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Entenda as duas investigações sobre 'Dark Horse': uma envolve Daniel Vorcaro, e a outra, Mario Frias

A operação Make Up, que a Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (10/9), apura suspeita de desevio de emendas parlamentares e tem Frias como alvo, não Vorcaro.

Publicado em 10 de Setembro de 2026 às 14:34

BBC News Brasil

Publicado em 

10 set 2026 às 14:34
Imagem BBC Brasil
Da esquerda para direita, o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master; o ator Jim Caviezel caracterizado como como Jair Bolsonaro no filme Crédito: BBC

O financiamento do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, está no centro de duas investigações diferentes.

Uma delas apura a origem e o destino de recursos enviados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme, após pedidos do senador Flávio Bolsonaro (PL).

Segundo documentos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) obtidos pela revista Piauí, os repasses somaram ao menos US$ 12,3 milhões — cerca de R$ 64 milhões à época.

A outra investigação, que levou a Polícia Federal a deflagrar uma operação nesta quinta-feira (10/9), apura suspeitas de irregularidades envolvendo emendas parlamentares do deputado federal Mario Frias (PL-SP), que também é roteirista e produtor-executivo de Dark Horse.

A investigação sobre Mario Frias

Além de Mario Frias, a PF tem como alvo a empresária Karina Ferreira da Gama, responsável pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), que teria recebido ao menos R$ 2 milhões de Frias. Gama também é proprietária da Go Up Entertainment, produtora de Dark Horse.

A sobreposição entre os negócios dos dois levantou a suspeita de que recursos públicos destinados por meio de emendas possam ter sido desviados ou utilizados, direta ou indiretamente, para financiar o filme.

Imagem BBC Brasil
O deputado federal Mario Frias (PL-SP) Crédito: Pedro H. Tesch/Getty Images

A suspeita já havia sido levantada em uma proposta de fiscalização e controle apresentada pelos deputados federais Dimas Gadelha (PT-RJ) e Pedro Uczai (PT-SC).

Em manifestação enviada ao STF, Frias negou que os recursos tenham sido usados na produção do longa-metragem. Sua defesa diz que elas foram destinadas a projetos de inclusão digital, empreendedorismo e esportes.

A BBC News Brasil procurou o deputado por meio de sua assessoria de imprensa para obter um posicionamento, mas não houve retorno.

A operação desta quinta-feira foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do processo que investiga suspeitas envolvendo emendas parlamentares.

A investigação sobre Daniel Vorcaro

A outra apuração envolve Daniel Vorcaro, que controlava o Banco Master, e tramita no STF sob relatoria do ministro André Mendonça. Ela apura suspeitas de fraudes envolvendo operações financeiras do banco.

É nesse processo que também são investigados os repasses do banqueiro para Dark Horse. Em maio, o site The Intercept Brasil revelou que Flávio havia pedido Vorcaro US$ 24 milhões, equivalentes a cerca de R$ 134 milhões na cotação da época, para financiar o filme.

Flávio confirmou que pediu os recursos, mas negou qualquer irregularidade.

Imagem BBC Brasil
Detalhe do cartaz de Crédito: Divulgação

O caso voltou a ganhar força nesta semana após Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, firmar um acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República, homologado por Mendonça.

Mineiro é dono da Entre Investimentos e Participações e, segundo a investigação, atuava como operador financeiro de Vorcaro. Em sua delação, afirmou ter feito sete transferências para o Havengate Development Fund, que tem sede nos Estados Unidos e ligação com um advogado que atua para o ex-deputado Eduardo Bolsonaro.

Uma das perguntas que a PF busca responder é se parte desse dinheiro foi usada para outras finalidades que não a produção do filme, inclusive para custear as despesas de Eduardo nos EUA.

Eduardo vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025. Em junho de 2026, foi condenado pelo STF a 4 anos e 2 meses de prisão por crimes relacionados à tentativa de pressionar autoridades brasileiras por meio do governo Donald Trump.

A pena, no entanto, ainda não começou a ser cumprida porque a decisão está sujeita a recursos.

Em maio, o The Intercept também revelou que Eduardo havia assinado um contrato como produtor-executivo de Dark Horse, com responsabilidades relacionadas à gestão financeira do projeto.

Depois da publicação, ele admitiu ter investido US$ 50 mil — cerca de R$ 350 mil — no início da produção, mas afirmou que foi posteriormente reembolsado. Eduardo nega ter recebido dinheiro de Vorcaro ou do fundo Havengate.

"Quem fala que Eduardo Bolsonaro recebeu dinheiro de Vorcaro é mentiroso. Quem fala que Eduardo Bolsonaro recebeu dinheiro desse fundo que foi criado nos EUA está mentindo", disse, em vídeo publicado nas redes sociais.

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