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Denúncia

ONU critica apreensão de crianças separadas dos pais nos EUA

Uma vez que os pais cumpram a sentença, os filhos às vezes são deportados com eles e às vezes permanecem, em função do caso, explicitou uma porta-voz
Redação de A Gazeta

Publicado em 

05 jun 2018 às 20:34

Publicado em 05 de Junho de 2018 às 20:34

Muro na fronteira entre os Estados Unidos e o México Crédito: Divulgação/Agência Lusa
Centenas de crianças da América Central foram detidas na fronteira sul dos Estados Unidos e separadas dos pais desde outubro do ano passado. A denúncia foi feita nesta terça-feira (5) pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (Acnudh).
"O interesse das crianças sempre tem que estar em primeiro lugar. A maioria destas famílias saiu da Guatemala, de Honduras e de El Salvador fugindo de situações de insegurança crescente e deveria ser protegida. Pedimos aos Estados Unidos para pararem imediatamente com a separação das famílias", disse, em entrevista coletiva, a porta-voz da organização, Ravina Shamdasani.
Ela explicou que, em janeiro de 2017, quando Donald Trump assumiu a presidência, os Estados Unidos começaram a aplicar a política de “tolerância zero” com os imigrantes irregulares. Atualmente, adultos são detidos e presos e crianças ficam retidas em centros de internamento para refugiados. "Não tem nada de normal em deter uma criança, sempre constitui uma violação dos seus direitos", enfatizou.
Uma vez que os pais cumpram a sentença, os filhos às vezes são deportados com eles e às vezes permanecem, em função do caso, explicitou a porta-voz.
"A separação de crianças dos pais é uma violação séria dos direitos dos menores. O governo dos Estados Unidos é o único no mundo que não ratificou a Convenção sobre os Direitos da Criança, mas isso não os exime de zelar e cumprir esses direitos", acrescentou a porta-voz.
Ravina Shamdasani explicou que os direitos das crianças sempre devem ser prioridade e estar acima de qualquer política migratória e aproveitou para pedir à administração americana que "pare de criminalizar os imigrantes", e comece a ajudá-los. Ela sustentou que o governo deve encontrar soluções administrativas para os imigrantes ilegais e buscar alternativas à custódia das crianças.
ACNUR
Por sua vez, o porta-voz da Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), William Spindler, acrescentou que proteger a unidade da família é um direito fundamental dos refugiados.
"A unidade da família é sagrada e sempre deveria ser preservada pelo interesse das crianças e da sociedade como um todo", defendeu.
Ele lembrou que Honduras, Guatemala e El Salvador experimentam altos níveis de violência e que as crianças frequentemente são alvo e alertou que a detenção deveria ser "a última opção" sempre. Segundo ele, estes imigrantes irregulares devem ter o direito de ser ouvidos e solicitar proteção internacional.
CULPA DOS DEMOCRATAS
Ao comentar o caso nas redes sociais, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, garantiu que a separação de famílias de imigrantes após cruzarem para o país é culpa dos democratas e voltou a defender a construção de um muro na fronteira.
"Separar famílias na fronteira é uma falha da péssima legislação aprovada pelos democratas. As leis de Segurança Fronteiriça devem ser modificadas, mas os democratas não conseguem chegar a um acordo! Começamos o Muro", escreveu Trump no Twitter.
No fim de semana, o presidente já tinha qualificado como "horrível" a legislação, apesar de seu governo ter apoiado essa política.
Na semana passada, o subdiretor do programa de operações do Escritório de Alfândega e Proteção Fronteiriça, Richard Hudson disse que, entre os dias 6 e 19 de maio, um total de 658 crianças e 638 adultos foram separados na fronteira com o México.
Trump criticou de maneira reiterada as leis migratórias americanas como "as piores do mundo" e defendeu a necessidade de fortalecer a segurança fronteiriça, com seu polêmico projeto de construção de um muro com o México.

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