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Ex-presidente do BRB é preso; saiba quem é ele e qual a relação com o banco Master

Prisão faz ‌parte ​da quarta fase da Operação Compliance Zero, que apura esquema de lavagem de dinheiro para o pagamento de vantagens indevidas que teriam sido destinadas a agentes públicos.
BBC News Brasil

Publicado em 

16 abr 2026 às 09:33

Publicado em 16 de Abril de 2026 às 09:33

Imagem BBC Brasil
Paulo Henrique Costa durante evento no Rio de Janeiro em abril de 2025 Crédito: Sam Barnes/Web Summit via Sportsfile via Getty Images
A Polícia Federal (PF) prendeu nesta quinta-feira (16/04) o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, em ⁠investigação relacionada ​ao banco Master.
Segundo a PF, a prisão faz ‌parte ​da quarta fase da Operação Compliance Zero, que apura esquema de lavagem de dinheiro para o pagamento de vantagens indevidas que teriam sido destinadas a agentes públicos.
Uma fonte confirmou à BBC News Brasil que Costa foi um dos detidos. Uma nota divulgada pela polícia aponta ainda que foi cumprido outro mandado de prisão preventiva, além de sete mandados de busca ‌e apreensão no Distrito Federal e em São ​Paulo.
A prisão do ex-dirigente do banco estatal foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça – e está sob sigilo.
A BBC News Brasil entrou em contato com a defesa de Paulo Henrique Costa, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

Quem é Paulo Henrique Costa?

Costa esteve à frente do BRB por mais de seis anos. Ele presidiu o Banco de Brasília entre fevereiro de 2019 e novembro de 2025.
Foi indicado pelo então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e conduziu a tentativa de compra do Banco Master pela instituição. O executivo foi afastado em novembro de 2025, após decisão judicial com a primeira fase da Operação Compliance Zero.
Segundo seu perfil no Linkedin, Costa é formado em Administração de Empresas pela Universidade Católica de Pernambuco, com mestrado em Administração de Empresas pela Universidade de Birmingham, na Inglaterra, e mestrado executivo em Administração pela Kellogg School of Management, nos Estados Unidos.
Ao longo da carreira, ocupou cargos de destaque em instituições públicas e privadas, com atuação em processos de reestruturação e expansão bancária.
Trabalhou na Caixa Econômica Federal entre 2001 e 2018 em diferentes funções de liderança. Entre 2011 e 2013, foi diretor de Controladoria e Compliance do Banco Panamericano.
Imagem BBC Brasil
Fachada do Banco Master, em São Paulo. Banco foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025 Crédito: REUTERS/ Amanda Perobelli

Qual a relação do BRB com o Master e a investigação?

O BRB entrou na mira da Polícia Federal por suspeitas de irregularidades envolvendo a compra de ativos do Master no valor de R$ 12,2 bilhões.
As autoridades investigam a suposta venda de falsas carteiras de crédito consignado do Master ao Banco de Brasília — um negócio que ajudaria o Master a melhorar sua posição financeira antes de ser vendido.
Após o anúncio das operações entre as duas instituições, o Ministério Público do DF questionou irregularidades no processo, levando a Justiça a barrar a assinatura do contrato.
Na sequência, investigações da PF e auditorias do Banco Central (BC) apontaram problemas no Banco Master, o que resultou no bloqueio definitivo da venda.
Paulo Henrique Costa é investigado por sua atuação nas tratativas e na aprovação das operações financeiras sob suspeita.
Em depoimento ao STF, ele teria afirmado que parte dos valores pagos ao Master não teria sido recuperada após a liquidação.
A PF apura se esse montante corresponde ao prejuízo efetivo e se houve responsabilidade criminal ou administrativa.
Imagem BBC Brasil
Vista da sede do Banco de Brasília (BRB) em São Paulo em 17 de outubro de 2023 Crédito: Bruno Escolastico Sousa Silva/NurPhoto via Getty Images
O Banco Master e outras quatro empresas do conglomerado comandado por Daniel Vorcaro foram liquidados extrajudicialmente pelo Banco Central no dia 18 de novembro de 2025. No mesmo dia, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal, quando tentava embarcar em um jatinho para os Emirados Árabes Unidos.
Vorcaro está atualmente negociando uma possível delação, desde que foi preso pela segunda vez, em 4 de março.
O banqueiro já assinou termo de confidencialidade que marca o início das tratativas de uma colaboração, segundo contou à BBC News Brasil uma fonte que pediu anonimato.

