Publicado em 16 de abril de 2024 às 05:59
O presidente da Argentina, Javier Milei, escreveu uma nova carta endereçada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na busca por uma aproximação entre os governos. A chanceler argentina, Diana Mondino, primeira ministra a ser enviada por Milei para uma visita oficial ao Brasil, entregou a carta em Brasília, nesta segunda-feira, dia 15. A entrega da carta foi noticiada pela Folha de S. Paulo e confirmada pelo Estadão.>
Mondino foi recebida no Palácio do Itamaraty pelo ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores). Eles tiveram uma reunião privada, uma reunião ampliada e depois deram uma declaração à imprensa e responderam perguntas de jornalistas, antes de almoçarem juntos e com integrantes dos dois governos. Ela também foi recebida pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, mas não pelo petista.>
O Estadão apurou que o conteúdo não veio a público ainda, porque o ministro Mauro Vieira ficou de entregar a carta ainda lacrada ao presidente Lula. Mas a missiva é uma nova forma de reiterar a "prioridade na relação com o Brasil", segundo a ministra disse a interlocutores da diplomacia brasileira.>
A chanceler tem pregado uma relação pragmática por parte de Milei. Questionada sobre um encontro entre ambos, Mondino despistou e argumentou que as agendas internacionais de ambos são "complexas", mas que "em algum momento teremos que esperar por isso".>
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A estratégia de Milei tem sido falar reservadamente e por escrito com Lula, mas isso não deve ser o suficiente. O Palácio do Planalto desconfia da aparente "moderação" e quer um gesto público de Milei em sinal de desculpas a Lula.>
Trata-se da terceira carta de Milei a Lula desde sua eleição, marcada por divergências, ofensas e provocações na campanha eleitoral para a Casa Rosada. O argentino, ícone da direita regional e aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, mandou uma carta para convidar Lula a sua posse - o que foi ignorado pelo petista - e depois escreveu outra comunicando a decisão de não ingressar no Brics. Nesta segunda, ele disse que aguardava por um momento para se reunir com Lula pela primeira vez.>
Existe um calendário internacional que pode levar Lula e Milei aos mesmos eventos em 2024: uma reunião de presidentes sul-americanos em Santiago, que o governo chileno tenta promover em meados de maio, e as cúpulas já agendadas do G-7 na Puglia, Itália, do Mercosul em Assunção, no Paraguai, em julho, e do G-20, no Rio, em novembro.>
Ministra de Milei recua em posição sobre Elon Musk>
Durante a visita, Diana Mondino afirmou que o governo argentino não pretende intervir em questões internas do País, depois de Javier Milei ter oferecido "a ajuda que precisasse" ao magnata Elon Musk, dono do X (antigo Twitter), que trava embate com o Supremo Tribunal Federal (STF).>
"Os temas internos e judiciais de cada país são próprios de cada país. O governo argentino jamais vai interferir nos processos democráticos ou nos processos judiciais de cada país. Confiamos na Justiça de cada país. Nós defendemos a liberdade de expressão em todos os sentidos", disse em resposta a questionamento de jornalistas no Itamaraty.>
Musk passou a ser investigado no Brasil depois de acusar o ministro do STF Alexandre de Moraes, a quem chamou de "ditador", de censura e ameaçar descumprir decisões judiciais no Brasil.>
Como mostrou o Estadão, a declaração de Milei em encontro com Elon Musk na semana passada pegou de surpresa os diplomatas que estavam envolvidos na organização da visita de Diana Mondino a Brasília e interrompeu a trajetória de pacificação que vinha sendo sinalizada. Isso porque o teor da manifestação foi percebido no governo brasileiro como um posicionamento evidente a favor da narrativa de Musk.>
Nesse contexto, a passagem de Mondino por Brasília serve para testar se os governos conseguem avançar em um trabalho conjunto, apesar das divergências.>
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