Publicado em 13 de julho de 2023 às 05:56
Lançado pelo Google para fazer frente à estrondosa chegada do ChatGPT à área dos chats de inteligência artificial, o programa Bard ganhou versões em português do Brasil e em outros 40 idiomas que estão disponíveis para o público a partir desta quinta-feira (13/7).>
A gigante da tecnologia tinha uma postura um pouco mais cautelosa sobre o desenvolvimento da IA, mas vem mudando sua abordagem diante do avanço de rivais nesse campo.>
A Microsoft investiu US$ 13 bilhões na OpenAI, a empresa do ChatGPT, que atraiu 100 milhões de usuários com apenas dois meses de existência.>
Chatbots como o Bard e o ChatGPT respondem perguntas diversas e realizam tarefas que vão desde escrever um pedido de desculpas a montar códigos de programação.>
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Esses modelos vêm impressionando por interagir com usuários em uma linguagem considerada "mais humana" do que em tecnologias anteriores.>
Especialistas, no entanto, estão preocupados com as consequências do uso amplo e irrestrito de programas de inteligência artificial.>
Um manifesto com mais de mil assinaturas de figuras de destaque na área chegou a pedir uma pausa no desenvolvimento de alguns sistemas.>
O Google procura enfatizar em seus anúncios que o Bard é um projeto em estágio experimental e pode, eventualmente, compartilhar informações incorretas ou falsas.>
E na mesma semana em que a chegada do chatbot a novos países era divulgada, o Google se viu envolto em controvérsias por suas práticas nesse campo (leia mais abaixo).>
O lançamento do Bard no Brasil tem importância ao considerar a relevância do país como mercado para a empresa (mais de 90% das buscas por usuários brasileiros são via Google) e pela possibilidade de que chatbots venham a ser, no futuro, o principal instrumento para obter informação na internet, em substituição aos buscadores. >
O Bard pode ser acessado tanto pelo desktop quanto pelo celular através desse endereço. É preciso fazer login com a conta do Google para utilização. >
A empresa sugere que o usuário peça dicas de lugares para visitar e roteiros para passeios, conselhos para melhor a produtividade ou iniciar práticas rotineiras ("como ler mais?"), explicações de tópicos complexos e até planos de ação para resolver problemas de vida. >
Bruno Pôssas, vice-presidente global de engenharia para busca do Google, alerta que o sistema é ainda sujeito a "alucinações" — ou seja, quando o programa dá uma resposta inesperada, desalinhada do que planejam os programadores.>
"Apesar de respostas do modelo parecerem realistas, em alguns casos elas não vão estar ancoradas em fatos", afirma. >
Entre os casos de alucinações relatados nos últimos meses, um sistema de IA da Microsoft aconselhou um colunista do jornal The New York Times a "terminar o casamento".>
Foram anunciados também os seguintes recursos e atualizações no Bard:>
Nos últimos dias, o Google vem sendo alvo de polêmicas sobre a forma como treina seus sistemas de inteligência artificial — entre os quais o Bard é um dos carros-chefe.>
Na terça-feira (11/7), uma ação coletiva na Califórnia pediu compensações à companhia por "roubar tudo que já foi criado e compartilhado na internet por centenas de milhões de norte-americanos".>
Modelos como o Bard são alimentados com uma quantidade gigantesca de dados e depois são treinados a dar respostas a partir dessa base.>
Mas há acusações de que obras protegidas por direitos autorais são utilizadas — sem compensação financeira — para capacitar um sistema que será explorado comercialmente mais tarde.>
A ação judicial também afirma que informações sensíveis de pessoas também acabam nesse repositório de dados.>
O Google, em um comunicado enviado à rede de TV CNN, afirmou que a companhia deixa claro há anos que as informações usadas são de fontes públicas e que estão de acordo com seus "princípios de IA".>
"A lei norte-americana apoia o uso de informação pública para criar novos usos benéficos.">
No lançamento da versão brasileira do Bard, o Google não esclareceu como será a forma de monetizar seu chatbot ou se vai utilizar as atividades dos usuários para propósitos comerciais, como a venda de anúncios personalizados e sugestões de compras. Mas afirmou que a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) brasileira será seguida.>
Já na quarta (12/7), uma reportagem do site Bloomberg afirmou que, segundo documentos internos da empresa, humanos que trabalham para treinar sistemas como o Bard recebem salários baixos, têm uma carga de trabalho excessiva e enfrentam o estresse de completar tarefas complexas em até três minutos. >
O trabalho desses humanos é essencial para evitar que os modelos de IA do Google não forneçam respostas ofensivas, falsas ou com conteúdo problemático.>
A companhia disse que "realiza um extenso trabalho para construir nossos produtos de IA de forma responsável, incluindo testes rigorosos, treinamento e processos de feedback que nós aprimoramos por anos para enfatizar veracidade e reduzir vieses [nas respostas]".>
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