Publicado em 25 de outubro de 2024 às 17:35
Era a última entrega da noite quando Alan José de Lima, de 35 anos, foi atacado por dois adolescentes em Dublin, na Irlanda.>
O entregador brasileiro conta que, logo após fazer a entrega de comida em uma das casas da rua, às 22h, ele foi cercado por dois adolescentes - que gritavam e usavam touca ninja para cobrir o rosto - e foi golpeado com uma lixeira de ferro na perna esquerda.>
Alan conta que caiu no chão na hora e não conseguiu mais levantar.>
"Dava pra sentir que eles tinham ódio. Gritei help (ajuda, em inglês) o mais forte que consegui, senão eles iam me matar. A dor era insuportável. Eles quebraram o meu celular e levaram a minha bicicleta elétrica, que é o meu instrumento de trabalho.">
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O caso ocorreu em 12 de outubro, no bairro de Finglas, na zona norte de Dublin.>
Alan foi socorrido por quatro irlandeses que passavam de carro na hora.>
Ele foi levado para o hospital de Connolly Blanchardstown, onde foi operado e ficou internado por uma semana.>
Alan sofreu ferimentos graves, incluindo fraturas na tíbia e no joelho, e precisou fazer cirurgia para inserção de placas de metal na perna.>
“O médico me explicou que a lesão foi grave e muito próxima de uma artéria perto do joelho. Foram mais de 6 horas de cirurgia. Vou precisar de muita fisioterapia.”>
A polícia irlandesa, que investiga o caso, não informou se os suspeitos foram localizados.>
O caso foi amplamente noticiado pela imprensa irlandesa, publicado em jornais tradicionais, como o The Irish Times e o Irish Mirror, e foi mencionado como um ato de violência severa contra imigrantes.>
Até 2021, antes de se mudar para Dublin, Alan era maratonista amador no Rio de Janeiro, e agora tem dúvidas se poderá voltar a correr.>
Ele é de Guaratiba, na zona oeste do Rio de Janeiro, e diz que decidiu imigrar para fugir da violência.>
“Resolvi vir para a Europa em busca de descanso e paz. Vendi a minha casa própria do Brasil, que construí com muito esforço e sacrifício, para me mudar, porque eu não aguentava mais ser assaltado toda semana.”>
O carioca que coleciona medalhas de corridas trabalhava no Brasil como vendedor de roupas e também salva-vidas.>
Alan diz que o mais recente episódio de violência não é caso isolado.>
“Não é a primeira violência que sofro aqui, sempre sou xingado e já jogaram ovo no meu olho no ano passado. Os 'nanas' nos agridem pela cor da nossa pele, porque somos estrangeiros”, diz.>
'Nanas' é o apelido dado pela comunidade brasileira aos jovens que atacam indivíduos, frequentemente estrangeiros, na Irlanda. O relato é de que eles costumam andar sempre juntos, se dizem integrantes de gangues e usam moletons e tênis.>
“Sinto muito medo. E é uma sensação de impotência. A gente não pode revidar nem em legítima defesa, senão toma cadeia.”>
Na internet, a comunidade brasileira na Irlanda se mobilizou.>
Como Alan ficará meses sem conseguir exercer a atividade de entregador, um grupo de amigos organizou uma vaquinha virtual que já arrecadou mais de 10 mil euros, com aproximadamente 400 doações. A ideia é que os recursos sejam destinados para o sustento de Alan nesse período e para a sua recuperação, como os custos de medicamentos, fisioterapia e também a compra de uma nova bicicleta.>
Procurada pela reportagem, a Embaixada do Brasil em Dublin disse que tem prestado assistência consular e mantido contato com o Alan José de Lima.>
“Foi-lhe oferecida a possibilidade de atendimento psicológico e fornecidas orientações para o encaminhamento jurídico do caso, bem como apoio na interlocução com as autoridades policiais. A Embaixada seguirá acompanhando o caso e prestando a assistência cabível ao brasileiro.”>
A embaixada afirmou, ainda, que “acompanha com atenção todos os episódios de violência contra cidadãos brasileiros na Irlanda”.>
“Neste ano de 2024, em pelo menos três ocasiões, representantes da Embaixada se reuniram com autoridades irlandesas, inclusive com o Comandante Geral da Polícia Nacional (Garda Síochána), para tratar do tema e solicitar medidas preventivas e informações sobre os encaminhamentos judiciais de casos que envolveram ataques a cidadãos brasileiros.”>
“O Embaixador do Brasil na Irlanda também manteve reuniões com representantes da comunidade brasileira para colher informações e discutir com as autoridades irlandesas medidas em favor da segurança dos brasileiros.”>
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