Após a retomada de bombardeios no Líbano nesta quinta-feira (9/4), o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, determinou que seu gabinete incie negociações com o Beirute "o mais rápido possível".
Segundo Netanyahu, as conversas terão como foco "desarmamento do Hezbollah e o estabelecimento de relações pacíficas" entre os dois países.
O anúncio ocorre um dia depois de Israel ter lançado uma série de ataques aéreos em Beirute, deixando centenas de mortos e hospitais lotados. Segundo o Ministério da Saúde do Líbano, mais de 300 pessoas morreram e cerca de 1.000 ficaram feridas.
As Forças de Defesa Israelenses definiram a operação como "a maior operação a aérea do conflito", que atingiu em apenas 10 minutos mais de 100 alvos identificados, entre eles centros de comando e instalações militares do Hezbollah.
O Irã alega que os ataques israelenses "violam flagrantemente" o cessar-fogo acordado com os EUA na terça-feira (7/4) e ameaçou retaliar caso os bombardeios não sejam interrompidos.
Pouco depois do anúncio de Netanyahu desta quinta, Donald Trump, disse, em entrevista à NBC News, que Israel vai "reduzir" os ataques contra o Líbano antes das próximas negociações entre Irã e EUA.
"Falei com o Bibi e ele vai baixar o tom. Acho que também precisamos ser um pouco mais discretos", afirmou.
Horas depois, contudo, o primeiro-ministro israelense divulgou uma mensagem aos moradores do norte do país, afirmando que "não há cessar-fogo no Líbano".
"Continuamos atacando o Hezbollah com força e não vamos parar até restabelecer a sua segurança", diz o comunicado publicado pelo gabinete do primeiro-ministro.
Ele emitiu uma ordem de evacuação de moradores de vários subúrbios do sul de Beirute, após anunciar que planeja novos ataques contra a "infraestrutura militar" do Hezbollah.
Netanyahu reiterou que os objetivos de Israel é desarmar o Hezbollah e "garantir um acordo de paz histórico e duradouro entre Israel e o Líbano".
Nesta quinta, Israel afirmou ter matado Naim Qassem, líder do Hezbollah desde 2024, em um dos seus ataques. O grupo ainda não confirmou a informação.
Versões contraditórias
EUA e Irã anunciaram um cessar-fogo de duas semanas na noite de terça-feira (7/4), condicionado à reabertura do Estreito de Ormuz e ao fim dos bombardeios, mas surgiram relatos conflitantes sobre o que exatamente foi acordado.
Tanto os EUA quanto o Irã negam que o Líbano estivesse incluído no acordo de trégua, o que contradiz a declaração do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que vinha mediando as negociações.
Segundo Sharif, o cessar-fogo também passaria a valer no Líbano.
Com os ataques no Líbano, a mídia iraniana afirmou que o estreito foi novamente fechado e petroleiros pararam de passar pela rota.
Inicialmente, os EUA haviam dito que a informação era falsa.
Nesta quinta, Trump publicou na rede Truth Social um alerta ao Irã de que "os tiros começarão, maiores, melhores e mais fortes do que qualquer um jamais viu" se o "acordo real" não for totalmente cumprido.
"Todos os navios, aeronaves e militares dos EUA, com munição, armamento e tudo o mais que for apropriado e necessário para a perseguição e destruição letal de um inimigo já substancialmente enfraquecido, permanecerão em suas instalações no Irã e arredores até que o acordo real seja totalmente cumprido. Se, por qualquer motivo, isso não acontecer, o que é altamente improvável, então os tiroteios começarão, maiores, melhores e mais fortes do que qualquer um jamais viu."
"Foi acordado, há muito tempo, e apesar de toda a retórica falsa em contrário, que não haverá armas nucleares e o estreito de Ormuz permanecerá aberto e seguro. Enquanto isso, nossas grandes Forças Armadas estão se reabastecendo e descansando, ansiosas, na verdade, por sua próxima conquista. A América está de volta!"
Enquanto isso, o programa Today, da BBC, na manhã desta quinta, trouxe uma entrevista com o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Saeed Khatibzadeh, na qual ele disse que o Irã enviou uma mensagem ao Salão Oval na noite anterior, dizendo que "não se pode ter tudo".
"Não se pode pedir um cessar-fogo e depois aceitar os termos e condições, aceitar todas as áreas às quais o cessar-fogo se aplica, mencionar o Líbano, e então seu aliado [Israel] simplesmente inicia um massacre."
Ele acrescentou que os EUA "devem escolher" se querem guerra ou paz. "Eles não podem ter as duas coisas ao mesmo tempo."
Questionado se o Irã vai se retirar das negociações caso os ataques israelenses continuem, ele afirmou que o país "está muito focado no bem-estar de todo o Oriente Médio".
Ele ainda foi questionado se o Irã pedirá ao seu aliado militante, o Hezbollah, que pare de disparar foguetes contra Israel a partir do Líbano. Khatibzadeh respondeu que o acordo inclui o Líbano e que o Irã e seus aliados estavam dispostos a "aceitar o cessar-fogo".
O ministro afirmou que o Irã "garantirá a segurança da passagem" pelo estreito de Ormuz, mas a reabertura só ocorrerá "depois que os Estados Unidos de fato retirarem essa agressão", aparentemente referindo-se aos ataques de Israel ao Líbano.
*Esta reportagem está sendo atualizada