Entenda o caso Master

Segundo nota oficial divulgada pelo Banco Central no dia da primeira prisão de Vorcaro, as empresas do conglomerado comandado por ele foram liquidadas por três motivos principais:
  • crise de liquidez;
  • violações de normas que regulam o Sistema Financeiro Nacional e;
  • comprometimento da situação financeira das empresas.
A crise de liquidez do grupo empresarial de Vorcaro era um dos pontos que vinha chamando atenção de autoridades monetárias e analistas do mercado financeiro há mais de um ano.
Segundo documentos do caso envolvendo Vorcaro aos quais a BBC News Brasil teve acesso, o Banco Master expandiu suas operações entre 2019 e 2024 com base em um modelo de emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) pagando taxas de retorno aos seus investidores acima do que normalmente eram praticadas no mercado.
Os CDBs são ativos financeiros negociados por bancos ou corretoras de valores e que podem ser adquiridos tanto por pessoas físicas quanto por empresas. As taxas acima do mercado serviam para atrair mais clientes e para ampliar o volume de recursos entrando no banco. Por outro lado, o Master se viu obrigado a pagar taxas altas por esses recursos.
Imagem BBC Brasil
Daniel Vorcaro em depoimento à Polícia Federal, em dezembro de 2025 Crédito: Reprodução/PF
A estratégia de crescimento do Master, de acordo com um relatório do Banco Central, passou a enfrentar dificuldades depois que o Banco Master começou a ter problemas para captar recursos com os quais ele deveria pagar os juros dos CDBs que ele emitia.
Para reverter essa situação, ele passou a vender parte dos seus ativos, entre eles, carteiras de crédito consignado, que são empréstimos feitos normalmente a funcionários públicos cujas parcelas são descontadas diretamente na folha de pagamento.
"As cessões de carteiras foram intensificadas a partir de novembro de 2024, quando ocorreu agravamento do risco de liquidez, pois o Master passou a não conseguir rolar a totalidade dos vencimentos das captações", diz um trecho do relatório.
Em seu depoimento à Polícia Federal, Vorcaro reconheceu que o Banco Master enfrentou, sim, problemas de liquidez.
"Existia uma crise, não era de hoje, mas o Banco Master sempre foi solvente, sempre teve muito mais ativo que passivo e sempre honrou todos os compromissos até o dia 17 de novembro", disse Vorcaro à PF.
Ainda de acordo com o executivo, o modelo de negócio do Banco Master era baseado no funcionamento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O fundo garante o reembolso de até R$ 250 mil por investidor (pessoa física ou jurídica) por grupo econômico em caso de liquidação da instituição financeira.
"O plano de negócio do Banco Master era 100% baseado no FGC e não havia nada de errado nisso, essa era a regra do jogo", afirmou.
Mas a investigação sobre o caso Master não chama atenção apenas pelo aspecto econômico. Vorcaro era conhecido pelo trânsito que mantinha tanto no ambiente político quanto jurídico do país. Por isso, as revelações que podem surgir com o avanço das investigações vêm causando expectativa em Brasília.
Esse ponto foi central para que o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), deixasse a relatoria da investigação em fevereiro.
A atuação de Dias Toffoli no caso vinha sendo questionada devido a supostas relações do ministro com pessoas ligadas ao Banco, entre elas Daniel Vorcaro.

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