Publicado em 28 de março de 2026 às 07:34
Os houthis do Iêmen, aliados do Irã, reivindicaram neste sábado (28/03) seu primeiro ataque contra Israel desde o início do atual conflito no Oriente Médio. >
O grupo afirma ter disparado uma série de mísseis balísticos "almejando alvos militares israelenses sensíveis" em resposta aos ataques contra o Irã, o Líbano, o Iraque e os territórios palestinos. >
Os houthis disseram ainda que suas operações continuarão até o fim da "agressão" em todas as frentes.>
Mais cedo neste sábado, as Forças de Defesa de Israel (IDF) confirmaram ter interceptado um míssil lançado do Iêmen.>
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O envolvimento direto dos houthis no conflito amplia os temores de uma expansão da guerra, segundo especialistas. >
Para Jo Floto, chefe do escritório da BBC News no Oriente Médio, em Jerusalém, a intervenção abre uma nova frente do conflito na península Arábica.>
E segundo o pesquisador Farea Al-Muslimi, do centro de estudos britânico Chatham House, o novo desdobramento é de "enorme importância" diante da influência que os houthis mantém no Mar Vermelho. >
O grupo já ameaçou bloquear e atacar o Estreito de Bab el-Mandeb, situado entre o Iêmen, Djibuti e Eritreia. O estreito controla o tráfego marítimo em direção ao Canal de Suez e transporta cerca de 12% do petróleo comercializado por via marítima no mundo.>
No último mês, a rota ganhou ainda mais importância ao se tornar uma alternativa para o escoamento de petróleo do Oriente Médio, diante do fechamento do Estreito de Ormuz.>
Em outros momentos, como durante a guerra em Gaza, o Estreito de Bab el-Mandeb já foi alvo dos houthis, que bloquearam a rota atacando navios, usando drones e mísseis.>
Ao ser questionado sobre o quão disruptivo seria outro bloqueio efetivo do estreito, Al-Muslimi afirmou que seria "um pesadelo". >
"Já temos um pesadelo, e isso só o tornaria ainda pior", disse o especialista. >
Na quinta-feira (26/3), a agência semioficial iraniana Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária, informou que os houthis — grupo armado do Iêmen apoiado pelo Irã— estariam prontos para assumir o controle do estreito como parte do que chamam de "forças de resistência".>
"Se houver necessidade de controlar o Estreito de Bab el-Mandeb para punir ainda mais o inimigo, os heróis do Ansar Allah do Iêmen estão totalmente preparados para desempenhar um papel fundamental", disse uma fonte militar iraniana à agência, acrescentando que os houthis já provaram que fechar a rota "é uma tarefa fácil para eles".>
No dia anterior, a mesma Tasnim já havia publicado uma advertência feita por uma fonte: "Se os americanos quiserem pensar em uma solução para o Estreito de Ormuz com medidas imprudentes, devem ter cuidado para não adicionar outro estreito aos seus problemas", disse a fonte, em referência à movimentação de tropas americanas na região.>
Antes mesmo do ataque deste sábado, o líder houthi Abdul Malik Al-Houthi já havia reforçado as ameaças sobre uma escalda, dizendo que o grupo responderia militarmente a ataques dos EUA e de Israel caso os desdobramentos da guerra exigissem, segundo noticiou a Bloomberg.>
À Reuters, um outro dirigente houthi, em anonimato, afirmou que eles estão "militarmente prontos" para atacar o Estreito de Bab el-Mandab em apoio a Teerã.>
"Estamos com todas as opções à nossa disposição. A decisão sobre o momento cabe à liderança, que acompanha os desdobramentos e definirá a hora certa de agir", declarou.>
Após as ameaças, os Estados Unidos emitiram um alerta sobre a possibilidade de ataques de houthis no Estreito de Bab el-Mandab.>
"Embora o grupo terrorista houthi não tenha atacado navios comerciais desde o acordo de cessar-fogo entre Israel e Gaza em outubro de 2025, os houthis continuam a representar uma ameaça aos ativos dos EUA, incluindo embarcações comerciais, nesta região", disse um aviso publicado pela Administração Marítima do Departamento de Transportes dos EUA na quinta-feira.>
Os houthis são um grupo armado político e religioso que defende a minoria muçulmana xiita do Iêmen, os zaiditas.>
Eles se declaram parte do "Eixo da Resistência" liderado pelo Irã contra Israel, os EUA e o Ocidente em geral, juntamente com grupos armados como o Hamas e o Hezbollah, do Líbano.>
Formalmente conhecido como Ansar Allah (Partidários de Deus), o grupo surgiu na década de 1990 e leva o nome de seu fundador, Hussein al-Houthi. O líder atual é seu irmão, Abdul Malik al-Houthi.>
Os houthis ganharam grande força política no Iêmen no início de 2014, quando se levantaram contra o presidente iemenita Abdrabbuh Mansour Hadi, sucessor de Ali Abdullah Saleh. Eles chegaram a um acordo com seu antigo inimigo e tentaram conduzir Saleh de novo ao poder.>
Os rebeldes tomaram o controle da província de Saada, no norte do Iêmen. E, no início de 2015, eles capturaram a capital do país, Sanaa, forçando o presidente Hadi a fugir para o exterior.>
A Arábia Saudita, vizinha do Iêmen, interveio militarmente para tentar derrubar os houthis e reempossar Hadi na presidência. A ação teve o apoio do Bahrein e dos Emirados Árabes Unidos.>
Os houthis repeliram os ataques e continuaram a controlar grandes partes do Iêmen. Eles assassinaram Ali Abdullah Saleh em 2017, quando ele tentou trocar de lado e aliar-se aos sauditas.>
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