e sem remorso".
Em seguida, durante a missa do Domingo de Ramos (29/3) na Praça de São Pedro, no Vaticano, o papa declarou que o conflito entre o Irã, Israel e os Estados Unidos é "atroz" e que Jesus não poderia ser usado para justificar a guerra.
"Este é o nosso Deus: Jesus, o rei da paz, que rejeita a guerra, que ninguém pode usar para justificar a guerra", declarou Leão 14 a milhares de fiéis reunidos no Vaticano. "Ele não ouve as orações daqueles que travam guerras e sim as rejeita."
O pontífice também citou a passagem bíblica em Isaías 1:15: "Ainda que multipliqueis as vossas orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue."
No início desta semana, Trump lançou um ataque mordaz ao papa nas redes sociais. Ele descreveu o líder da Igreja Católica como "FRACO no combate ao crime e péssimo em política externa".
Trump também publicou uma imagem retratando a si próprio como uma figura parecida com a de Jesus.
Posteriormente, ele repetiu as críticas e se recusou a pedir desculpas, embora tenha apagado a imagem gerada por IA.
Questionado sobre os comentários do presidente americano na chegada a Argel, na Argélia, Leão 14 respondeu que "não tem medo" do governo Trump e que continuaria a falar contra a guerra.
Imagem BBC Brasil
Muitos cristãos ficaram ofendidos com a imagem postada por Trump na sua rede Truth Social e eliminada posteriormente Crédito: Getty Images
O extenso itinerário do líder da Igreja Católica na África inclui escalas em 11 cidades espalhadas por quatro países. É a sua segunda maior visita ao exterior desde a eleição ao papado em 2025, refletindo a importância do catolicismo no continente africano.
Mais de 20% dos católicos do planeta (cerca de 288 milhões de pessoas) moram na África, segundo dados de 2024.

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