Publicado em 29 de setembro de 2024 às 19:19
O assassinato de Hassan Nasrallah por Israel, o líder de longa data do Hezbollah, representa uma grande escalada na guerra entre o país e o grupo militante libanês.>
Os acontecimentos dos últimos dias aproximaram ainda mais o Oriente Médio de um conflito muito mais amplo e ainda mais prejudicial, que envolve tanto o Irã quanto os Estados Unidos. >
Os ataques israelenses contra alvos do Hezbollah continuaram ao longo deste sábado (28/9), com as Forças de Defesa de Israel (IDF) afirmando terem matado mais uma figura da liderança do grupo libanês. >
Mas o que pode acontecer daqui para frente?>
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A resposta para essa pergunta depende, em grande parte, de outras três questões básicas.>
O Hezbollah está se recuperando após sofrer um golpe atrás do outro. >
Sua estrutura de comando foi decapitada, com mais de uma dúzia de comandantes de alto escalão assassinados. Suas comunicações foram sabotadas com as detonações chocantes de seus pagers e walkie-talkies, e muitas de suas armas foram destruídas em ataques aéreos.>
"A perda de Hassan Nasrallah terá implicações significativas, potencialmente desestabilizando o grupo e alterando suas estratégias políticas e militares no curto prazo", diz o analista de segurança do Oriente Médio baseado nos EUA Mohammed Al-Basha. >
Mas qualquer expectativa de que esta organização veementemente anti-Israel desista de repente e busque a paz nos termos de Israel está provavelmente equivocada.>
Na manhã deste domingo (29/9), as forças de Israel afirmaram ter identificado mísseis cruzando do Líbano para Israel, que dizem ter caído em áreas abertas.>
O Hezbollah já prometeu continuar em sua luta. O grupo ainda tem milhares de combatentes, muitos deles veteranos recentes de combate na Síria - e todos eles parecem estar exigindo vingança.>
A organização libanesa ainda tem um arsenal substancial de mísseis, com muitas armas de longo alcance e guiadas com precisão que podem atingir Tel Aviv e outras cidades israelenses. >
Certamente haverá pressão dentro das fileiras do Hezbollah para usá-las em breve, antes que também sejam destruídas.>
Mas se o grupo de fato decidir usar essas armas, em um ataque em massa que sobrecarregue as defesas aéreas de Israel e mate civis, a resposta de Israel provavelmente será devastadora, causando estragos na infraestrutura do Líbano ou até mesmo se estendendo ao Irã.>
O assassinato de Hassan Nasrallah é um golpe tanto para o Irã quanto para o Hezbollah. Teerã anunciou cinco dias de luto após a morte do líder do grupo libanês.>
O líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, disse que o ataque "não ficará sem vingança".>
Segundo Khamenei, a ofensiva contrária a Israel se tornará "ainda mais poderosa".>
Ele disse ainda que, embora a frente de resistência tenha perdido um "porta-estandarte notável" e o Líbano tenha perdido um "líder incomparável", o Hezbollah se tornará mais forte.>
O país, porém, tomou uma série de precauções de emergência, como esconder Ali Khamanei caso ele também seja alvo de tentativas de assassinato.>
O Irã ainda não retaliou pelo assassinato em julho do líder político do Hamas Ismail Haniyeh em Teerã, um golpe que foi considerado uma grande humilhação para o país, segundo especialistas. >
Mas os últimos acontecimentos devem fazer com que os membros linha-dura do regime iraniano contemplem algum tipo de resposta.>
O Irã tem uma galáxia inteira de milícias aliadas fortemente armadas ao redor do Oriente Médio, que compõem o chamado "Eixo da Resistência".>
Além do Hezbollah e do Hamas, o eixo é formado pelos houthis no Iêmen e vários grupos na Síria e no Iraque. O Irã poderia muito bem pedir a esses grupos que intensificassem seus ataques às bases israelenses e americanas na região.>
Mas qualquer que seja a resposta escolhida pelo Irã, o país provavelmente calibrará seus cálculos para que suas consequências parem pouco antes de desencadear uma guerra que não pode esperar vencer.>
Nenhum dos lados quer uma guerra regional em grande escala, mas ao mesmo tempo ninguém quer parecer fraco.>
Se ainda restavam dúvidas antes da morte de Hassan Nasrallah, elas provavelmente desapareceram agora.>
Israel claramente não tem intenção de pausar sua campanha militar para o cessar-fogo de 21 dias proposto por 12 nações, incluindo seu aliado mais próximo, os Estados Unidos.>
Os ataque aéreos israelenses continuam neste domingo, com mais alvos do Hezbollah na mira.>
As IDF afirmaram ter matado outra figura de liderança do Hezbollah no sábado. Segundo os militares israelenses, Nabil Qaouk, chefe do conselho de segurança preventiva do Hezbollah e membro-chave do seu conselho central, foi morto por caças.>
Neste domingo, Israel afirmou ainda que atingiu "dezenas" de alvos do Hezbollah durante a noite. Segundo a imprensa libanesa, pelo menos 15 pessoas foram mortas>
Israel acredita ter o Hezbollah na defensiva agora, o que provavelmente significa que vai querer continuar com sua ofensiva até que a ameaça que os mísseis do grupo libanês representam seja removida.>
Mas a menos que o Hezbollah ceda - o que é improvável - é difícil imaginar como Benjamin Netanyahu pode atingir seus objetivos em relação ao grupo sem uma operação por terra. >
As IDF divulgaram imagens de um treinamento da sua infantaria perto da fronteira para esse propósito.>
Mas o Hezbollah também passou os últimos 18 anos, desde o fim da última guerra, treinando para lutar na próxima. >
Em seu último discurso público antes de sua morte, Nasrallah disse a seus seguidores que uma incursão israelense no sul do Líbano seria, em suas palavras, "uma oportunidade histórica".>
Para as IDF, entrar no Líbano seria relativamente fácil. Mas sair poderia - como acontece em Gaza - levar meses.>
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