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Guerra

Irã reage a ameaça de Trump e fala em 'incitação ao genocídio'

Presidente norte-americano diz que 'uma civilização inteira morrerá' nesta terça (7), fim de ultimato dado à República Islâmica
Agência FolhaPress

Publicado em 

07 abr 2026 às 17:34

Publicado em 07 de Abril de 2026 às 17:34

BRASÍLIA - As ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que "uma civilização inteira morrerá" caso Washington não chegue a um acordo com o Irã até a noite desta terça-feira (7) "constituem incitação a crimes de guerra e potencialmente genocídio", afirmou o representante da República Islâmica nas Nações Unidas, Amir-Saeid Iravani.
O representante participou da reunião do Conselho de Segurança da ONU nesta terça (7) que votou uma proposta do Bahrein, presidente rotativo do colegiado, para desobstrução do estreito de Hormuz, bloqueado pelo Irã desde o início do conflito. A proposta foi derrubada por posição contrária de China e Rússia, membros permanentes que têm poder de veto no órgão e são aliadas de Teerã.
Amir-Saeid Iravani, Iran's Ambassador to the United Nations, addresses members of the United Nations Security Council
Iravani diz que Irã não ficará parado diante de crimes de guerra flagrantes Crédito: REUTERS/Shannon Stapleton
Iravani pediu à comunidade internacional que denuncie a retórica de Trump. "O Irã não ficará parado diante de crimes de guerra tão flagrantes. Exercerá, sem hesitação, seu direito inerente de legítima defesa e tomará medidas recíprocas imediatas e proporcionais", afirmou o representante.
Entre ameaças e recuos, Trump já afirmou também que mandará o Irã "de volta à Idade da Pedra", indicando que atingiria a produção de petróleo do país persa, pontes e usinas elétricas.
Ofensivas à infraestrutura de uso civil são amplamente vistas como crimes de guerra, embora agressores, em geral, tentem defender que são usadas por forças militares e, portanto, são alvos legítimos. Argumentos do tipo são usados pela Rússia na guerra da Ucrânia e por Israel em ataques ao sul do Líbano contra o Hezbollah.
Trump fez um ultimato a Teerã para a reabertura do estreito de Hormuz, por onde passam cerca de 20% do petróleo mundial. Nos últimos dias, o republicano vem reforçando o prazo que deu à liderança persa: esta terça, 21h, pelo horário de Brasília.
O presidente americano também disse que, caso não haja acordo até lá, "todas as pontes e todas as usinas de energia" do Irã serão destruídas a partir de 1h de quarta (8). "Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá", escreveu Trump na sua rede, a Truth Social.
Na reunião do Conselho de Segurança, China e Rússia disseram que a resolução para liberar Hormuz era tendenciosa contra o Irã.
O embaixador chinês na ONU afirmou que aprovar o texto em um momento em que os EUA fazem ameaças graves ao país persa enviaria "a mensagem errada". Já o representante russo afirmou que os dois países trabalham em uma proposta alternativa sobre a situação no Oriente Médio, incluindo a segurança marítima.
Sem surpresas, os EUA criticaram o posicionamento de Moscou e de Pequim. O embaixador americano na ONU, Mike Waltz, disse que os vetos representam "um novo nível de baixeza" e acusou os dois países de se alinharem a Teerã. Segundo ele, o bloqueio do estreito tem impedido a chegada de ajuda humanitária a regiões como Congo, Sudão e Faixa de Gaza.

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